Pesquisa KPMG: CEOs estão otimistas e atentos a mudanças com custos, tecnologia e emprego.

São Paulo – Os CEOs de empresas do setor automotivo, em todo o mundo, estão otimistas com os próximos três anos. Para que tudo saia conforme o planejado, porém, partilham pontos de atenção como a necessidade de localizar mais a produção de matérias-primas e componentes, a redução de custos, o que inclui a verticalização de processos, a contratação de profissionais de fora do setor a fim de perder vícios antigos e criar novos planos e parcerias para agregar tecnologias aos veículos, bem como partes e peças.

É o que aponta a pesquisa global KPMG Outlook: Industrial Manufacturing e Automotive 2024, que demonstra a dinâmica e a perspectiva da indústria de manufatura e automotiva. Foram entrevistados 240 CEOs, a metade deles do setor, ao longo do segundo semestre do ano passado. A pedido da Agência AutoData a sócia líder do setor de mercados industriais da KPMG no Brasil, Flávia Spadafora, e o sócio-líder do setor automotivo da KPMG no Brasil, Ricardo Roa, comentaram as avaliações dos líderes das indústrias automobilísticas. 

“Esta pesquisa nos ajuda a ter uma temperatura do otimismo. De um lado são postos os desafios e, de outro, a forma como as empresas estão se preparando para fazer os investimentos”, disse Spadafora. “Os CEOs estão otimistas realistas, como costumamos dizer.”

No aspecto de perspectivas econômicas e confiança no negócio, em que boa parte se demonstrou animada, foram consideradas a expansão da própria empresa, do setor e do país. Contaram a favor da perspectiva positiva a superação de reflexos causados por conflitos externos, como Ucrânia e Oriente Médio, um pouco mais controlados.

“O cenário vivido nos últimos anos despertou a necessidade de aumentar a independência como um todo, o que trará mais oportunidades de mercado. Os próprios produtos estão tendo uma alavanca de mudança de portfólio”, analisou Roa. “Quanto aos sistemistas há tendência maior de fusão e aquisição de médias empresas para alcançar crescimento global.”

A aquisição de empresas também busca obter diversificação de forma mais ágil, em vez de começar do zero, e redução de custos. Roa apontou que os altos gastos com importação fazem com que as empresas prefiram maximizar a operação local em vez de incorporá-los.

“A ideia é dar mais vazão sem ficar tão dependente de outra empresa”, lembrou Spadafora. “O principal medo é ficar sem o fornecimento de peças. Por este mesmo motivo a localização ganha cada vez mais destaque.”

Outro desafio mencionado nas respostas dadas por CEOs do setor é a desacarbonização da cadeia:

“Reciclabilidade e economia circular são pontos de preocupação de todos os entrevistados. Para que as empresas, principalmente europeias, atinjam o compromisso de zerar as emissões até 2035 ou 2040 é fundamental ter a colaboração da cadeia. Até requisições para cotação já estão colocando informações de ESG embarcados, aqui no Brasil também”.

Com avanço do uso de tecnologia, principalmente inteligência artificial, o que transforma veículo em celular sobre rodas, setor passa a demandar outro tipo de profissional, assim como de parceiros. Foto: Freepik.

Spadafora apontou que tema latente envolve questões regulatórias e exigências cada vez maiores de relatórios, assim como governança mais sofisticada das empresas, tanto para o Brasil quanto para matrizes. E citou que outro ponto são os riscos climáticos e o entendimento do impacto que poderá trazer à operação: “É um olhar de adaptação, de se organizar para o que já existe e se planejar para novos investimentos”.

Avanço da tecnologia e mão de obra qualificada preocupam

Se, por um lado, a indústria de manufatura como um todo ainda tem dificuldade de absorver a inteligência artificial, na automotiva é possível afirmar que há mais maturidade quanto ao seu uso.

“O setor está atravessando uma das maiores transformações da sua história com veículos eletrificados, atingindo níveis maiores de autonomia e proporcionando grandes oportunidades para as montadoras”, avaliou Roa. “As tecnologias, incluindo inteligência artificial tradicional e generativa, também tornam viáveis novas oportunidades para transformar a experiência do cliente e estabelecer processos de produção mais inteligentes e automatizados.”

A mudança do tipo do produto tem despertado preocupação com relação à mão de obra qualificada. Segundo Roa tem a ver com o fato de o veículo ter se tornado praticamente um celular sobre rodas: “Hoje tem sido requerida muito mais tecnologia, especialmente de softwares embarcados computacionais, e é muito difícil achar talentos que conheçam o que era usado no passado para remeter ao futuro. Esta é a maior dor de busca dentro das montadoras e dos sistemistas. Não é nenhum aspecto geracional mas, sim, de conhecimento do futuro do produto”.

Pintura dos veículos é área que ainda requer profissional que atua hoje nas montadoras, o que não haverá em outras etapas da montagem com o avanço da tecnologia, apontam especialistas da KPMG. Foto: Divulgação/Renault.

Mas os CEOs perceberam também que é inviável contratar este tipo de profissional direto no mercado e colocá-lo na empresa para solucionar sozinho esta questão. E é neste contexto que parcerias institucionais de empresas de tecnologia junto com o setor automotivo estão sendo contratadas para evitar este tipo de fragilidades.

De acordo com o levantamento da KPMG a indústria também despertou para a importância de trazer profissionais de outros segmentos que agreguem e adicionem oxigênio à operação, contou Spadafora, “mas, antes de atraí-los, é preciso ter onde colocá-los, para que possam continuar produzindo e não morram sufocados com status quo”.

Roa destacou que a admissão de profissionais de outras áreas não tem ocorrido somente em cargos de nível elevado, como na área de relações governamentais: “Antes era raro, só eram admitidos executivos de carreira e no mínimo de tier 1. Agora querem perder vícios antigos, criar focos e estratégias diferentes. Um CFO que era de banco agora é de montadora”.

Quanto ao chão de fábrica, embora a pesquisa não tenha mensurado, na avaliação do sócio líder a subsistência no setor depende da etapa produtiva. A pintura, citou, apesar do avanço da automação, ainda requer partes de trabalho manual e, então, a expertise faz diferença: “Agora, na parte da montagem, que não terá crescimento nem pormenores específicos e a máquina consegue fazer, a perda do emprego é inevitável”. 

Nissan Kicks Play tem preço inicial de R$ 118 mil

São Paulo – Uma semana após anunciar a mudança de nome da atual geração do Kicks, que agora chama-se Kicks Play, a Nissan divulgou os preços do SUV, que será vendido em três versões, com valor inicial de R$ 118 mil. A alteração no nome ocorreu para abrir espaço para a nova geração do Kicks, que será lançada em breve e ficará posicionada acima da atual. 

As três versões são equipadas com motor 1.6 de 113 cv de potência, acoplado a câmbio automático CVT. A configuração Sense ganhou novas rodas aro 17 e a Active Plus tem como novidade o alerta de colisão frontal e assistência inteligente de frenagem. 

Veja abaixo os preços de cada versão:

Nissan Kicks Play Active Plus – R$ 118 mil
Nissan Kicks Play Sense – R$ 126,9 mil
Nissan Kicks Play Advance Plus – R$ 146,8 mil

Grupo Renault anuncia Bruno Laforge como novo chefe dos recursos humanos

São Paulo – O Grupo Renault anunciou que Bruno Laforge, 56 anos, atual chefe dos recursos humanos na Capgemini, assumirá a partir de 1º de abril a posição na montadora, sucedendo a François Roger e reportando-se ao CEO Luca de Meo, uma vez que se tornará integrante do Leadership Team.

Laforge trilhou sua carreira na área de recursos humanos em diferentes setores com foco em tecnologia, como indústria de serviços digitais, farmacêutica, petróleo e gás, automotivo.

Na Sanofi, por exemplo, desempenhou por doze anos as funções de vice-presidente de RH em P&D, vice-presidente sênior de RH da unidade de negócios de vacinas, vice-presidente sênior Europa e vice-presidente sênior. 

Segundo Luca de Meo a “ampla experiência na gestão de talentos e sua trajetória internacional serão um diferencial fundamental para fazer do Grupo Renault uma grande empresa”.

“Trump está criando custo e caos”, diz CEO da Ford

São Paulo – Pela primeira vez um líder da indústria automotiva estadunidense teceu críticas ao presidente Donald Trump após suas ameaças de taxar as importações de produtos do México e do Canadá. Segundo reportagem do portal Automotive News Jim Farley, CEO da Ford, afirmou enxergar boas intenções no novo governo mas, que até agora, só trouxe dor de cabeça às empresas fabricantes:

“O presidente Trump falou muito sobre tornar nossa indústria automotiva mais forte, trazendo mais produção para cá, mais inovação para os Estados Unidos. Se esta administração de fato conseguir isto, seria, eu acho, uma das realizações mais marcantes”, afirmou em uma conferência da indústria de tecnologia. “Até agora o que estamos vendo é muito custo e muito caos”.

As importações de aço e alumínio foram taxadas em 25%, medida que afeta diretamente as siderúrgicas instaladas no Brasil, que têm boa parte da produção exportada para os Estados Unidos. As tarifas sobre os produtos do México e Canadá, também de 25%, foram adiadas em trinta dias no começo do mês.

“Vamos ser bem honestos: tarifas de longo prazo de 25% na fronteira mexicana e canadense abririam um buraco nunca visto antes na indústria dos Estados Unidos. Solta as rédeas para empresas sul-coreanas, japonesas e europeias que trazem de 1,5 milhão a 2 milhões de veículos para cá e que não estariam sujeitos a taxas. Seria uma das maiores dádivas a elas.”

A Ford produz no México o Bronco Sport e a Maverick, que são considerados modelos acessíveis aos consumidores estadunidenses. Mas quase todas as fabricantes usam o México como plataforma de exportação para os Estados Unidos além do intercâmbio de peças, que poderia afetar nos custos.

Com relação ao aço e alumínio Farley disse que afetam menos, porque muitos dos contratos das montadoras têm preço fixo e 90% do aço usado pela Ford é comprado nos Estados Unidos. Mas fornecedores têm fontes internacionais de compra dos metais e provavelmente repassarão os cursos para as fabricantes:

“É o que estou falando: custo e caos. Um pouco aqui, um pouco ali e em algumas semanas ou alguns meses as tarifas começam. É com isso que estamos lidando agora”.

DAF inicia projeto para formação de mecânicos de veículos rodoviários pesados

São Paulo – A DAF lançou o projeto Horizonte para formar novos mecânicos de veículos rodoviários pesados no Brasil. A iniciativa tem parceria com a sua rede de concessionárias e do Senai, e oferece cursos com carga horária de 80 horas, unindo aulas teóricas e práticas. 

O projeto Horizonte contou com três turmas piloto em Recife, PE, Curitiba, PR, e Ponta Grossa, PR, e segundo a montadora em breve chegará a outras regiões do País.

Usiquímica anuncia investimento de R$ 120 milhões em lubrificantes

São Paulo – A Usiquímica, empresa brasileira que adquiriu os negócios da YPF no Brasil em 2024, anunciou investimento de R$ 120 milhões para impulsionar o seu crescimento no mercado de lubrificantes. A empresa detém também os direitos de vendas da marca Valvoline no Brasil. 

O valor será aplicado durante três anos, para ampliar e modernizar a fábrica de Diadema, SP, da YPF, com automação de processos produtivos e logísticos, fortalecimento dos canais de distribuição, marketing e capacitação dos funcionários. 

O segmento de lubrificantes é considerado estratégico para a Usiquímica nos próximos anos e o novo aporte diversifica e amplia a sua atuação. A empresa também atua no segmento de produtos químicos, como hidróxido de amônio, e em produtos para o setor automotivo, como Arla 32.

Argentina cria cota para importar 50 mil carros eletrificados sem imposto

São Paulo – Os argentinos terão direito a comprar 50 mil carros elétricos ou híbridos por ano, com preço inferior a US$ 16 mil FOB, sem pagar os 35% de imposto de importação. A decisão do presidente Javier Milei foi oficializada por Esteban Marzorati, secretário de Indústria e Comércio e confidente do ministro da Economia, Luis Caputo.

Mas esta decisão deixou contrariadas as montadoras associadas à Adefa, segundo a publicação local Motor 1 Argentina: as cotas serão divididas meio a meio pelas associadas da entidade e pelas empresas associadas à Cidoa, que representa o setor de importação. As importadoras, que representam em torno de 10% das vendas, terão condição de ganhar mercado.

O volume é elevado: 50 mil carros representam mais de 10% das vendas na Argentina no ano passado. 

O próximo passo é homologar os carros que têm direito à isenção da taxa. Segundo o Motor 1 todos os graus de eletrificação, do MHEV ao BEV, poderão ser contemplados.

Produção de motocicletas avança e varejo tem o melhor janeiro da história

São Paulo – Continua em alta a produção de motocicletas no Polo Industrial de Manaus: em janeiro saíram das linhas de montagem 166,1 mil unidades, crescimento de 17,6% com relação ao primeiro mês do ano passado e de 34% sobre dezembro. Foi o melhor janeiro em produção de motocicletas desde 2012.

Segundo o presidente da Abraciclo, Marcos Bento, que representa as empresas fabricantes do setor, o desempenho resulta da ampliação da capacidade produtiva e da geração de 1,7 mil postos de trabalho no ano passado: “As empresas estão investindo no aumento da produtividade para atender à crescente demanda do mercado”.

A sua projeção para o ano é a produção de 1 milhão 880 mil motocicletas, alta de 7,5% sobre o ano passado.

No varejo janeiro foi o melhor da história: 152 mil motocicletas vendidas, crescimento de 14,4% sobre o mesmo mês de 2024 e de 3,3% com relação a dezembro. A média diária foi de 6,9 mil unidades.

As exportações também começaram o ano em alta: 2,8 mil unidades embarcadas, avanço de 12,5% sobre janeiro e de 11,5% na comparação com dezembro.

Oscar Castro assume área de vendas da Hyundai

São Paulo – A Hyundai Motor Brasil anunciou Oscar Castro como o novo diretor executivo responsável por toda a sua área comercial, sucedendo a Angel Martínez, que deixou a companhia para se dedicar a projetos pessoais.

Castro era diretor de planejamento e vendas ao varejo da Hyundai. Com a promoção cuidará de toda a estrutura de vendas, incluindo vendas diretas, desenvolvimento de rede, administração de vendas e logística de transporte de veículos. 

Com mais de vinte anos de experiência no setor automotivo Castro tem passagens por Ford, PSA Peugeot Citroën, FCA e Yamaha. Ele se reportará diretamente a Airton Cousseau, presidente e CEO da Hyundai na América do Sul e Central.

Iveco Bus fornece 47 ônibus para o grupo da Rápido Sumaré

São Paulo – A Iveco Bus anunciou o fornecimento de 47 ônibus para o grupo empresarial da Rápido Sumaré, que no ano passado já havia adquirido cem unidades. A nova compra tem como objetivo reforçar operações de fretamento com vinte unidades do modelo BUS 10-190 e 27 do BUS 17-280.

Produzidos em Sete Lagoas, MG, o BUS 10-190 é adequado também ao programa Caminho da Escola e também dispõe da configuração fretamento. O chassi pode ser encarroçado em carrocerias de até 10m50 com capacidade para até 36 passageiros.

O BUS 17-280, disponível para aplicações de fretamento, urbano e rodoviário, é sugerido pelo alto desempenho e pela capacidade operacional. O modelo permite carrocerias para até 59 passageiros em 11m50 de comprimento.