As mudanças nos juros vinculados aos empréstimos concedidos pelo BNDES, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, pode refletir negativamente no mercado este ano. Para Pedro Estêvão Bastos, presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas, da Abimaq, o anúncio vai represar os investimentos que os produtores planejavam para atender às demandas da safra 2017/2018, a partir de julho. Em 2018 a TJLP, Taxa de Juros de Longo Prazo, dará lugar à TLP, Taxa de Longo Prazo, com juros de 7% ao ano.
“Só de ouvir sobre mudanças em linhas de créditos quem tem capacidade de investir retém o dinheiro para esperar o que acontecerá, e isso causa perdas na indústria de máquinas que atendem ao agronegócio, um dos poucos que apresentam números positivos dentro do setor.”
Segundo dados da Abimaq relativos ao primeiro bimestre o setor de máquinas teve receita líquida nas vendas feitas no País de R$ 5,7 bilhões. O valor, 3,7% maior do que o verificado no mesmo período do ano passado, só foi possível por causa dos negócios firmados pelo setor no agronegócio, apontou a entidade: “Caso a safra do ano que vem seja maior do que a deste ano como é que o produtor conseguirá atender a uma demanda maior com essa mudança? Não há previsibilidade que lhe assegure se organizar para pagar um financiamento mais curto”.
O crédito rural, cuja taxa de juros é custeada pelo Tesouro Nacional e que também é utilizado para a aquisição de máquinas e equipamentos agrícolas, poderá sofrer alterações em sua composição e também preocupa o setor. Ainda que não seja algo definitivo o Ministério da Fazenda já sinalizou que pode vir a diminuir o valor subsidiado em linhas de crédito como o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural e o Moderfrota.
Em função do teto de gastos da União o Tesouro estima que os recursos para essas linhas de crédito serão reduzidos em 22,3%, para R$ 8,7 bilhões. Esse valor considera os subsídios para a agricultura empresarial e também para a familiar. A previsão anterior era de R$ 11,4 bilhões para o ano que vem.
João Francisco Adrien, diretor da SRB, Sociedade Rural Brasileira, formada pelos maiores produtores rurais do País, acredita que a melhoria da economia favorece uma taxa Selic mais baixa e justifica a manutenção dos juros baixos para os produtores que pretendem realizar empréstimos:
“Tendo em vista a tendência de redução da taxa Selic e a melhora na conjuntura macroeconômica, já seria possível pensar numa redução das taxas de juros para o financiamento agrícola. A disputa novamente será quantidade de recursos versus o custo de capital”.
Para a Abimaq existem três cenários que poderão ser reais em 2018 no que diz respeito às taxas de juros praticadas nos empréstimos. O primeiro, apontado como o mais ideal pelo Ministério da Agricultura, é a criação de um juro fixo, abaixo da Selic, nos moldes do que acontece hoje. O segundo, endossado pelo Ministério da Fazenda, estipula uma taxa pré-fixada de 80% da Selic. O último, visto como o mais danoso aos negócios do setor, trata de juros pós-fixados.
Sobre isso, Bastos, da Abimaq, diz que “o setor entende que o mais adequado para o perfil do produtor rural brasileiro seja a manutenção dos juros abaixo da Selic. No entanto, com a redução da taxa nos últimos meses, um cenário de juro a 80% da Selic não é tão ruim desde que haja garantias de que se mantenha baixa”.
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