A Randon S.A. encerrou o ano passado com queda de 17,6% na receita bruta, que alcançou R$ 5,5 bilhões. O balanço financeiro da empresa referente a 2014 foi publicado na quinta-feira, 12, e traz números menores do que os apurados um ano antes.
O lucro líquido consolidado chegou a R$ 202 milhões, queda de 14,1% com relação ao resultado de 2013, e com margem líquida de 5,3%, redução de 0,2 ponto porcentual.
Com exceção dos negócios de vagões e de materiais de fricção, houve redução de vendas em volume para todos os segmentos de negócios das Empresas Randon – formadas pela Randon Implementos, Master, Jost, Fras-Le, Suspensys, Castertech e os serviços financeiros.
Foram entregues 14,2 mil reboques e semirreboques, o principal negócio da companhia, volume 34,8% inferior a 2013. A queda no volume fez com que a Randon perdesse participação neste mercado, passando dos 28,8% em 2013 para 26,9% no ano passado. O segmento de veículos e implementos representa mais de 55% do faturamento da companhia.
As vendas de vagões cresceram 321,1% em volume, para 1 mil 356 unidades. No comunicado a Randon destaca que foi o melhor ano da história da companhia no segmento. “A manutenção de volumes estáveis na demanda desse setor abre frente a um novo ciclo de demanda. Isto valida a estratégia da Randon em ampliar a presença neste negócio”.
No primeiro semestre do ano que vem a Randon deverá inaugurar sua fábrica de vagões em Araraquara, SP, cidade próxima dos principais operadores ferroviários do País, o que, segundo a empresa, “abre oportunidades de ampliação da produção nos próximos anos, com ênfase na eficiência logística e nos processos de produção”.
A controlada Fras-Le, fabricante de pastilhas de freio, apresentou incremento de 6,6% na receita líquida e de 5,1% em volume produzido. Segundo a companhia, o cenário positivo de câmbio e o movimento de compras no mercado de reposição contribuíram para esse resultado.
Para 2015 a companhia projeta enormes desafios. “Medidas recessivas, como alta dos juros, elevação da carga tributária e condições de financiamentos menos atrativas são intempéries presentes no ambiente”, afirmou em comunicado. “Contudo o foco destes ajustes são o restabelecimento da confiança e a preparação de um novo ciclo de expansão econômica já com início no segundo semestre de 2015”.
Descendente direto de um empresário bem sucedido do ramo da distribuição de veículos, José Luiz Gandini conhece os sintomas do mercado brasileiro como poucos – fruto de sua observação diária, na condição de presidente do Grupo que leva seu sobrenome, que possui concessionárias de automóveis, comerciais leves e motocicletas, e da própria experiência no ramo, que remonta à sua juventude.
O segmento de luxo, que antes destoava do mercado geral, fechou o primeiro bimestre em retração nas vendas no País. Os modelos Audi, BMW, Jaguar Land Rover e Mercedes-Benz, as quatro fabricantes que investem em fábricas no País, registraram licenciamentos 6,2% inferiores na soma de janeiro e fevereiro na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados da Abeifa e da Anfavea.
Ruben Barbosa, diretor de operações da Jaguar Land Rover no Brasil, espera que o câmbio fique mais estável até o fim do ano. A montadora iniciará sua produção local em 2016, na cidade de Itatiaia, RJ. “Torcemos para que a taxa esteja oscilando menos quando inauguramos a fábrica.”
Embora o presidente da Anfavea, Luiz Moan, considere positiva a superação da barreira dos R$ 3 pelo dólar, a desvalorização do real ainda não foi bem digerida pelas montadoras. Nenhuma das empresas que retornaram às solicitações de entrevista da Agência AutoData observou aspectos positivos na recente escalada da moeda estadunidense – ao contrário: Chery, Fiat, Honda, Mercedes-Benz e PSA Peugeot Citroën entendem que a situação desfavorece a indústria e a própria economia.
A taxa do dólar alcançou, superou e, ao menos nos últimos dias, se estabilizou acima dos R$ 3. Devido o seu recente histórico, é arriscado dizer que a cotação da moeda estadunidense alcançou um novo patamar definitivo e que a indústria precisa se adaptar à nova realidade: em 26 de janeiro sua cotação estava em R$ 2,57. Na quarta-feira, 11, menos de 45 dias depois, fechou em R$ 3,12.
ATÉ ONDE VAI? – A escalada de 20% do dólar em apenas seis semanas prejudica muito mais o planejamento das empresas, sejam montadoras ou importadoras, do que a estabilidade da moeda em qualquer patamar. Visconde, da Abeifa, reclama da volatilidade.