São Paulo – A General Motors informou aos seus investidores que, passado o primeiro trimestre marcado por desempenho positivo e pela expectativa de reembolso de impostos de US$ 500 milhões, após a exclusão de ajuste tarifário decorrente de decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos em fevereiro, optou por elevar sua expectativa de EBIT, ou seja, do lucro operacional, antes de juros e impostos.
Presidente do conselho e CEO da General Motors, Mary Barra escreveu, em comunicado, que o EBIT de US$ 4,3 bilhões superou as expectativas e que, para refletir este impacto, a projeção de EBIT ajustado para o ano todo foi definido em US$ 500 milhões, para uma faixa de US$ 13,5 bilhões a US$ 15,5 bilhões.
A empresa prevê, agora, um gasto total com tarifas em 2026 de US$ 2,5 bilhões a US$ 3,5 bilhões, abaixo da estimativa anterior de US$ 3 bilhões a US$ 4 bilhões.
Embora as margens de lucro tenham aumentado suas perspectivas é preciso ressaltar que o aumento dos custos de materiais e logística relacionados à guerra no Irã segurou o tamanho dessa alta. A empresa aumentou sua previsão de custos de inflação de commodities e frete para US$ 1,5 bilhão a US$ 2 bilhões este ano, o que, na prática, anula os reembolsos de tarifas.
As tarifas sobre veículos, peças, aço e alumínio, que representam a maior parte do que a GM e outras montadoras pagam, permanecem em vigor, mas as empresas têm direito a reembolsos por quaisquer taxas alfandegárias pagas ilegalmente. O governo dos Estados Unidos começou a aceitar pedidos de reembolso em 20 de abril.
Em teleconferência com os investidores, conforme relatou o site Automotive News, Barra afirmou que a GM está “trabalhando para compensar essas pressões de custos reduzindo gastos em outras áreas e buscando continuamente eficiências em toda a empresa. Acreditamos ser prudente esperar para ver como os eventos se desenrolam antes de fazermos quaisquer alterações adicionais em nossas projeções”.
A GM informou que o lucro líquido caiu 5,7%, para US$ 2 bilhões 630 milhões. O lucro ajustado antes de juros e impostos da empresa saltou 22%, para US$ 4 bilhões 250 milhões, com o lucro na América do Norte subindo 11%, para US$ 3 bilhões 670 milhões.
Resultados nos Estados Unidos e Canadá puxam receitas
Barra exaltou, no comunicado aos investidores, que houve forte impulso nas operações principais: “Mantivemos a liderança geral em vendas nos Estados Unidos e no Canadá. Lideramos o setor no mercado estadunidense em vendas e participação de mercado de picapes grandes, com 42% do mercado, e fomos o número 1 em frotas, incluindo entregas comerciais. Além disso fomos o número 2 em veículos elétricos, com participação de mercado crescente, e o número 1 no Canadá”.
A receita global foi de US$ 43,6 bilhões, 0,9% a menos do que no ano anterior, quando a empresa se beneficiou de um aumento nas vendas de veículos novos por parte dos consumidores que buscavam se antecipar às tarifas automotivas do presidente Donald Trump, que entraram em vigor em abril de 2025.
A empresa reduziu sua previsão de lucro líquido para uma faixa de US$ 9,9 bilhões a US$ 11,4 bilhões, em comparação com a estimativa anterior de US$ 10,3 bilhões a US$ 11,7 bilhões.
Barra assinalou que, olhando para o futuro, a companhia segue focada em alcançar margens de 8% a 10% na América do Norte em 2026. E que a receita proveniente de assinaturas do OnStar e do seu sistema de assistência ao motorista Super Cruise, que permite o uso das mãos livres, está contribuindo para o crescimento da receita com alta margem de lucro na região, onde está avançando na tecnologia de direção autônoma.
“Estamos operando em um ambiente bastante dinâmico, o que não é incomum para este setor. Por isto temos nos concentrado, ao longo de vários anos, em garantir que tenhamos os produtos certos, a equipe certa e um balanço patrimonial sólido, sustentado por fluxos de caixa saudáveis, para atingir nossos objetivos de longo prazo e executar consistentemente nossa estratégia de alocação de capital.”
GM resolve cancelamento de contratos de fornecedores para EVs
A GM tem de lidar com outro percalço, ao mesmo tempo, por causa da desaceleração da demanda por veículos elétricos. Por causa disto, segundo a Automotive News, a companhia pagou cerca de US$ 2,2 bilhões em dinheiro durante o primeiro trimestre como parte de seu esforço para ajustar sua estrutura de produção: “A maior parte desses pagamentos estava relacionada a cancelamentos de contratos e reivindicações comerciais de fornecedores”.
Os fornecedores estão pedindo bilhões de dólares em indenizações às montadoras após investirem em suas instalações de produção para fornecer peças para volumes de veículos elétricos que nunca se concretizaram: “A GM afirmou que cerca de 90% dos custos com reivindicações comerciais de seus fornecedores foram resolvidos até o primeiro trimestre e espera chegar a acordos com a maioria dos fabricantes de peças restantes no segundo trimestre”.