Parceria Aliança Renault-Nissan e Daimler quadriplica em cinco anos

O número de projetos colaborativos e compartilhados da Aliança Renault-Nissan com a Daimler quadruplicou em seis anos: de três, todos de atuação exclusiva no continente europeu, agora são treze, ampliando também seu raio de ação para Ásia, América do Norte e América do Sul.

O maior expoente desta colaboração das três montadoras é a construção de uma fábrica compartilhada no México, em Aguascalientes, investimento conjunto de US$ 1 bilhão. Ali será produzida a nova geração de veículos compactos topo de gama da marca Infiniti a partir de 2017, seguida de modelos Mercedes-Benz, em 2018. Nissan e Daimler vão desenvolver os veículos em conjunto. A fábrica deve montar mais de 230 mil unidades/ano até 2020.

A mesma gama de produtos será também fabricada em outras plantas Daimler e Nissan na Europa e na China.

Outro exemplo é o desenvolvimento de uma picape de uma tonelada para a Mercedes-Benz, segmento onde a marca da estrela de três pontas não atua hoje. O utilitário compartilhará parte de sua arquitetura com a nova geração da Nissan Frontier, deixando engenharia e design a cargo da Daimler. A picape será fabricada pela Nissan na fábrica da Renault em Córdoba, Argentina, junto com a Frontier e um modelo semelhante para a Renault. As três picapes também serão montadas na planta da Nissan em Barcelona, na Espanha – a produção das picapes Mercedes-Benz será iniciada até 2020 nas duas fábricas.

Há ainda as versões elétricas dos novos Smart Fortwo e Smart Forfour – estes modelos movidos a gasolina foram lançados há um ano e dividem plataforma com o Renault Twingo, a primeira compartilhada por Daimler e a Aliança. No fim de 2016 chegam à Europa as opções elétricas destes modelos, equipados com motor elétrico produzido na fábrica da Renault em Cléon, França – o mesmo que equipa o Renault ZOE. A bateria dos novos Smart elétricos será fabricada em Kamenz, Alemanha, por uma subsidiária da Daimler, a Deutsche ACCUmotive.

 

Obrigatoriedade do extintor em automóveis e comerciais leves cai após 45 anos

Depois de 45 anos o Brasil finalmente aboliu a obrigatoriedade do uso de extintores de incêndio para veículos automotores – e de forma imediata. Um dos poucos países do mundo a adotar tal exigência, o uso do equipamento foi determinado em 1969 e passou a vigorar dois anos depois.

O Ministério das Cidades, ao qual o Contran, Conselho Nacional de Trânsito, é subordinado, deu a entender que a decisão foi uma espécie de represália aos fabricantes de extintores, que não forneceram volume suficiente de produtos do tipo ABC ao mercado – o que levou a inúmeros adiamentos da data estabelecida para uso exclusivo deste tipo de dispositivo, iniciativa do próprio Contran.

O uso único dos extintores do tipo ABC foi determinado em 2004 e regulamentado em 2005. Seu uso deveria começar dali cinco anos, ou seja, 2010, mas foi sendo postergado até que estabeleceu-se como data definitiva 1º. de janeiro de 2015. Mas diante da falta do produto nas lojas o Ministério das Cidades adiou a medida por 90 dias, depois mais 90 e novamente outros 90 dias, que se encerrariam em 1º. de outubro.

Em comunicado o presidente do Contran e diretor do Departamento Nacional de Trânsito, Denatran, Alberto Angerami, afirmou que “os fabricantes [de extintores] afirmaram ser necessário um prazo maior, de cerca de 3 a 4 anos, para atender a demanda [pelo produto do tipo ABC]. Porém, essa justificativa já estava sendo dada pelas indústrias há 11 anos”.

Em diversos municípios do País o preço pedido pelos extintores automotivos do tipo ABC ultrapassava os R$ 100.

O dirigente afirmou ainda que “tivemos encontros com representantes dos fabricantes de extintores, corpo de bombeiros e da indústria automobilística, que resultaram na decisão de tornar opcional o uso do extintor”.

O Ministério citou também dados da AEA a indicar que de dois milhões de sinistros em veículos cobertos por seguros oitocentos tiveram incêndio como causa e, destes, apenas 24 informaram uso de extintor.

“Estudos e pesquisas realizadas pelo Denatran constataram que as inovações tecnológicas introduzidas nos veículos resultaram em maior segurança contra incêndio. Entre as quais, o corte automático de combustível em caso de colisão, localização do tanque de combustível fora do habitáculo dos passageiros, flamabilidade de materiais e revestimentos, entre outras. “Além disso, nos crash-tests realizados na Europa’ e acompanhados por técnicos do Denatran ficou comprovado que tanto o extintor como seu suporte provocam fraturas nos passageiros e condutores”, complementou em nota o Ministério das Cidades.

O porte do extintor passa a ser opcional em automóveis, utilitários, camionetas e caminhonetes. E continua obrigatório em veículos utilizados comercialmente para transporte de passageiros, caminhões, caminhão-trator, micro-ônibus e ônibus, além de veículos destinados ao transporte de produtos inflamáveis, líquidos e gasosos.

VW é a segunda montadora a aderir ao PPE

A Volkswagen seguiu a Mercedes-Benz e será a segunda montadora a aderir ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego. Em assembleia realizada na tarde da quarta-feira, 17, os trabalhadores na unidade da Anchieta aprovaram acordo que prevê redução de 20% da jornada de trabalho por seis meses, prorrogáveis por mais seis, com redução de 10% dos salários – a diferença dos outros 10% será financiada pelo FAT, o Fundo de Amparo ao Trabalhador, conforme estabelecem as regras do PPE.

As informações foram divulgadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que também negociou o programa na unidade da Mercedes-Benz na região.

A negociação excluiu a redução salarial das férias e do décimo-terceiro salário, algo não previsto originalmente no programa. Outra exclusividade foi a aprovação de garantia de complementação pela montadora quando a compensação máxima paga pelo governo, de R$ 900, não atingir a metade da redução salarial do trabalhador.

Em comunicado Wagner Santana, secretário geral do Sindicato e ele mesmo funcionário da unidade, explicou que “desta forma nenhum trabalhador terá uma redução salarial maior do que 10%”.

Em contrapartida, afirma o sindicato, “o acordo assinado em janeiro deste ano é reafirmado, garantindo estabilidade no emprego até 2019”. Na época a montadora chegou a anunciar oitocentas demissões, mas depois desistiu diante de aprovação de acordo com os metalúrgicos.

Com o PPE, 850 dos 2,6 mil funcionários em lay off retornarão à fábrica em 1º de novembro e o restante em janeiro de 2016 – e todos serão automaticamente incluídos no programa assim que forem reintegrados à unidade. Mas no total, segundo o sindicato, 11,5 mil trabalhadores entrarão no plano de redução de jornada e salários. É praticamente toda a força de trabalho da unidade.

“Ficarão de fora apenas aqueles que atuam em áreas em que não é possível reduzir a jornada por motivos de segurança, como a manutenção”, complementou o sindicato.

Segundo a nota, “havia previsão de que o acordo [assinado em janeiro] poderia ser revisto caso a produção não atingisse mínimo de 250 mil veículos por ano”.  Santana complementou afirmando que “a produção vem caindo e devemos terminar o ano abaixo dos níveis que estavam previstos no acordo em janeiro. Agora já temos o mecanismo que vai dar conta desse cenário”.

Outras quatro empresas de autopeças da região do ABCD também já aderiram ao PPE.

FORD – Enquanto isso na Ford Taboão a greve dos metalúrgicos contra duzentas demissões entrou no oitavo dia. O pessoal da pintura e do administrativo não entrou para trabalhar – a estratégia do sindicato é paralisar diferentes áreas vitais da fábrica a cada dia.

“Ontem foi o pessoal na logística e os mensalistas que não entraram e, na segunda-feira, a ferramentaria e a manutenção. Nos dois primeiros dias, a fábrica dispensou todos os trabalhadores ao ver que não tinha condições de rodar”, revelou em nota o coordenador do sindicato Adalto Oliveira, o Sapinho.

Nova reunião com representantes de montadora e sindicato foi realizada na manhã da quinta-feira, 17, mas um acordo para colocar fim ao movimento ainda não aconteceu.

Vendas de consórcios para veículos leves cresceram 17,6% até julho

De janeiro a julho os brasileiros adquiriram 551,5 mil cotas de consórcio de veículos leves, volume 17,6% superior ao resultado do mesmo período do ano passado, quando as vendas de cotas somaram 469 mil. Segundo dados divulgados pela Abac, Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios, os consórcios de veículos leves são um dos motores do crescimento de 5,4% nas vendas do Sistema Nacional de Consórcios, que apresenta também resultado muito positivo no segmento de imóveis, cuja alta chegou a mais de 50%.

As vendas de consórcios de veículos pesados, que reúne caminhões, ônibus, tratores e implementos agrícolas e rodoviários, fechou o período com 11% de crescimento, para 28,3 mil novas adesões. Em motocicletas, porém, houve retração de 8,8% na aquisição de novas cotas, para 627,3 mil unidades.

Para Paulo Roberto Rossi, presidente executivo da Abac, o consumidor tem redobrado sua atenção nos comprometimentos de médio e longo prazo mesmo com o momento econômico difícil. “Com foco no consumo responsável, muitos têm optado pelos consórcios dadas as suas características de autofinanciamento, custos mais baixos e planejamento financeiro. Pensando no futuro, usa o consórcio para planejar seus objetivos pessoais, familiares ou até mesmo empresariais, seja para ampliar ou formar patrimônio, seja para obter renda extra para quando entrar na aposentadoria”.

No geral o segmento de veículos automotores fechou julho de 2015 com 6,3 milhões de participantes ativos, um crescimento de 4,6% com relação ao volume de um ano atrás. As contemplações cresceram 7,9%, para 779,5 mil – muito devido ao Festival do Consorciado Contemplado, organizado em parceria com a Anfavea e a Fenabrave.

Segundo a Abac nos três meses de duração, de maio a julho, o uso de cartas de créditos em veículos leves novos e seminovos cresceu 6,5% com relação ao mesmo período de 2014, para 101,9 mil contemplações. Nos pesados o crescimento chegou a 10,5%, para 7,9 mil unidades.

“O sucesso de promoção traz a expectativa de novas edições, com aperfeiçoamento e ampliação do número de empresas participantes”.

Fenabrave entrega prêmio Marca Mais Desejada

Em cerimônia que ao mesmo tempo comemorou os 50 anos da Fenabrave e encerrou o 25º Congresso & ExpoFenabrave, realizada na tarde de quarta-feira, 16, no Expo Center Norte, em São Paulo, foram entregues também os prêmios de Marca Mais Desejada às montadoras eleitas pelos associados.

A premiação, que chegou ao sétimo ano consecutivo, reconheceu duas marcas em cinco categorias: Automóveis e Comerciais Leves, Caminhões e Ônibus, Motocicletas, Tratores e Máquinas Agrícolas, e Implementos Rodoviários.

A Toyota levou o prêmio máximo na categoria de Automóveis e Comerciais Leves pela primeira vez na história. Outra estreante na primeira colocação foi a Triumph, em Motocicletas. Em Caminhões a Volvo ganhou pela terceira vez consecutiva, assim como a Noma em Implementos Rodoviários. A John Deere, eleita em Máquinas Agrícolas, conquistou a primeira posição pela segunda vez seguida.

Como base da eleição foi usada a 20ª Pesquisa Fenabrave de Relacionamento com o Mercado, coordenada de maio a julho pela Scheuer Consultoria junto a concessionários de todas as marcas e segmentos. Segundo a associação que representa o setor de distribuição no mínimo 20% de todos os concessionários de cada marca participaram da pesquisa. As empresas premiadas obtiveram a melhor média das notas atribuídas em 25 questões.

Em nota Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, afirmou que o prêmio Marca Mais Desejada “destaca as empresas que mais se diferenciam no mercado, assim como avalia o desempenho das montadoras e suas redes de distribuição”.

Metalúrgicos da Volkswagen SBC decidem adesão ao PPE

Na tarde de quinta-feira, 17, os trabalhadores da Volkswagen Anchieta, em São Bernardo do Campo, SP, participarão de assembleia para decidir se aderem ou não ao PPE, Programa de Proteção ao Emprego, na unidade. Na ocasião o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC apresentará as condições propostas pela companhia.

Desde 3 de setembro representantes da empresa e do sindicato negociam os termos. Segundo Wagner Santana, secretário-geral do sindicato e funcionário da VW, a proposta que o sindicato tem nas mãos é boa para os trabalhadores na atual situação: “Conseguimos chegar a uma proposta que acreditamos ser positiva para os trabalhadores e que dará conta de fazer o entendimento desse cenário de crise”.

A assembleia será realizada em frente à fábrica e reunirá os trabalhadores dos dois turnos. Atualmente 2,6 mil trabalhadores da unidade estão em lay off, com retorno marcado para novembro – é exatamente a quantidade de funcionários que a VW alega ter em excesso na unidade.

Ainda em São Bernardo do Campo, os trabalhadores da Ford seguem em greve, que completou uma semana na quarta-feira, 16. A paralisação foi aprovada pelos metalúrgicos para protestar contra duzentas demissões anunciadas pela companhia. Desde segunda-feira, 14, representantes da Ford e sindicato estão em negociações, mas ainda não houve proposta de acordo, de acordo com informações da entidade.

“Parece que a empresa não quer uma solução simples, infelizmente”, afirmou, em nota, o presidente do sindicato, Rafael Marques.

Onix mantém ritmo elevado e lidera primeira metade de setembro

O Onix está mostrando que a inédita vitória mensal em vendas por modelo obtida em agosto não foi um mero acaso. O Chevrolet é o líder disparado da primeira metade de fevereiro, considerando-se os resultados colhidos até a terça-feira, 15.

De acordo com dados preliminares do Renavam divulgados pela Fenabrave o Onix tem 5,1 mil emplacamentos no período, já em boa vantagem para o segundo colocado, o Hyundai HB20, 4,1 mil. Com isso o hatch da GM começa a pavimentar seu caminho para o que parece ser um provável bicampeonato mensal.

Um surpreendente Ford Ka fecha o pódio da primeira metade de setembro, considerando-se o período em dias corridos, com 4 mil emplacamentos até agora.

O líder em vendas no ano, e que ponteou em seis de oito meses em 2015 – perdeu apenas em março, para a Strada, e em agosto, justamente para o Onix – não está registrando índices tão bons neste mês: é somente o quarto do período, com 3,9 mil licenciamentos registrados. E completa os cinco primeiros a Strada, 3,5 mil.

Quem não se cansa de registrar volume em elevação é o Toyota Corolla. Não satisfeito em estar na lista dos dez primeiros e ser o sedã mais vendido no País, desbancando até os compactos desta faixa, na primeira metade de setembro é o sétimo do ranking, com 2,8 mil, colado no sexto, o VW Fox, 2,9 mil. E com isso está à frente de Uno e  Sandero, empatados com 2,7 mil, e do incansável Honda HR-V, que se embrenhou nos dez primeiros, fechando este grupo, com seus 2,6 mil licenciamentos.

Mas o novo SUV compacto da Honda não está sozinho: nos seus calcanhares, em décimo-primeiro, está o Jeep Renegade, com 2,5 mil, comprovando que lançamentos que caem no gosto do consumidor mexem efetivamente com o mercado independente de cenário de crise ou retração das vendas no total.

Em desempenho muito fraco e bem aquém de sua média o VW Gol é apenas o décimo-terceiro da primeira metade de setembro, somando 2,4 mil unidades licenciadas.

Área de remanufatura da Knorr-Bremse comemora dez anos no Brasil

Desde que inaugurou sua divisão de remanufatura no Brasil, a fabricante de sistemas de freios e controles para veículos comerciais Knorr-Bremse reaproveitou cerca de 700 toneladas de alumínio e ferro e produziu 250 mil peças remanufaturadas dentro de suas instalações em Itupeva, SP. Agora a companhia completa uma década da remanufatura no Brasil, divisão que cresce, em média, 30% ao ano.

Atualmente a Knorr-Bremse tem capacidade para processar 3,5 mil peças por mês – podem ser remanufaturados compressores, freios a disco, válvulas, acionamentos, servo embreagens e cilindros combinados. “Ainda este ano vamos lançar o caliper de freio a disco SN5 para aplicações de sete a dez toneladas em veículos comerciais”, contou, em nota, o gerente de engenharia da companhia, Pedro Orlando.

Todos os produtos remanufaturados possuem garantia, procedência e originalidade certificados pela Knorr-Bremse. As peças usadas que chegam à fábrica passam por criterioso processo de restauração – todos os itens do componente são desmontados e é feita a inspeção e lavagem das peças. Aqueles que não podem mais ser utilizados são substituídos por novos, considerando também todas as atualizações tecnológicas por qual a peça passou no período. Depois de montado, o produto passa por testes de qualidade.

Trazer para cá a área remanufatura de peças foi motivado pela tendência de sustentabilidade mundial, para economizar recursos e preservar o meio-ambiente. Segundo Jefferson Germano, os resíduos têm descarte correto por meio de práticas que seguem as leis ambientais.

“Em dez anos recuperamos aproximadamente 700 toneladas de matérias-primas, o equivalente a 30 caminhões pesados com a carga máxima de 23 toneladas cada, em uma fila de 400 metros”, afirmou Germano, em nota.

A Knorr-Bremse conta com um programa eficiente de logística reversa, pois o retorno da peça usada para a fábrica é a base da remanufatura. Para incentivar a sustentabilidade e manter o processo vivo, o usuário compra o produto remanufaturado, que tem preços mais baixos do que um novo, à base de troca com a peça usada – assim a empresa recolhe o componente usado.

MAN apresenta seu pacote anti-crise

A MAN Latin America apresentou na quarta-feira, 16, sua linha de caminhões 2016 – antecipando-se à Fenatran, feira do segmento de comerciais, agendada para novembro em São Paulo, da qual não participará.

Porém mais do que uma nova gama de modelos o que a montadora trouxe de novidades ao mercado pode ser considerado como um pacote anti-crise: em síntese, a fabricante passará a oferecer um novo plano de financiamento do tipo leasing operacional, sem entrada, para a linha TGX, enquanto a gama VW de caminhões recebeu oferta de uma nova versão de entrada, denominada Trend, mais barata. As chamadas versões vocacionais, como carro-forte, canavieiro, betoneira e compactador de lixo, também ganharam reforço.

Para Roberto Cortes, presidente e CEO, a nova linha traz “dezenove caminhões que atendem o momento” – momento este que acusa queda de 43,5% na venda de caminhões novos no acumulado do ano até agosto na comparação com mesmo período do ano passado, sendo que especificamente nos pesados a baixa chega a impressionantes 61% de acordo com dados da Anfavea.

Para o executivo “esta é mais uma crise e, assim como todas as outras, vai passar. Já convivi com dezessete delas: essa é a décima-oitava. Em todas a sensação era de ser pior que já atravessamos, algo que se repete agora. Nossa resposta é promover ações inovadoras e nos adaptarmos perante o mercado atual, algo que conseguimos fazer em apenas nove meses e que agora apresentamos”.

Uma das maiores atrações é o chamado leasing operacional, que, segundo explica Ricardo Alouche, vice-presidente de Vendas, Marketing e Pós-Venda, “funciona como uma espécie de aluguel, ainda que este não seja o termo correto”. Na prática o cliente recebe um caminhão 0 KM com todas as despesas incluídas, como IPVA, licenciamento, emplacamento e mais os serviços de monitoramento e manutenção preventiva. pagando por isso uma parcela fixa, sem entrada, por um período determinado em contrato – 36, 48 ou 60 meses. Ao fim do prazo pode optar por simplesmente devolver o caminhão ou adquiri-lo pelo preço de mercado de então. A maior diferença para os planos tradicionais de leasing é que não existe a figura da parcela-balão ao término do plano.

Para Cortes “a montadora e o banco VW assumem todo o risco, como o da revenda e de possíveis variações nos custos de manutenção, mesmo com um cenário inflacionário, uma vez que a parcela é fixa por todo o plano”. Alouche acrescenta que “as únicas preocupações do frotista serão pneus e o seguro. O resto está inteiramente incluído no pacote”.

Em um cálculo preliminar o VP indica que um financiamento de um modelo TGX em 50 meses pelo atual Finame, considerando também o financiamento da entrada, custaria aproximadamente R$ 9 mil por mês ao comprador. No plano da MAN, o valor cairia para R$ 8,3 mil no mesmo prazo – sempre considerando que neste o cliente não fica automaticamente com o veículo ao fim do plano. É preciso levar em conta também que o modelo ainda não atinge 100% das exigência do Finame em índice de nacionalização, o que restringe uma parcela do financiamento pelas condições do BNDES. Este quadro, segundo a MAN, mudará no fim do ano, com o alcance do teto de peças nacionais exigido pelo banco estatal de fomento.

A montadora estima comercializar quatrocentos caminhões da linha TGX pela nova linha, em período de seis a oito meses, no que considera como um projeto-piloto. Se considerar que os resultados foram positivos, deverá estender a oferta para o restante da gama de caminhões VW.

Completa o pacote anti-crise da MAN a chegada das versões Trend, que podem ser aplicadas para toda a gama dos caminhões MAN e Volkswagen – em algumas de série e em outras sob encomenda. Alouche afirma que esta é “mais despojada e simplificada, atendendo algumas especificações de clientes que não precisam de certos itens de conforto e conveniência que eram de série para as versões de entrada até então, as Advantech”. A redução no preço, entretanto, pode chegar de 3% a 8%.

Outra ação nesse front é a volta da opção Titan para o Constellation 19.330, que a montadora considera como “configuração sob medida para quem quer um caminhão de baixo custo sem abrir mão de desempenho, tecnologia, qualidade e robustez”.

 

25º Congresso Fenabrave abre as portas em São Paulo

Abriu as portas na terça-feira, 15, a 25ª edição do Congresso Fenabrave, dessa vez realizado novamente em São Paulo, no Expo Center Norte. Apesar do cenário negativo do mercado automotivo brasileiro, executivos e autoridades presentes à cerimônia de abertura evitaram centralizar o tema crise em seus discursos – apesar do assunto ter sido insistentemente provocado pelo mestre de cerimônia, um jornalista não-especializado do canal de televisão de maior audiência no País.

Em resposta Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave, destacou a necessidade dos ajustes do governo para que a economia retorne ao seu trilho. “É um remédio amargo, porém necessário. Só temos que tomar cuidado para que o remédio não mate o doente: uma carga adicional de impostos seria letal”, afirmou, sem citar nominalmente a CPMF, cujo possível retorno o governo negocia com o congresso.

O dirigente listou diversas medidas que a Fenabrave tomou este ano, muitas em conjunto com outras associações de classe do setor automotivo, para provocar o consumidor a comparecer às lojas. Festival do Consorciado Contemplado, Feirão Auto Caixa, lei da retomada e a mais recente conquista, a desburocratização na transferência de veículos usados foram citados por Assumpção Jr. durante sua apresentação.

Presente ao palco, o deputado federal Herculano Passos anunciou a criação de Frente Parlamentar Mista para defender os interesses do setor de distribuição na Câmara dos Deputados e no Senado Federal em Brasília, DF. Ele será o presidente do grupo, que será oficialmente anunciado no próximo dia 30.

O presidente da Fenabrave comentou a iniciativa, lembrando que “o setor de distribuição possui 8,1 mil empresas e gera 420 mil empregos. Tem enorme importância econômica e social para o País e precisamos fortalecer sua presença contando com porta-vozes onde não havia acesso. A ideia é defender os nossos interesses, sem prejudicar ninguém”.

Também presente à cerimônia Luiz Moan, presidente da Anfavea, voltou a destacar o potencial do mercado brasileiro devido à sua baixa relação de carros por habitantes. O executivo reforçou que as entidades de classe do setor automotivo seguem atuando em conjunto, e “essa união de todas as associações nos ajudará a melhorar no curto e no longo prazo”.

Na quarta-feira, 16, a programação de palestras segue no 25º Congresso Fenabrave, paralelamente à ExpoFenabrave, feira de negócios que reúne cerca de setenta expositores. À tarde haverá solenidade em comemoração aos 50 anos da Fenabrave. A organização espera receber 5 mil pessoas nos dois dias do evento, o maior do setor de distribuição na América Latina.

MERCADO – Retomada nas vendas somente no segundo trimestre do ano que vem, de acordo com o presidente da Fenabrave. O empresário projetou queda de 20% no mercado este ano, somados todos os segmentos, e descartou qualquer auxílio do governo para este ano. A proposta de renovação de frota, por exemplo, segue parada e não há possibilidade de ser retomada neste 2015, assegurou.

Segundo o empresário as vendas de automóveis, comerciais leves, caminhões e chassis de ônibus, somadas, seguem no ritmo de 10 mil unidades por dia. Como em setembro serão 21 dias úteis o mercado deverá fechar na faixa das 210 mil unidades, volume semelhante às 207 mil unidades de agosto, mas bem inferior às 296,3 mil unidades comercializadas em setembro do ano passado.