Com as obras da fábrica de Guaíba, RS, atrasadas devido à demora na liberação do financiamento do BNDES, segundo alega a Foton Aumark, a empresa abriu negociações em busca de solução para não retardar também o início de produção de seus caminhões nacionais.
Dentro de 45 dias deverá ser anunciada parceria com outra fabricante já instalada no País para que os modelos da marca sejam montados provisoriamente em suas instalações, a partir de fevereiro do ano que vem.
Não fosse esse acordo, em conversas bem adiantadas com dois possíveis parceiros, a produção atrasaria pelo menos sete meses, de acordo com Bernardo Hamacek, CEO da Foton Aumark do Brasil. “Acreditamos que o financiamento do BNDES seja liberado em outubro, ou sete meses depois do que planejávamos. A partir daí começaríamos as instalações de maquinário, mas só conseguiríamos inaugurar a fábrica em novembro de 2016.”
Como a apreciação cambial praticamente tornou inviável a importação de mais modelos da China, apesar de ainda estar disponível parte da cota do Inovar-Auto sem cobrança dos trinta pontos adicionais de IPI, a solução foi antecipar a produção dos modelos em um parceiro.
Segundo Hamacek a operação não seria complicada, uma vez que a Foton possui produção pouco verticalizada. “Recebemos quase todas as peças e componentes desmontados e usamos a linha para efetivamente montar o caminhão.”
O CEO afirmou que as negociações envolvem atualmente duas empresas, sem citar nomes – admitiu que uma delas, porém, é gaúcha. Este parceiro seria ideal, uma vez que os benefícios fiscais concedidos pelo Rio Grande do Sul seriam mantidos: “Mas vamos fechar com aquele que se demonstrar preparado para começar mais rápido”.
Os projetos dos caminhões não sofreram atrasos. Hamacek disse que o modelo de 10 toneladas será o primeiro a entrar na linha – se tudo der certo com o acordo com o parceiro, em fevereiro de 2016 –, com 70% dos componentes nacionalizados. Muitos fornecedores já estão definidos: motores serão Cummins, eixos Dana, transmissão ZF, freios Knorr-Bremse, rodas Maxion, embreagem Sachs , pneus Pirelli, tanques de combustível Bepo, baterias Heliar, dentre outros. A cabine será importada da China.
Em maio será a vez do modelo de 3,5 toneladas, atualmente o mais vendido da Foton Aumark no Brasil. O CEO afirmou que no mês passado o caminhão alcançou 5% de participação de mercado no segmento, o que para ele comprova que a marca está sendo reconhecida no mercado. Devido o seu sucesso, o modelo poderá ter até a produção antecipada.
Neste ano a companhia deverá vender 1,1 mil caminhões ante seiscentos no ano passado. Para 2016 a expectativa é crescer de 20%, acima do que Hamacek espera para o mercado brasileiro – uma recuperação de 10% a 15% com relação aos índices deste ano, 40% inferiores ao do ano passado.
A rede conta com 26 pontos de venda, aos quais quatro deverão se juntar até o fim do ano. Essas trinta revendas cobririam de 85% a 90% do mercado da Foton Aumark, segundo cálculos do executivo, e têm capacidade suficiente para receber a produção local.
EXPORTAÇÕES – Projetada para 2,5 mil caminhões no primeiro ano a produção deverá ganhar incremento, apesar do mercado nacional não apresentar bom desempenho neste ano e ausência de grandes expectativas para o ano que vem. Isso porque a fábrica nacional poderá abastecer também outros mercados da Foton na América Latina.
Segundo Hamacek as negociações para tornar o Brasil base de exportação começaram há cerca de um mês e meio, devido à atual conjuntura do cenário econômico. Ao mesmo tempo em que o real se desvalorizou ante o dólar, este movimento não ocorreu com a moeda chinesa. “Esses fatores tornaram o Brasil mais competitivo e tiraram algumas vantagens da China.”
A Foton possui operações no Chile, Colômbia, Peru e Uruguai, principais candidatos a receber os caminhões brasileiros. Em média são vendidos por ano 5 mil caminhões da marca, que poderão crescer a produção da fábrica – primeiramente no parceiro e, depois, na casa próprioa, que seguirá em construção mesmo com o acerto do acordo de produção em fábrica, de, possivelmente, até mesmo um concorrente.
A curva descendente do mercado brasileiro de veículos leves apresentará inflexão já no ano que vem. De acordo com projeções de Won-Hong Cho, diretor vice-presidente global da Hyundai Motor, as vendas no País cairão para 2,5 milhões neste ano e chegarão a 2,7 milhões de veículos em 2016.
Houve uma época em nosso País que o profissional mais importante na área financeira de uma empresa era aquele que reunia conhecimentos para lidar com o ambiente de alta inflação, tirando proveito das vantajosas taxas de juros nas operações Overnight: o tesoureiro. Muitos, eu tenho certeza, se lembram dessa situação.
O novo número ainda não está definido, mas é certo que a Anfavea estuda e muito provavelmente deverá fazer nova revisão nas projeções de vendas e produção de veículos para este ano. E mais a vez, a revisão será para baixo.
Barry Engle, apresentado oficialmente como o sucessor de Ardila à frente da América do Sul, não deixou de surpreender ao garantir, em excelente portunhol: “Adoro uma boa crise.” Ele explicou: “Já vivi diversas, em muitos mercados. Nestes períodos nunca trabalhei tanto, mas também nunca cresci tanto e nem me senti tão satisfeito profissionalmente. A crise vai passar e vamos sair dela mais fortes e competitivos. A GM acredita na América do Sul e em seus mercados”.