O Brasil possui uma das oito maiores frotas de veículos do mundo, leves e pesados. Segundo a Anfavea em 2015 foram licenciados mais de 2,5 milhões de veículos, que passaram a circular pelo País gerando os benefícios imediatos da mobilidade mas também impactos diretos na infraestrutura viária e no meio ambiente.
Além da quantidade atual de veículos circulante a frota brasileira deverá apresentar uma das maiores expansões dentro do ranking mundial até 2030, uma vez que sua relação carros/habitante ainda é baixa em comparação com os mercados mais maduros.
Esta tendência impõe um desafio urgente e crescente para os setores público e privado: elaborar e implementar estratégia eficaz de gestão da frota nacional.
Nos países onde o controle da frota veicular tem sido priorizado há algumas décadas uma premissa em comum é a abordagem diferenciada para os veículos em final de vida, amparada pela legislação e tornada viável por meio de uma infraestrutura robusta de reciclagem automotiva.
Na Europa o governo holandês criou um sistema pelo qual cada veículo emplacado contribui com uma taxa para financiar a operação de sua moderna infraestrutura de reciclagem, tornando viável as metas estipuladas pelos órgãos públicos e, atualmente, resultando em cerca de 230 mil carros reciclados por ano em uma frota circulante de 8 milhões de veículos leves.
O automóvel é o produto mais reciclado do mercado estadunidense devido à ampla presença dos desmontadores, ao alto grau de reaproveitamento dos veículos e ao imenso mercado de peças reutilizadas. Estima-se que a reciclagem automotiva seja a décima-sexta maior indústria dos Estados Unidos, com US$ 25 bilhões de faturamento anual, 100 mil trabalhadores e 7 mil desmontes de veículos espalhados pelo país, dos quais 75% são pequenas empresas com até dez funcionários.
Lá o índice de reaproveitamento médio dos veículos é de 80% e na Europa de 75%, a pequena diferença sendo devida aos critérios distintos sobre quais peças podem ser recolocadas no mercado. No Japão o índice chega a ser mais alto por ser um mercado bastante voltado à exportação das peças reutilizáveis.
Por aqui a legislação brasileira para reciclagem automotiva encontra-se em fase bastante ativa de aprimoramento, buscando-se uma abordagem completa da cadeia, desde a documentação necessária para definir um veículo em final de vida passando pelas exigências técnicas no processo de descontaminação e de desmontagem até o controle e rastreamento das peças a serem recolocadas no mercado.
Além do aspecto sustentável do reaproveitamento de partes e peças, que do contrário seriam destruídas, trata-se de um mercado de porte robusto e estável devido à sua natureza anticíclica, ou seja, a demanda tende a aumentar quando a economia entra em recessão, em decorrência do valor mais acessível dos componentes reutilizáveis.
Essas características reúnem potencial para atrair players de grande porte, que entrarão no negócio com instalações avançadas, acelerando a modernização da cadeia. Com a legislação atualizada e os novos entrantes a atividade de reciclagem automotiva local mudará de patamar em termos de formalização, da escala das atividades, do índice de reciclagem e do controle da frota circulante.
Esse processo não será rápido, sobretudo na base da pirâmide, onde temos milhares de desmontadores que precisarão de um tempo maior para se adequarem às novas regras e ao movimento do mercado. Porém nos estados onde os Detran começam a atuar com maior ênfase, como São Paulo, a evolução já acontece.
A idade média da frota nacional é alta, agravando problemas como os acidentes causados pelo sub-desempenho dos veículos em situações que exigem desempenho, a poluição do ar e a grande quantidade de veículos abandonados nas ruas ou superlotando os pátios, com sérios riscos à saúde pública e de segurança.
Quando esta cadeia estiver bem estruturada ficará mais fácil para os órgãos municipais e estaduais aumentarem suas metas de reciclagem da frota veicular, seguindo as práticas de outros países e colocando o Brasil no caminho correto em um segmento que tem impacto direto em nosso dia a dia.
Paulo Alves é CEO da AutoAmbiental, representante da SEDA Unwelttenich GmbH no Brasil
Depois de ter registrado queda de 27,9% nas vendas domésticas de veículos nos quatro primeiros meses de 2016, em comparação com o mesmo período do ano passado, a Fenabrave abriu esta semana revendo para baixo sua projeção para este ano. E muito para baixo.
Em 2013 um consumidor visitava, em média, 3,6 concessionárias antes de comprar um veículo. Com o passar dos anos – e uma grande ajuda da internet – este número caiu e chegou a 2,6 visitas no ano passado, segundo dados da Fenabrave.












