Mercado interno retorna ao nível de 2009

Os 674,4 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus vendidos no mercado brasileiro no primeiro trimestre, volume 17% inferior ao mesmo período do ano passado, levam a indústria de volta aos níveis de 2009. Naquele ano os brasileiros consumiram 668,3 mil unidades, empurrados pela primeira redução de IPI – uma resposta do governo à crise internacional que começava a afetar o mercado automotivo local.

Embora esperasse um primeiro trimestre muito difícil, um recuo tão acentuado no desempenho do mercado não estava nas contas da Anfavea – tanto que as projeções foram ajustadas com o encerramento do trimestre. Sempre otimista, dessa vez o presidente Luiz Moan admitiu durante a coletiva à imprensa para apresentação dos resultados na terça-feira, 7, que o mercado passa por um momento muito complicado.

“Esperávamos um primeiro trimestre muito difícil e um segundo trimestre difícil, prejudicado pela alta quantidade de feriados. Mas a crise de confiança afetou o consumidor e há queda forte em todos os segmentos, em especial no de caminhões.”

Em março o mercado brasileiro registrou 234,6 mil unidades, volume 2,6% inferior ao de março do ano passado e 26,2% superior ao de fevereiro – ambos afetados pelo feriado de carnaval.

Na média diária houve recuo de 16,5% com relação a março do ano passado, de 12,7 mil unidades para 10,6 mil unidades, e de 2,8% com relação a fevereiro, de 10,9 mil unidades.

Os estoques cresceram dos 329 mil veículos nos pátios das concessionárias e montadoras no fim de fevereiro para 360,3 mil unidades no encerramento do mês passado, o suficiente para 42 dias de vendas no ritmo de março.

Nos últimos doze meses o mercado brasileiro acumulou 10,4% de retração. Somados os desempenhos de abril de 2014 até o mês passado, são 3 milhões 360 mil unidades vendidas – ou cerca de 400 mil unidades a menos do que os doze meses imediatamente anteriores.

Nissan produzirá na Argentina

A Nissan anunciará na terça-feira, 7, investimento para produção de nova geração de picape média nas instalações da Renault em Santa Isabel, Córdoba, na Argentina. As informações são de fonte próxima às negociações, ouvida pela Agência AutoData no País vizinho.

O valor do aporte é estimado em US$ 600 milhões e o início da operação das novas linhas estaria previsto para 2017.

Segundo a fonte a produção do novo veículo guarda vínculo direto com o projeto de uma inédita picape média da Mercedes-Benz. É certo que o projeto será desenvolvido em conjunto pela aliança Renault-Nissan e Daimler, mas ainda não está definido se a versão M-B seria produzida também na fábrica da Renault na Argentina – a própria Daimler também possui unidade produtiva naquele país, onde é fabricada a Sprinter.

A montadora de origem alemã, de qualquer forma, já revelou oficialmente intenção de comercializar esta inédita picape na América do Sul.

Também é certo que a iniciativa marcará o início da produção Nissan na Argentina, uma vez que até o momento a montadora de origem japonesa atua naquele mercado apenas com produtos importados, a maioria do México e do Brasil.

Ainda segundo a fonte ouvida pela Agência AutoData o projeto de produção Nissan na Argentina prevê a possibilidade de construção de uma unidade própria após o início de atividades na fábrica da Renault, mas esta hipótese ainda estaria em estudos.

NO BRASIL – O investimento para produção de uma picape média na Argentina – que possivelmente será uma futura geração da Frontier, no que diz respeito à Nissan – pode causar impactos no Brasil. A atual geração da Frontier é produzida no Complexo Ayrton Senna, da Renault, em São José dos Pinhais, PR, na mesma área que responde pela fabricação do utilitário Master e da minivan Livina, também produto Nissan. A fábrica é separada da área que produz os Renault Logan, Sandero e Duster, ainda que ocupe o mesmo complexo produtivo.

A Nissan Frontier brasileira é atualmente exportada à Argentina, país que tem forte tradição na produção de picapes médias. Lá são produzidas Ford Ranger, Toyota Hilux e VW Amarok. Chevrolet S10 e Mitusbishi L200 Triton, além da própria Frontier, são fabricadas no Brasil.

A Renault brasileira não quis se manifestar oficialmente sobre o assunto. Fonte próxima, entretanto, alegou que ainda é cedo para qualquer avaliação sobre o tema, citando falta de informações sobre a iniciativa na Argentina, que será plenamente conhecida apenas na terça-feira, 7.

Em 11 de março a Renault anunciou investimento de US$ 100 milhões na mesma unidade de Santa Isabel, onde serão produzidos Logan e Sandero, incluindo a versão Stepway, atualmente importados do Brasil. Caso os US$ 600 milhões da Nissan sejam confirmados, portanto, o aporte ali chegaria a US$ 700 milhões.

A unidade completa 60 anos neste 2015 e conta com capacidade anual de 80 mil veículos. Lá são produzidos atualmente os modelos Clio, Fluence e Kangoo.

Sindipeças prevê queda de faturamento em 2015 e recuperação em 2016

O faturamento do setor de autopeças retornará ao nível de 2007, caso as projeções divulgadas pelo Sindipeças na segunda-feira, 6, se confirmem. Segundo estimativas do departamento econômico da entidade a indústria terá R$ 67,9 bilhões em receita, 11,5% abaixo do valor apurado no ano passado. Há oito anos o setor faturou R$ 68,2 bilhões, de acordo com os dados da associação.

“Será o pior ano da década”, destacou Paulo Butori, presidente do Sindipeças, baseado em outro índice: a receita em dólares. Nesse caso a indústria terá uma queda de 33,2% na receita, para US$ 21,8 bilhões. “Desde 2005 não temos um desempenho tão ruim no faturamento em dólares. A valorização da moeda ajudará a derrubar esse valor”.

Mas Butori não vê apenas aspectos negativos com a valorização do dólar. Ele destacou que as exportações começaram dar sinais de retomada, o que ajudará a reduzir o impacto da queda no fornecimento para as montadoras.

No ano passado as compras de montadoras representaram 67,5% das receitas e a fatia deverá cair para 64% este ano, de acordo com a projeção da associação. Espera-se um salto de 17% para 19,2% na participação do segmento de reposição e de 9,5% para 11,8% nas exportações, que deverão crescer 2,5% com relação ao ano passado, para US$ 8,6 bilhões.

“Reposição e exportações compensarão em partes a queda nas vendas para as montadoras. Acreditamos que em vez de comprar um carro novo, o brasileiro vá ampliar a manutenção do seu usado, o que ajuda a reposição. Já o real desvalorizado deixa nossos produtos mais competitivos no Exterior, ampliando oportunidades em outros mercados como Estados Unidos, México, Canadá e Europa.“

Com isso o déficit na balança comercial brasileira será aliviado: o Sindipeças estima US$ 7,2 bilhões negativos, 7,2% abaixo dos US$ 9 bilhões de déficit do ano passado. “Desde 2007 a indústria de autopeças só apresenta déficit na balança”.

O Sindipeças espera também redução na importação de peças: 9%, para US$ 15,8 bilhões. Em 2013 as importações chegaram próximas dos US$ 20 bilhões, mas a introdução do Inovar-Auto, a valorização cambial e a própria redução do mercado ajudaram a reduzir o volume de peças compradas no Exterior, segundo o dirigente.

Todos esses índices que mostram redução da indústria afetarão também os postos de trabalho. A indústria que em 2011 chegou a empregar quase 230 mil pessoas deverá fechar o ano com 177,2 mil trabalhadores, 9% a menos – ou 17 mil postos de trabalho fechados.

“Desde novembro a indústria começou a ajustar o nível de emprego ao de produção. Não há outra solução a não ser continuar com esses ajustes.”

Para 2016 o Sindipeças prevê recuperação nos números de faturamento, próximo de 4%, “devido principalmente aos efeitos do Inovar-Auto, que estimula a produção local de autopeças, e também ao câmbio, atualmente desfavorável à importação”.

Confira as projeções completas do Sindipeças clicando aqui.

COALIZÃO – Butori foi o representante do Sindipeças na apresentação de um manifesto para a sociedade brasileira, redigido em conjunto com associações de classe de outros setores da indústria de transformação e centrais sindicais na segunda-feira, 6, em São Paulo. Em nome da associação o dirigente disse não ser contrário aos ajustes promovidos pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy. Com ressalvas:

“Precisaria haver uma isonomia com os setores. Do jeito que foi feito, apenas a indústria será, novamente, a grande prejudicada. No setor financeiro, no comércio, os efeitos do ajuste serão menores”.

O discurso foi amplificado por seus colegas que compareceram ao Auditório Celso Furtado, no Parque de Exposições do Anhembi, para apresentar a denominada Coalizão Indústria-Trabalho para Competitividade e Desenvolvimento. Trata-se, nessa primeira etapa, de um manifesto assinado por Abifa, Abifer, Abimaq, Abiplast, Abiquim, Abramat, Instituto Aço Brasil, Simefre, dentre outras associações de classe, e centrais sindicais como Força Sindical e CGTB.

O manifesto pede, dentre outras coisas, o resgate da indústria de transformação, redução da taxa de juros, fim da intervenção na política cambial e simplificação dos impostos.

“Nos últimos dez anos a indústria de transformação foi destruída. Precisamos mudar para resgatá-la. Não somos um movimento partidário ou de oposição, queremos apenas melhorar o Brasil”, disse Carlos Pastoriza, presidente da Abimaq, que representa o setor de máquinas e equipamentos. “Apresentamos aqui um retrato da situação. Não temos uma fórmula: quem tem que resolver isso é o governo.”

Para Jorge Gerdau Johanpetter, presidente do Instituto Aço Brasil, “é um momento histórico. Estou convicto de que vamos ganhar essa disputa”.

Durante a apresentação integrantes das centrais sindicais presentes ao evento bradaram gritos contra o governo. Os executivos foram mais comedidos e limitaram-se a criticar a política econômica e a falta de atenção com a indústria de transformação.

“Precisamos copiar modelos vencedores, como a Alemanha e os países asiáticos”, considerou Butori. “O desenvolvimento destes mercados ocorreu com investimentos na indústria. Um país que abandona a indústria tem queda na qualidade de vida, no nível de emprego etc., como está ocorrendo com o Brasil.”

Automec espera apenas repetir números de 2013

A décima segunda edição da Automec, Feira Internacional de Autopeças, Equipamentos e Serviços, tem objetivos pouco ambiciosos neste ano: repetir os números vistos na última edição, realizada em 2013. Segundo a organização do evento 70 mil pessoas devem visitar os 1,2 mil expositores da feira, vindos de trinta países – são exatamente os mesmos dados observados há dois anos.

A maior feira de reposição automotiva da América Latina acontece em um momento que o segmento é responsável por números expressivos e em crescimento. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação, IBPT, o setor de reposição de peças automotivas apresentou alta de 1,4% ao faturar R$ 105,8 bilhões em 2014. Atualmente cerca de 315 mil empresas atuam nesse mercado no País.

A Automec abrirá suas portas na terça-feira, 7, e receberá visitantes até sábado, 11, no Pavilhão de Exposições do Parque Anhembi, em São Paulo. Os expositores estarão distribuídos em quatro setores e perfis: peças e sistemas, reparação e manutenção, acessórios e TI e gestão.

Em nota João Paulo Picolo, diretor da Automec, afirmou que neste ano a feira contará com um aplicativo para smartphones, que funcionará como um manual para facilitar o deslocamento dos visitantes. “Por meio dele será possível conhecer os expositores do evento, os produtos que estão sendo mostrados, as principais atrações e a programação completa das atividades.”

Dentre os expositores da feira que apresentarão novidades está a NGK, que escolheu o evento para o lançamento de velas aquecedoras para motores diesel e bobinas de ignição, que chegam ao mercado no segundo semestre deste ano. “A Automec tem importância estratégica e é uma grande oportunidade para apresentarmos novidades tecnológicas ao mercado”, afirma Edson Miyazaki, diretor comercial.

A ZF Services, unidade de negócios do Grupo ZF dedicada ao mercado de reposição, terá um estande de 370 metros² na feira e demonstrará suas tecnologias em embreagens, amortecedores, componentes de direção, suspensão, transmissão e eixos. E lança linha de amortecedores leves Sachs para modelos importados que fornece como OEM, a exemplo de Volkswagen Jetta e Nissan Tiida.

A Tecfil terá um estande de 250m² e apresentará troca de óleo com um conceito renovado e sustentável. A área simulará a atividade mostrando ainda atrativos para fidelização e comodidade de clientes, como sala de espera e wi-fi, além de cuidados com o meio ambiente.

A Sabó também aposta na interatividade: seu espaço terá tablets para os visitantes conhecerem e curtirem a fanpage da empresa, painel personalizado para tirar foto e postar nas redes sociais e uma exposição real em vista de corte do funcionamento da transmissão automática de seis velocidades, utilizada em veículos híbridos, demonstrando a aplicação das juntas Sabó produzidas em alumínio com borracha vulcanizada.

Já a Riosulense levará um motor que, quando em funcionamento, permitirá ao visitante verificar seu mix de produtos. A empresa escolheu a feira como para o lançamento da campanha ‘Rumo aos 70 anos!’, que prevê ações que antecipam a comemoração deste aniversário.

A Delphi usará a feira para divulgar portfólio de cinco mil itens. Os visitantes poderão assistir palestras rápidas e interativas com informações sobre os produtos da empresa.

A Tenneco participará da Automec pela décima vez e lançará linha de conversores catalíticos Walker. Os componentes possuem 240 aplicações e são destinados inicialmente a veículos leves com motorização a gasolina, etanol e flex.

A MS Motorservice Brazil, divisão de aftermarket do Grupo KSPG, destacará novidades nas linhas de produtos das marcas Kolbenschmidt/KS, Pierburg e BF, que abrangem itens como pistões, anéis de segmento, camisas de cilindro, bronzinas, válvulas e bombas de água.

A BorgWarner também entra na lista das empresas com novidades e apresentará linha de turbos Durobilt e válvulas termostáticas no evento.

A Kostal Brasil, exibirá kits de acessórios para o novo Ford Ka e Volkswagen Up!, além de novidades em sua linha de alarmes.

A NTN-SNR participa da mostra pela primeira vez e mostra sua linha de produtos, como rolamentos de roda de terceira geração que equipam Ford EcoSport e Toyota Etios.

E a Bosch levará à feira o conceito de Oficina Modelo da rede Bosch Service, bem como lançamentos em equipamentos de diagnose e reparação.

Dentre os expositores internacionais destacam-se nove empresas italianas, em participação coletiva organizada pelo ITA, agência para a internacionalização das empresas italianas. O país é o segundo maior fornecedor europeu do Brasil, segundo a agência.

Além das novidades de fabricantes a Automec abrigará o Fórum Nacional de Reciclagem Automotiva na quinta-feira, 9. Realizado pelo Sincopeças, o evento discutirá e apresentará soluções sobre a reciclagem automotiva.

Também estarão no evento o IQA, Instituto da Qualidade Automotiva, organismo de certificação acreditado pelo Inmetro, e representantes da área de Certificação da Fundação Vanzolini. As duas organizações apresentarão soluções para certificação de componentes automotivos.

Chery em greve, dois meses depois do início de produção

Os funcionários da Chery em Jacareí, SP, decidiram entrar em greve por tempo indeterminado em assembleia realizada na segunda-feira, 6.

A paralisação acontece pouco menos de dois meses depois da Chery iniciar a produção em série na nova fábrica – ocorrida em 11 de fevereiro – e pouco mais de sete meses após a inauguração oficial da planta, em 28 de agosto de 2014.

Em entrevista à Agência AutoData o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá, afirmou que a greve é resultado da negativa da empresa em negociar. “A Chery se recusa a reconhecer os direitos da categoria e a própria legislação do País. Por isso os trabalhadores ficarão parados por tempo indeterminado.”

Em nota a montadora afirmou que “desde a última reunião com sindicato em 25 de março, a Chery estuda a apresentação de uma nova proposta, mas tem dificuldades para atender às exigências do sindicato, que pede salários e benefícios similares aos de outras montadoras da região – a fabricante propôs reajustes salariais que variam de 10 a 12,6%, maiores do que média praticada pelo mercado, que gira em torno de 8%. Isto porque a montadora chinesa é uma empresa recém-chegada ao País, que começou a produzir para o mercado em fevereiro deste ano, com apenas um turno em funcionamento e cerca de 500 empregados, incluindo os administrativos”.

No comunicado a companhia afirma ainda que “para seguir com seu plano de expansão, mesmo diante de um cenário delicado do mercado automobilístico, a Chery tem mantido uma postura cautelosa e responsável para poder continuar a gerar empregos na região do Vale do Paraíba, em um momento em que a maioria das empresas tem congelado ou reduzido equipes. Isso sem desrespeitar a legislação ou pôr em risco a saúde e a segurança dos funcionários”.

Na avaliação da Chery, também na nota, “atender às exigências do sindicato na íntegra, neste momento, seria colocar em risco a saúde financeira e o futuro da montadora no País, que veio para ficar. A empresa está disposta a entrar em acordo com o sindicato, desde que isso signifique a estabilidade da Chery e de todos os seus funcionários”.

Ainda de acordo com o porta-voz da montadora os departamentos jurídico e de recursos humanos estão reunidos para formular novos tópicos de negociação e devem apresentar propostas nas próximas 24 horas.

Segundo o dirigente sindical haverá assembleias diárias para informar o andamento das negociações aos metalúrgicos. “Eles só retornarão ao trabalho depois que a empresa assinar a convenção coletiva da categoria.”

Macapá afirmou que a empresa pratica “salários inferiores aos das demais montadoras, terceirização ilegal, falta de equipamentos adequados para execução de tarefas, desrespeitos às normas de saúde e segurança no local de trabalho e má qualidade da alimentação”.

Segundo o sindicato a Chery pratica piso salarial de R$ 1,2 mil para o cargo de montador, enquanto um trabalhador com a mesma função na General Motors instalada na vizinha São José dos Campos tem salário inicial de R$ 3,5 mil.

A unidade de Jacareí fabrica o modelo Celer nas versões hatch e sedã. Por dia são fabricados de vinte a trinta unidades, segundo Macapá.

Implementos rodoviários: vendas caem 37% no trimestre.

O mercado de implementos rodoviários encerrou o primeiro trimestre em retração de 37% quando comparado com os primeiros três meses do ano passado. Dados divulgados na segunda-feira, 6, pela Anfir, associação que representa as empresas do setor, apontam que foram emplacados 23 mil unidades das linhas leve e pesada no período, ante 36,5 mil unidades em 2014.

A queda foi mais acentuada no segmento de reboques e semirreboques: 50,2% de retração, ou 6 mil 950 unidades – há um ano a linha pesada registrou 13 mil 950 licenciamentos. Já a linha leve registrou recuo de 28,9%, com 16,1 mil carrocerias sobre chassis comercializadas ante 22,6 mil unidades de janeiro a março do ano passado.

Em comunicado o presidente da Anfir, Alcides Braga, reiterou o pedido feito em reunião com o governo na sede do MDIC, no fim de março: “A indústria de implementos rodoviários precisa de medidas de suporte à retomada dos negócios”.

Segundo o dirigente o ministro Armando Monteiro garantiu que estudará o programa de renovação de frota, que, dentre outros itens, prevê a substituição de implementos rodoviários antigos por modelos mais novos e seguros. O aumento da participação do BNDES nos financiamentos dos produtos, outro pleito da Anfir, também será avaliado pelo ministério.

O diretor executivo da Anfir, Mário Rinaldi, afirmou no comunicado acreditar que o governo federal concederá incentivos para a retomada da atividade produtiva em geral:

“A economia brasileira precisa de medidas que reaqueçam a sua atividade. Qualquer movimento positivo nesse sentido trará reflexos positivos à indústria de implementos rodoviários”.

Strada: líder, com 62% do total por venda direta.

As vendas diretas embalaram o desempenho da Fiat Strada, líder do ranking de licenciamentos de automóveis e comerciais leves em março. Segundo dados da Fenabrave, das 9,9 mil unidades da picape emplacadas no mês passado 6,2 mil foram comercializadas por meio desta modalidade, ou 62% do total.

O volume de vendas diretas da Strada foi elevado. O segundo modelo com mais licenciamentos por meio deste tipo de comercialização no mês passado foi outra picape, a Volkswagen Saveiro, com 3,7 mil unidades – ou 58% de seu volume do mês.

O utilitário da Fiat liderou pela segunda vez na história o ranking nacional de automóveis e comerciais leves. A primeira foi há exatamente um ano, em março do ano passado, desempenho inédito para um modelo deste segmento no mercado.

No geral a Strada teve quatrocentas unidades vendidas a mais do que o vice-líder Chevrolet Onix. O hatch liderou o ranking do varejo, com pouca diferença sobre o Hyundai HB20, segundo mais vendido nesta análise – apenas dez licenciamentos atrás do modelo da General Motors.

Na classificação geral o compacto nacional da Hyundai ficou em quarto, com 9,1 mil licenciamentos, atrás também do Fiat Palio, terceiro com 9,2 mil unidades vendidas.

O Palio lidera o ranking acumulado do ano com 32,9 mil licenciamentos, seguido pelo Onix, com 29,9 mil emplacamentos, e pela Strada, com 29,8 mil unidades comercializadas.

Estreante no mercado, o Honda HR-V ficou na 33ª posição do ranking de março, com 2,4 mil licenciamentos.

Mercedes-Benz: novo recorde em automóveis em 2015.

O horizonte enxergado por Dimitris Psillakis, diretor geral de automóveis da Mercedes-Benz, não é nem um pouco parecido com o de seus colegas de setor. Enquanto executivos se desdobram para fechar as contas, ajustar excesso de estoque e minimizar o impacto da queda nas vendas de veículos no mercado local, o grego que desde 2009 mora no Brasil briga para conseguir mais modelos para as concessionárias da marca.

Segundo Psillakis o crescimento de 20% das vendas de automóveis Mercedes-Benz no primeiro trimestre foi prejudicado por falta de produtos. “Poderíamos ter crescido mais”, lamentou o executivo em entrevista exclusiva para a Agência AutoData durante a apresentação de três versões do GLA à imprensa.

O utilitário esportivo, um dos modelos a serem produzidos na futura fábrica de Iracemápolis, SP, será responsável por cerca de 30% das vendas locais de automóveis da companhia neste ano. Vendas que, segundo projeções de Psillakis, serão recordes, mais uma vez. Confira.

Como a alta do dólar afetou as importações de veículos Mercedes-Benz?

O dólar nos afeta como afeta a todos no dia-a-dia. A Mercedes-Benz tem um negócio bem ajustado no País, além de importar automóveis também exportamos caminhões, o que ajuda a balancear e minimizar os efeitos. Existem também dois fatores, o dólar e o euro, então podemos usar as fábricas da Alemanha e dos Estados Unidos, se for necessário. A alta do dólar traz um impacto forte nos nossos negócios, sim, mas não chega a ser direto.

Como foi o primeiro trimestre para o segmento de veículos premium? E para a Mercedes-Benz?

Para a Mercedes-Benz o primeiro trimestre foi bem bacana, crescemos mais de 20% nesses primeiros três meses, comparado com o mesmo período de 2014. E eu diria que poderíamos ter crescido até mais, porque a fábrica não nos entregou o volume encomendado. O nosso desempenho deu uma força ao segmento premium, que cresceu 10% no trimestre, o que é bastante motivador, uma vez que o mercado total teve queda de 17%. É o resultado dos investimentos que as marcas vêm fazendo do País, abrindo novas concessionárias, apresentando novos produtos e dando mais opções aos clientes, como os programas de financiamento.

Qual a expectativa para as vendas do segmento e para a Mercedes-Benz em 2015?

O segmento premium vai crescer. Talvez não no nível que esperávamos em 2014, 2013, quando fizemos os nossos planos, mas continuará crescendo. A Mercedes-Benz crescerá acima do mercado e ganhará participação, porque terá um ano cheio de novidades, de viabilidade de produção. Teremos desempenho superior ao do segmento e um novo recorde de vendas. E vamos continuar investindo, porque nosso plano de longo prazo é estabelecer um diferente patamar no País.

Vocês têm uma meta de participação de mercado no segmento?

Nós temos hoje em torno de 30% de market share dentre as três principais marcas do segmento premium [Audi, BMW e M-B]. Já ganhamos participação na comparação com o ano passado e a tendência é ganharmos mais no decorrer do ano. Não costumo falar qual é a nossa meta, mas queremos crescer proporcionalmente mais do que as outras marcas.

Em que estágio estão as obras da fábrica em Iracemápolis? O cronograma está sendo cumprido?

Está tudo dentro do cronograma, que é muito apertado e constantemente pressionado por fatores externos, como necessidade de licenças, as condições climáticas, etc. Mas estamos cumprindo o prazo. Em fevereiro fizemos o evento da pedra fundamental e concluímos todas as obras de terraplanagem. Agora estamos na etapa de construção dos prédios e já obtivemos todas as licenças necessárias.

As obras de construção dos prédios tomarão mais quantos meses?

A previsão é que acabe no último trimestre deste ano, quando entraremos na fase de preparação de produção. Os primeiros veículos sairão da nova fábrica no primeiro trimestre do ano que vem.

E quais serão os primeiros modelos?

Classe C será o primeiro. O GLA entrará na linha em torno de seis a sete meses depois e será o nosso segundo passo nessa fábrica.

A Mercedes-Benz ampliará sua rede de concessionárias este ano?

Vamos ampliar, sim. Já no ano passado inauguramos dez concessionárias, vamos inaugurar três em abril e temos planos de abrir outras três até o fim do ano. Vamos crescer e ampliar nossa cobertura, apoiado por esses novos modelos que estão tendo sucesso no mercado local.

Qual será o tamanho da rede quando a fábrica for inaugurada?

Esperamos ter mais do que cinquenta concessionárias, talvez 55, no começo de 2016. Vamos crescer a rede de acordo com o nível de vendas, é um plano que sempre vem sendo ajustado.

AEA anuncia diretoria executiva para mandato até 2016

A AEA, Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, anunciou na quinta-feira, 2, a composição de sua diretoria para o mandato 2015-2016. Até então apenas o presidente, Edson Orikassa, da Toyota, e seu vice, Sidney Oliveira, da Bosch, haviam sido empossados, o que ocorreu em janeiro.

Na nova composição da diretoria executiva da associação foram nomeados Nilton Monteiro como diretor administrativo, Marcus Vinicius Aguiar, da Renault, diretor de Relações Institucionais, Adriano Griecco, da General Motors do Brasil, diretor de Inovar-Auto, Márcio Azuma, da Honda, diretor de Emissões e Consumo de Motos, Paulo Jorge, da Mercedes-Benz, diretor de Emissões e Consumo de Pesados, além de Rodrigo Giglio, da Cummins, diretor de Fora de Estrada.

Completam o quadro da nova direção da AEA Vilson Tolfo, da Fiat, diretor de Segurança, Alfredo Castelli, da Magneti Marelli, diretor de Acreditação de Laboratórios, Rogério Gonçalves, da Petrobras, diretor de Combustível, Simone Hashizume, da JX Nippon, diretor de Lubrificantes, Carlos Barbosa, da Bosch, diretor de Pós-Vendas, Marcos Clemente, da Mahle, diretor de Eventos, Marcelo Massarani, da USP, diretor de Universidade e Koichiro Matsuo, da Textofinal, diretor de Comunicação.

A nova gestão é formada por vinte diretorias, sendo que antes eram 16. Ainda serão indicados os responsáveis pelas áreas de Marketing, de Emissões e Consumo de Leves, Eletroeletrônico, Estilo, Manufatura, Polímeros/Borracha e Pós-Vendas – as quatro últimas são as novidades.

Argentina encerra trimestre em queda de 28% nas vendas

O mercado argentino de varejo encerrou o primeiro trimestre de 2015 em queda de 28,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. De acordo com números da Acara, associação local equivalente à Fenabrave no Brasil, foram licenciados no parceiro de Mercosul 157 mil 407 unidades na soma dos primeiros três meses de 2015 ante 219 mil 227 há um ano.

De acordo com o Tiempo Motor, parceiro editorial da Agência AutoData na Argentina, com o primeiro trimestre fechado a previsão da associação para o total do ano é de 600 mil unidades vendidas.

Em março, isoladamente, foram licenciadas 48 mil 236 unidades, queda de 6,6% ante mesmo mês do ano passado, de 51 mil 674. Apesar de índice de retração bem mais comedido que aqueles registrados em janeiro e fevereiro, a indústria se preocupa com o resultado pois o mercado apresentou dificuldades neste período no ano passado por conta de entrada em vigor do chamado Impuestazo, que elevou os preços de diversos modelos.

A Volkswagen liderou o mercado argentino no primeiro trimestre com 29 mil unidades vendidas, queda de 19,3%. Foi seguida por Ford, 22,3 mil e baixa de 13,7%, e Chevrolet, 20,7 mil, retração de 15,7%. Fecham os cinco primeiros do ranking Fiat, 18,2 mil, e Peugeot, 16 mil, ambas também com resultados negativos de 32,7% e 37,6%, respectivamente.

Por modelos o Volkswagen Gol lidera o primeiro trimestre na Argentina com 7 mil 419 unidades comercializadas, queda de 38,7%. Foi seguido pelo Fiat Palio, 6,7 mil, em crescimento de 7,8%, e Ford EcoSport, 6,3 mil e baixa de 19,3%. Ford Fiesta, 6,1 mil, menos 16%, e Chevrolet Classic, 5,7 mil e alta de 11%, completam o top-5 argentino do primeiro trimestre na escolha do consumidor.