Cresce no Google a procura por peças, acessórios e informações sobre manutenção

A queda na venda de veículos novos tem motivado o consumidor a buscar alternativas para continuar a utilizar seu carro. Como a frota nacional tem, em média, 6 anos a reparação ganhou força desde 2014. Para manter o veículo em boas condições os donos de carros procuram na internet informações sobre o que fazer e como fazer. Isso fez aquecer o mercado não só de compras de peças e acessórios online mas, também, de buscas de informações sobre mecânica automotiva.

É o que mostra a segunda edição do Estudo do Setor de Autopeças realizado pelo Google Brasil, ao qual a AutoData teve acesso com exclusividade. Desde 2014, segundo o estudo, a procura na categoria autopeças tem crescido impressionantes 40% ao ano.De acordo com Rodrigo Rodrigues, head de soluções de marketing do Google, “este mapeamento do mercado cruza dados do setor com informações sobre o comportamento dos brasileiros nas buscas feitas pela internet. Mensalmente identificamos 20 milhões de buscas no Youtube somente sobre essa categoria”.

Este desempenho é relevante quando comparado com buscas de todas as outras categorias do varejo online. Segundo o Google consultas sobre todos os produtos disponíveis no varejo crescem 25% ao ano: “Sabemos, por resultados de outras pesquisas sobre o comportamento dos consumidores, que 82% daqueles que querem comprar peças e acessórios estão online. E 39% deles já são consumidores online, e-shoppers, frequentes”.

Um olhar mais apurado para as buscas dentro da categoria automotiva revela que, neste momento, o consumidor está atrás de itens essenciais para o bom funcionamento e segurança do veículo. Destaca-se a procura por pneus, obviamente porque é um item que sofre diretamente o desgaste pelo uso do veículo e também por sua importância na segurança dos ocupantes – pneus desgastados aumentam as possibilidades de acidentes, sobretudo em períodos chuvosos.

Rodrigues diz que “o pneu é um dos itens mais buscados no Google e desperta três vezes mais interesse do que a subcategoria baterias, por exemplo. Aro e marca são atributos importantes na busca. Aro 14 e 15 correspondem a mais de 50% das consultas”.

Oportunidades – A DPaschoal, que desde 2015 atua no e-commerce e é pioneira na venda online de pneus do Brasil, percebeu a necessidade de aumentar sua presença na rede e para isso utilizou as ferramentas do Google.

“Usamos principalmente o Google Meu Negócio, o YouTube e o Google AdWords”, lembrou Hugo Santos, analista de marketing digital da DPaschoal. “E atingimos resultados expressivos, tanto para entregar o conteúdo buscado pelo usuário quanto para aumentar a presença da marca no meio digital, inclusive no mobile, que hoje representa mais de 55% dos acessos ao site.”

O estudo realizado pelo Google também identificou oportunidades para as pequenas e médias empresas que atuam no comércio eletrônico, oferecendo produtos automotivos na rede. Quase todas as categorias analisadas apresentaram aumento expressivo no buscador mais popular da internet. Alguns destacados pelo executivo do Google: capacetes, baterias, farol e volantes.

No entanto, segundo o Google, ainda há uma lacuna no segmento online que tem espaço para avançar. São os disseminadores de informações, uma categoria que contribui muito para que o cliente fique seguro na hora de promover a manutenção do seu veículo. A ferramenta mais popular para esse tipo de informação é o YouTube, observou Rafael Campion, cientista de dados do Google que trabalhou nas análises do estudo: “Quando você oferece um conteúdo explicativo o consumidor se sente mais seguro para comprar”.

Mais: “Temos empresas nos mais diversos segmentos automotivos e até o consumidor comum gerando conhecimento no YouTube, que contribui para o consumo mais consciente do cliente”.

Veja o exemplo do canal da DPaschoal com quase 1 milhão de visualizações. Clique aqui.

Para esses empreendedores o Google oferece soluções que contribuem para potencializar tanto a disseminação de informação quanto para aumentar as vendas online.

“Fornecemos ferramentas de inteligência de gestão, como por exemplo, para administrar estoques”, disse Rodrigo Rodrigues. “E também as tendências nas categorias, como as marcas mais buscadas na região. É possível mensurar o volume de contatos, de vendas e qual o incremento das lojas. Toda nossa plataforma é voltada para reduzir pontos de tensão do consumidor.”

Com crise ou não, essa modalidade de negócios é uma tendência que chegou para ficar. #ficaadica.

Iveco mantém busca por maior participação

A Iveco completa este ano uma década desde que iniciou planejamento para crescer no mercado brasileiro. Na época seus executivos anunciavam objetivo de ter pelo menos 10% de participação no médio prazo. Em 2007, dez anos depois de se instalar no Brasil, a fabricante licenciava 4 mil 338 unidades/ano. Um ano depois o volume saltou para 9 mil 139 unidades. O plano ia às mil maravilhas até 2011. Naquele ano, a empresa chegou a 6,5% de participação, com vendas de 14 mil 240 caminhões.

A empresa investiu pesado na ampliação da oferta de veículos – desde o segmento de semileves até os mais pesados –, na inauguração do centro de operações de peças em Sorocaba, SP, no aumento da rede de concessionárias e na inserção de ferramentas como o contrato de manutenção no pós-venda. No entanto a partir daí a empresa não avançou mais.

Para buscar mais competitividade há três anos a Iveco anunciou investimentos de R$ 650 milhões para o período 2014/2016. A verba foi utilizada para a nacionalização de componentes, na melhoria de processos industriais da fábrica de Sete Lagoas, MG, e em tecnologia embarcada.

À medida que a meta dos 10% de participação ficou distante nessa segunda década de vida a Iveco mudou o discurso. Agora, o que importa, segundo Ricardo Barion, seu diretor de marketing para a América Latina, é atender às necessidades dos clientes: “A fatia de mercado é importante, mas o principal é ter a confiança dos nossos parceiros”.

Essa mudança de postura tem uma razão de ser: com o mercado ladeira abaixo e o aumento da concorrência não é fácil manter nem mesmo essa participação nas vendas de caminhões. Vender veículos comerciais no País nos últimos anos é para os fortes.

Para a Iveco os 7,6% de mercado, conquistados no ano passado, 2 mil 573 unidades, já são suficientes para manter a operação rentável no Brasil. O executivo disse que a meta é crescer de 2% a 3% este ano, com as vendas impulsionadas pelo Daily.

Webasto confia no mercado brasileiro para crescer

A Webasto, fornecedora O&M de tetos solares para a indústria automotiva, está animada com o mercado brasileiro. Mesmo com a recessão econômica que se instalou no País nos últimos dois anos a expectativa da empresa é que cresça o volume de encomendas das fabricantes de veículos a partir deste ano. Stephan Müller von Kralik, vice-presidente da companhia, disse que com o término da crise a tendência é que o consumidor deseje carros mais caros. E muito deles podem vir equipados com teto solar.

No Brasil desde 2009, com fornecimento direto para as montadoras instaladas aqui, a Webasto viu seus negócios crescerem de lá para cá. Naquele ano seus produtos equiparam 50 mil veículos de treze modelos diferentes. No ano passado as encomendas da empresa chegaram a pouco mais de 114 mil unidades.

De acordo com Carlos Santos, gerente de vendas para o Brasil, a companhia ainda não fechou os volumes de 2016: “O objetivo era alcançar 136 mil encomendas, mas creio que alcançamos pouco mais de 114 mil”.

No mundo a empresa possui três braços de negócios: tetos solares e componentes, tetos conversíveis e sistemas internos de aquecimento. O de tetos solares foi responsável por 75% do faturamento de € 3,2 bilhões da companhia no ano passado. Rússia, Índia e Brasil representaram 6% da receita com as vendas de teto solares. A China é o maior mercado, com participação de 31% no faturamento. Europa, sem contar a Alemanha, responde por 25%, e Estados Unidos e Alemanha tiveram 19% de fatia.

Nacionalização – Carlos Santos disse que a Webasto estuda a montagem de seus equipamentos no Brasil. Mas, para isso acontecer, a empresa terá de conquistar um contrato que justifique os investimentos e conseguir incentivos fiscais para levantar a fábrica. Um plano não tão fácil de acontecer, pois, atualmente, não há no País fabricantes de tetos solares e com isso as montadoras importam os equipamentos com descontos no II, Imposto de Importação. As alíquotas são de 2%, enquanto que em outros produtos com similar nacional incidem taxas de 16% a 18% no II.

Ainda de acordo com Santos o estabelecimento de fábrica no País também dependeria de pelo menos dois projetos com, no mínimo, 100 mil unidades/ano.

“Atualmente as encomendas são pulverizadas e isto não justificaria investimentos.”

O executivo disse que a empresa tem negociado com a Hyundai para o fornecimento para o HB20. Outra frente é com o governo do Estado de São Paulo, para buscar incentivos para o futuro empreendimento na região: “São Paulo é um local estratégico para atendimento às montadoras”.

Tesla ultrapassa GM e já é a maior em Wall Street

A Tesla segue desafiando a gravidade em Wall Street. O entusiasmo que gera a companhia de Elon Musk junto aos investidores provocou o crescimento de seu valor de mercado na terça-feira, 4. Essa valorização fez a companhia superar a General Motors e se tornar o fabricante de automóveis com maior valor de mercado dos Estados Unidos. No dia anterior ela já havia superado a Ford e triplicado seu valor com relação à Fiat Chrysler. As informações são do jornal El País.

Os carros da Tesla tornaram-se, nos últimos anos, um verdadeiro objeto de desejo. Assim, a companhia já forja a sua história e marca o ritmo dos investimentos da indústria no desenvolvimento de carros elétricos. Os investidores compraram essa mensagem e o resultado é que a ação da companhia é negociada a mais de US$ 300.

A esse preço o valor de mercado da Tesla, no pregão da terça-feira, fechou em US$ 53 bilhões, uma apreciação de 1,5%. Já o da General Motors estava em US$ 50 bilhões, o da Ford em US$ 45 bilhões e a FCA valia três vezes menos do que a Tesla, US$ 16 bilhões.

Essa valorização, no entanto, não é racional quando se compara os números de vendas que sustentam o negócio da companhia. A GM teve faturamento global no ano passado de US$ 166,4 bilhões, com a comercialização de 10 milhões de carros, a Ford faturou US$ 151,8 bilhões, com a venda de 6,7 milhões de veículos. Já a Tesla vendeu 76,2 mil unidades, o que lhe rendeu receita de US$ 7 bilhões.

Dessa forma, tomando como base a valorização nos últimos dias em Wall Street, cada carro da Tesla deveria ter sido vendido, no ano passado, a US$ 690,8 mil, valor seis vezes maior do que o preço real de cada veículo. No caso da GM cada carro da empresa valeria US$ 4 mil 950 considerando o seu valor de mercado, e os da Ford deveriam ser vendidos a US$ 6 mil 860.

A Tesla nasceu quando a Ford completava 100 anos de existência e seu valor foi apreciado mais 40% desde o começo deste ano, enquanto a icônica marca criada por Henry Ford viu seu valor de mercado cair 7% no mesmo período. Se a comparação fosse feita há dois meses a situação seria muito diferente, pois as ações da Tesla eram negociadas a US$ 150. Há quatro anos a Ford valia dez vezes mais do que a Tesla.

Na semana passada a Tesla informou a entrada em seu capital da Tecent, empresa de tecnologia da China, que pagou US$ 1,8 bilhão por 5% de participação. Os recursos, de acordo com a Tesla, financiarão a produção do utilitário esportivo Model 3, que deve chegar ao mercado até o fim deste ano. A Tesla já tem pedidos firmes de 300 mil unidades do carro, que custará US$ 35 mil.

Vendas de importados caem 38,3% no trimestre

As vendas de veículos importados caíram 38,3% no primeiro trimestre. As importadoras comercializaram 6 mil 84 unidades ante 9 mil 860 no mesmo período do ano passado. De acordo com levantamento da Abeifa, Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores, em março os licenciamentos somaram 2 mil 453 veículos, queda de 26% ante igual período de 2016, quando foram vendidas 3 mil 317 unidades.

O presidente da entidade, José Luiz Gandini, disse que a cota de 4,8 mil unidades/ano, sem a incidência dos 30 pontos porcentuais do IPI, Imposto sobre Produtos Industrializados, é fator inibidor de crescimento do segmento.

“O resultado comercial do setor em março foi importante porque conseguimos interromper uma sequência de quedas. A alta de vendas, porém, foi pífia. Não fosse a alíquota extraordinária de 30 pontos porcentuais do IPI e a limitação da cota com teto máximo de 4,8 mil unidades/ano sem a sobretaxa, certamente nosso desempenho teria sido melhor.”

Comparado ao mês de fevereiro deste ano o volume de vendas de março representou uma alta de 45,5%. As vendas diárias no mês passado foram de 106,6 unidades ante 93,6 em fevereiro, alta de 13,9%.

“A contribuição do segmento teria sido mais expressiva na forma de maior arrecadação de impostos, mas principalmente de recuperação da rede autorizada de concessionárias, que chegou a empregar 35 mil trabalhadores em 2011 e hoje conta com pouco mais de 13 mil postos de trabalho diretos.”

Participações – Em março, com 2 mil 453 unidades licenciadas, a participação das associadas à Abeifa foi de 1,33% no mercado total de automóveis e comerciais leves, 183 mil 850 unidades. No acumulado do primeiro trimestre o market share foi de 1,32%, 6 mil 84 unidades do total de 459 mil 837.

Se for considerado o total de veículos importados, ou seja, aqueles trazidos também pelas fabricantes instaladas aqui, as associadas à Abeifa responderam, em março, por 12,03%, ou 2 mil 453 unidades, do total de 20 mil 384 unidades importadas. No acumulado a representatividade foi de 11,94% do total de 50 mil 955 veículos importados.

Produção local – Das associadas à Abeifa, que também têm produção nacional, BMW, Chery, Land Rover, Mini e Suzuki fecharam março com 1 mil 230 unidades emplacadas, aumento de 73,2% no comparativo com o mesmo período do ano passado, quando foram emplacadas 710 unidades nacionais. No acumulado do ano as cinco associadas à Abeifa totalizaram 3 mil 56 unidades emplacadas, alta de 63,9% ante as 1 mil 865 unidades do ano anterior, ainda sem a produção da Jaguar Land Rover.

“Estamos cientes de que o super IPI cairá a partir de 1º de janeiro do ano que vem”, contou Gandini. “Mas a nossa preocupação com relação à sobrevivência dos importadores oficiais e da rede autorizada de concessionárias é emergencial, pois temos, ainda, nove meses pela frente. Por isso a liberação das cotas não utilizadas em 2016 seria providencial.”

Marry Barra é a executiva mais bem paga de Detroit

A presidente da General Motors, Mary Barra, foi a executiva mais bem paga pelas fabricantes de automóveis, no ano passado, nos Estados Unidos. Segundo o site Detroit News a GM lhe pagou US$ 22 milhões 580 mil em remuneração total, queda de 21% com relação aos US$ 28 milhões 590 mil pagos em 2015.

A Ford, por sua vez, pagou a seu presidente, Mark Fields, US$ 22,1 milhões em 2016. A Fiat Chrysler pagou em salários a Sergio Marchionne cerca de US$ 11,5 milhões no mesmo período. A Tesla Motors, que esta semana superou a GM e a Ford em valor de mercado pela primeira vez, ainda não liberou os dados de seus altos executivos.

Em 2015 foram pagos a Elon Musk, presidente da Tesla, US$ 37 milhões 584 mil em compensação total – valor que ele não aceitou, de acordo com comunicados enviados pela empresa para a SEC, agência regulatória do setor financeiro, Securities and Exchange Commission, no ano passado. Em 2012 Musk recebeu US$ 78,2 milhões oriundos de sua opção de receber seus vencimentos baseado em um plano de seu próprio desempenho nos últimos dez anos. Desde então não tem salário. Sua próxima opção vence em 2022, quando ele poderá receber US$ 1,6 bilhão.

Mary Barra é a primeira presidente mulher da indústria automobilística. Seu salário tornou-se um problema depois que algumas reportagens, analisando dados incompletos, informaram erroneamente que em seu primeiro ano o salário seria cerca da metade daquele pago a seu antecessor, Dan Akerson. Barra, de 55 anos, foi nomeada CEO da GM em janeiro de 2014. A executiva recebeu pagamentos que incluíram um salário base de US$ 2 milhões, acima de US$ 1 milhão 750 em 2015, e US$ 13 milhões em ações, de acordo com a apresentação preliminar da GM enviada à SEC.

A GM teve um lucro líquido de US$ 9 bilhões 430 mil em 2016 e Ebitda de US$ 12,5 bilhões. A fabricante gastou também US$ 241 mil 829 em outros benefícios para Barra, como custear viagens da executiva em voos charter e no avião da própria companhia. Esse total também incluiu US$ 81 mil 868 em gastos com segurança pessoal.

GM ainda sem acordo com sindicato

A General Motors e o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos devem abrir mais uma rodada de negociações na próxima semana para discutir a abertura de processo de lay-off na fábrica de São José dos Campos, SP. Segundo Renato Almeida, secretário geral do sindicato, a empresa propôs a suspensão temporária do contrato de trabalho para 1,6 mil funcionários sem garantia de estabilidade no emprego no retorno às funções.

De acordo com ele “a proposta é de suspensão do contrato de trabalho por cinco meses. A alegação da empresa é a de que há o excedente de 1,6 mil funcionários na unidade e que, para manter a operação rentável, é preciso efetuar esses ajustes”.

A fábrica de São José dos Campos produz a picape S10, a Trailblazer e motores. Por dia, segundo Almeida, são montados trezentos veículos, em dois turnos de produção.

“Ao todo são 4 mil 870 funcionários na unidade e colocar em lay-off 1,6 mil pessoas é praticamente a linha de montagem da S10. As negociações continuam para tentarmos manter os empregos na unidade.”

Na terça-feira, 4, a GM enviou carta aos empregados informando a recusa do sindicato em aprovar o lay-off para preservar os empregos na unidade. Diante disso, diz o comunicado, a empresa terá de tomar outras medidas para manter a operação rentável da fábrica. A companhia não respondeu aos contatos da reportagem.

Em fevereiro o cancelamento do contrato de exportação de 15 mil veículos para o México levou a empresa a abrir processo de férias coletivas na fábrica. As férias coletivas atingiram 2,2 mil funcionários e duraram de 13 de fevereiro a 2 de março. As vendas para o México representam 27% da produção da GM de São José dos Campos.

Na unidade de São Caetano do Sul, SP, a GM também estendeu o lay-off, em fevereiro, por mais setenta dias. Ao todo 754 funcionários se encontravam com o contrato de trabalho suspenso, alguns desde novembro de 2014. Pelo acordo anterior o retorno ao trabalho deveria ocorrer em 9 de fevereiro. Os funcionários voltam à fábrica este mês. Ali a montadora emprega cerca de 9 mil pessoas e monta o sedã Cobalt, a picape Montana e a minivan Spin.

Por hora são produzidos 46 carros, em dois turnos de trabalho.

Mudanças nos juros reduzirão investimentos em máquinas

As mudanças nos juros vinculados aos empréstimos concedidos pelo BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, pode refletir negativamente no mercado este ano. Para Pedro Estêvão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, da Abimaq, o anúncio vai represar os investimentos que os produtores planejavam para atender às demandas da safra 2017/2018, a partir de julho. Em 2018 a TJLP, Taxa de Juros de Longo Prazo, dará lugar à TLP, Taxa de Longo Prazo, com juros de 7% ao ano.

“Só de ouvir sobre mudanças em linhas de créditos quem tem capacidade de investir retém o dinheiro para esperar o que acontecerá, e isso causa perdas na indústria de máquinas que atendem ao agronegócio, um dos poucos que apresentam números positivos dentro do setor.”

Segundo dados da Abimaq relativos ao primeiro bimestre o setor de máquinas teve receita líquida nas vendas feitas no País de R$ 5,7 bilhões. O valor, 3,7% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado, só foi possível por causa dos negócios firmados pelo setor no agronegócio, apontou a entidade: “Caso a safra do ano que vem seja maior do que a deste ano como é que o produtor conseguirá atender a uma demanda maior com essa mudança? Não há previsibilidade que lhe assegure se organizar para pagar um financiamento mais curto”.

O crédito rural, cuja taxa de juros é custeada pelo Tesouro Nacional e que também é utilizado para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, poderá sofrer alterações em sua composição e também preocupa o setor. Ainda que não seja algo definitivo o Ministério da Fazenda já sinalizou que pode vir a diminuir o valor subsidiado em linhas de crédito como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural e o Moderfrota.

Em função do teto de gastos da União o Tesouro estima que os recursos para essas linhas de crédito serão reduzidos em 22,3%, para R$ 8,7 bilhões. Esse valor considera os subsídios para a agricultura empresarial e também para a familiar. A previsão anterior era de R$ 11,4 bilhões para o ano que vem.

João Francisco Adrien, diretor da SRB, Sociedade Rural Brasileira, formada pelos maiores produtores rurais do País, acredita que a melhoria da economia favorece uma taxa Selic mais baixa e justifica a manutenção dos juros baixos para os produtores que pretendem realizar empréstimos:

“Tendo em vista a tendência de redução da taxa Selic e a melhora na conjuntura macroeconômica, já seria possível pensar numa redução das taxas de juros para o financiamento agrícola. A disputa novamente será quantidade de recursos versus o custo de capital”.

Para a Abimaq existem três cenários que poderão ser reais em 2018 no que diz respeito às taxas de juros praticadas nos empréstimos. O primeiro, apontado como o mais ideal pelo Ministério da Agricultura, é a criação de um juro fixo, abaixo da Selic, nos moldes do que acontece hoje. O segundo, endossado pelo Ministério da Fazenda, estipula uma taxa pré-fixada de 80% da Selic. O último, visto como o mais danoso aos negócios do setor, trata de juros pós-fixados.

Sobre isso, Bastos, da Abimaq, diz que “o setor entende que o mais adequado para o perfil do produtor rural brasileiro seja a manutenção dos juros abaixo da Selic. No entanto, com a redução da taxa nos últimos meses, um cenário de juro a 80% da Selic não é tão ruim desde que haja garantias de que se mantenha baixa”.

Falta de previsibilidade é desafio para executivos de finanças

Em pesquisa realizada em março, pela consultoria Deloitte, executivos brasileiros da área financeira das empresas demonstraram preocupação com relação à falta de previsibilidade econômica e política para a tomada de decisões. O estudo, que ouviu 112 profissionais, mostrou que a parte mais estressante do trabalho de cerca de 50% deles são as alterações regulatórias – que envolvem as áreas contábeis, fiscais e setoriais –, mudanças constantes nas estratégias das organizações e pressões por melhores resultados, com reduções de custos e aumento de produtividade.

Esta tensão é causada porque 60% dos entrevistados entendem que o foco da empresa onde trabalham é preservar a receita nos mercados nos quais já atuam e buscar maior eficiência nos processos nos próximos doze meses.

A falta de previsibilidade que impede a tomada de decisões em longo prazo é assunto recorrente na indústria automotiva brasileira. Durante o Seminário AutoData Os Novos Desafios da Indústria Automotiva, Philipp Schiemer, presidente da Mercedes-Benz do Brasil, disse que para o País ser mais competitivo é preciso diminuir as incertezas e ter mais previsibilidade das políticas públicas – “Somado a isso a corrupção fez, também, que o País perdesse a credibilidade”.

O executivo confidenciou que está cada vez mais difícil convencer a matriz a investir por aqui.

De acordo com Fábio Perez, diretor do programa CFO da Deloitte Brasil, este ambiente de incertezas acarreta altos níveis de stress a estes profissionais porque eles não conseguem ter clareza para tomadas de decisões.

“Isso gera perda de foco porque não sabem qual caminho seguir nos diversos cenários que surgem. Isto faz com que haja ineficiência de gestão.”

Nesta primeira pesquisa com CFOs, Chef Financial Officer, diretores financeiros e controllers de médias e grandes empresas, foram abordadas também questões como negócios, carreira, gestão da área financeira e tecnologia de apoio. Dentro destes temas 22% dos profissionais ouvidos disseram que buscam por melhores estratégias de gestão de caixa e 14% disseram que se sentem expostos a riscos em função da complexidade dos atuais processos contábeis e financeiros.

No que diz respeito à tecnologia para 67% dos entrevistados existem duas principais barreiras para a entrada das empresas na era digital: receio com relação aos investimentos necessários para o estabelecimento de novas tecnologias e falta de equipe de finanças preparada para conduzir esta transformação.

Segundo Perez a pesquisa também é realizada em outros países, como Estados Unidos, Austrália, Bélgica, China e Holanda: “Em nações com a economia mais estável aparecem outros focos de tensão como, por exemplo, preocupações com investimento para ampliação da empresa em outros mercados”.

AutoData debate as tendências dos negócios automotivos

Os novos parâmetros de negociação que as empresas terão que enfrentar neste atual e delicado momento do setor automotivo brasileiro, pautarão o tradicional Seminário AutoData de Compras Automotivas que, neste ano, acontecerá em São Paulo, no Word Trade Center São Paulo, no dia 15 de maio. Entre os participantes, já está confirmada a presença do presidente da General Motors para a América do Sul, Carlos Zarlenga.

Qual é, afinal, a expectativa da produção automotiva brasileira para este ano?

O que significa mais exatamente o atual movimento de integração das estruturas industriais das montadoras na região sul-americana e que isto poderá influenciar nos negócios com os fornecedores?

O que é esta nova legislação argentina que propõe aumentar o índice de nacionalização dos veículos fabricados país para 50%?

Quais os parâmetros de competitividade que os fornecedores devem estar atentos?

Como a tecnologia pode ajudar para aumentar a competitividade das empresas?

AutoData está convidando alguns dos mais importantes executivos e especialistas do setor automotivo do Brasil e da Argentina para apresentar suas visões a respeito destes importantes temas. Será, portanto, uma excelente oportunidade para que todos possam atualizar seus conhecimentos para enfrentar os desafios do futuro neste mercado.

Confira abaixo o temário e os executivos e empresas que estão sendo convidados para exporem sua opinião neste importante seminário:

Seminário AutoData de Compras Automotivas – Os novos parâmetros de negociação

• Tendências de produção para o setor automotivo brasileiro em 2017 (Fernando Trujillo, diretor da IHS Brasil) – Quais as tendências de produção para este ano nos diversos segmentos do setor automotivo serão imprescindíveis para o sucesso das negociações futuras entre montadoras e fornecedores. A IHS é uma das mais importantes consultorias brasileiras e é especializada em estudos estatísticos no setor automotivo.

• A nova General Motors América do Sul (Carlos Zarlenga, presidente da General Motors América do Sul) – Quase todas as montadoras estão unificando suas estruturas no Brasil e na Argentina debaixo de um chapéu empresarial único. A General Motors foi uma das últimas empresas a tomar esta decisão e anunciou sua reestruturação neste sentido no final do ano passado. O que é está nova General Motors América do Sul e o que isto poderá influenciar nos negócios com seus parceiros é que será o enfoque desta apresentação.

• O aumento do índice de nacionalização na Argentina (Dante Sica, diretor da Abeceb) – No final do ano passado o governo da Argentina divulgou um programa de incentivos que tem por objetivo principal aumentar para cerca de 50% o índice de nacionalização para os veículos produzidos naquele país. O que é e como funcionará este plano, quais são os principais objetivos a serem alcançados, em que prazo ele será implantado e quais as suas consequências para as empresas brasileiras é que apresentado nesta palestra de Dante Sica, que é um dos atuais mais conceituados consultores especialistas no setor automotivo da Argentina.

• Os novos parâmetros de negociação (Osias Galantine, diretor comercial da Aethra) – O novo setor automotivo que está sendo criado no Brasil e na América do Sul está trazendo novos parâmetros para o relacionamento entre montadoras e fornecedores. Internacionalização da produção, aumento dos padrões de qualidade e de tecnologia, produtividade, etc, são apenas alguns deles. Quais são estes fatores e como preparar as empresas é que será o tema desta palestra.

• Painel: A tecnologia a serviço da competitividade (Carlos Wagner, presidente da Sintel; Daniel Coppini, diretor da Siemens e Michael Ketterer, diretor industrial da MWM)- A tecnologia como instrumento para obter maior qualidade, produtividade e competitividade vai ter um papel cada vez mais importante na sobrevivência futura das empresas. Fatores como trafego de informações, automação, digitalização e, até, lean manufacturing serão cada vez mais importantes e prioritários de agora em diante. O que estas tecnologias podem ajudar as empresas a serem mais competitivas é que será o enfoque deste painel.

Os leitores da Agência AutoData terão um desconto de 15% no valor da inscrição, em promoção que será válida até 13 de abril. Ou seja, pagarão somente R$ 1.117,50 até esta data.