Effa passa por readaptação no mercado brasileiro

Pioneiro na comercialização de modelos chineses no mercado brasileiro, o Grupo Effa passa por fase de readaptação. Após perder a Lifan, que agora controla sua própria marca por aqui, o Grupo mantém operação ainda pequena, com representação das marcas JBC e JMC, que atuam no segmento de comerciais leves.

Neste ano, segundo a Fenabrave, foram vendidos em torno de 200 modelos das marcas do Grupo. Volume baixo mas adequado ao tamanho da rede atual, de acordo com o COO e CFO da empresa, Bruno Ferreira: “Mudamos o conceito de concessionárias. Temos menos pontos de vendas, mas todos sustentáveis, com resultados positivos”, afirmou em entrevista por e-mail à Agência AutoData.

De acordo com o executivo o quadro atual é de apenas oito revendas e “outras serão agregadas conforme a necessidade”.

Embora possua cota para importar até 4,8 mil veículos por ano isentos de IPI majorado em trinta pontos porcentuais, graças à habilitação ao Inovar-Auto, a Effa abastece sua rede majoritariamente com produtos vindos de sua fábrica na Zona Franca de Manaus, cuja produção começou para valer em 2013. Com capacidade para até 30 mil unidades em dois turnos, a fábrica opera com pouco mais de 1% de sua força total.

“Estamos iniciando produção de novos modelos, em fase de lançamento. Neste ano devemos produzir quinhentas unidades em Manaus.”

Durante a maior parte do ano foram produzidas na unidade as picapes Effa Start Simples e Effa Start Dupla, com as respectivas cabines e sempre equipadas com motor 1 litro. Elas serão atualizadas e receberão a companhia de duas outras picapes com motor 1,3 litro, também em versões de cabine simples e dupla.

A fábrica passa por obras de modernização e atualização. Ocupa terreno de 350 mil metros quadrados na Zona Franca, com 30 mil m2 construídos. Opera em uma espécie de sistema CKD, porém com produção de parte das peças dentro das próprias instalações, segundo o executivo.

“Seguimos o PPB [Processo Produtivo Básico, legislação da Zona Franca de Manaus] e agregamos mais etapas locais, pois nossa intenção é obter o maior porcentual possível de produção aqui no Brasil.”

O portfólio Effa é composto ainda pelos importados M100, uma minivan compacta, a Van Effa e o caminhão pequeno JMC.

Com a adoção de política realista, a Effa não traça metas para ocupar toda a capacidade de produção de sua fábrica brasileira. Ferreira afirmou que a empresa busca, em primeiro lugar, rentabilidade. “O negócio tem que ser rentável para ser interessante e se perpetuar. Quantidade não significa volume.”

Ronaldo Znidarsis deixa VW e vai para a Nissan no Brasil

Durou pouco tempo a passagem de Ronaldo Znidarsis na Volkswagen do Brasil – exatamente quatro meses. Na segunda-feira, 24, a Nissan local anunciou o executivo como seu novo vice-presidente de vendas e marketing.

O executivo estava na Volkswagen desde 2012, porém atuando na matriz, na Alemanha. Em julho chegou ao País como diretor de desenvolvimento de rede e veículos comerciais leves, na equipe de Ralf Berckhan. Anteriormente estivera no Brasil como diretor de vendas e marketing da General Motors, montadora na qual acumulou passagens ainda por unidades na Venezuela, Coréia do Sul, Singapura, Europa e China.

Ele ocupa na Nissan o posto deixado por Sérgio Ferreira, que ficou na função por apenas seis meses, de setembro de 2013 a abril de 2014, para retornar à condição de diretor geral do Grupo Chrysler no Brasil.

Em comunicado a Nissan afirmou que Znidarsis irá se reportar diretamente ao Chairman para a América Latina, José Luis Valls, e “será peça-chave de liderança da Nissan do Brasil, presidida por François Dossa”.

O executivo coordenará equipe que conta com José Luiz Vendramini, diretor de Vendas e de Desenvolvimento de Rede, Arnaud Charpentier, diretor de Marketing, e Tai Kawasaki, diretor de Pós-Vendas. Ele é formado em economia pela Universidade Mackenzie, em São Paulo, e possui mestrado em Gestão pela Universidade de Boston.

Pirelli terá novo CEO para América Latina

A Pirelli terá nova direção na América Latina a partir de 1º. de janeiro de 2015. Na segunda-feira, 24, a fabricante de pneus anunciou que Paolo Ferrari sucederá a Gianfranco Sgro no cargo de CEO Latam.

Ferrari está na empresa desde o início de 2012, ocupando cargo de Chairman e CEO da região Nafta, baseado nos Estados Unidos. Antes passou por empresas de telecomunicações e mídia, como a Telecom Italia. O executivo se reportará diretamente ao presidente executivo para América Latina, Paolo Dal Pino.

Por sua vez Gianfranco Sgro, que ocupava a posição desde outubro de 2012, deixa a empresa. Seu destino é a K+N, Kuehne+Nagel, empresa global de logística sediada na Suíça. A partir de 1º. de fevereiro ele assume cadeira no board, segundo comunicado internacional da empresa, e será o responsável global pela unidade de negócios de Contract Logistics.

Sgro, desta forma, retorna para sua área de origem, vez que o executivo acumulava, antes da Pirelli, passagens pela TNT Logistics na Itália, de 2003 a 2006, e Ceva Logistics, onde ocupou a presidência para Sul da Europa, Oriente Médio e África, de 2006 a 2012.

VW do Brasil terá novo presidente a partir de 1º. de janeiro

Thomas Schmall deixará o cargo de presidente e CEO da Volkwagen do Brasil no fim do ano. O anúncio foi feito pela montadora, em comunicado, na manhã da segunda-feira, 24.

Em 1º. de janeiro de 2015 o executivo será sucedido por David Powels, de 52 anos, atual Diretor Geral da Volkswagen da África do Sul. Ele já atuou na unidade brasileira por cinco anos, de 2002 a 2007, como Vice-Presidente de Finanças e Estratégia Corporativa.

Schmall retorna à matriz, na Alemanha, como membro do Conselho de Administração da marca Volkswagen, responsável por Componentes. Ele sucede Werner Neubauer, que aposenta mas continuará atuando no Grupo a título consultivo.

Ele foi presidente da VWB por sete anos, de 2007 até agora. Seu sucessor, David Powels, ocupa a direção da VW África do Sul pelo mesmo período. Ele obteve qualificação profissional do British Institute of Cost and Management Accountants, e entrou na VW, naquele mesmo país, em 1989 como responsável pela contabilidade de impostos na divisão de finanças. Depois de assumir responsabilidades em finanças do Grupo e controladoria de finanças na Audi na Alemanha, tornou-se Diretor Financeiro da Volkswagen da África do Sul, em 1998.

Powels já ocupou a presidência da Naamsa, National Association of Automobile Manufacturers of South Africa, associação local equivalente à brasileira Anfavea.

Seu substituto na unidade da África do Sul será Thomas Schäfer, atual responsável pela Produção do Grupo Volkswagen no Exterior, em Wolfsburg.

Bridgestone: 100% dos 0 KM terão pneus verdes em cinco anos.

Até 2019 todos os veículos leves 0 KM produzidos no Brasil serão equipados com pneus verdes. A previsão é de Fábio Fossen, novo presidente da Bridgestone no Brasil. “Atualmente 70% dos veículos já deixam as montadoras com pneus que usam tecnologia mais sustentável e esse índice chegará a 100% em cinco anos.”

Segundo Fossen o Inovar-Auto impulsionou a adoção da tecnologia, que diminuiu a resistência ao rolamento. “As montadoras precisam buscar soluções que permitam ganhos energéticos e os pneus foram uma das primeiras alternativas.”

Os principais fatores a determinar índice de eficiência energética em um veículo são o conjunto motor, a aerodinâmica e os pneus, nesta ordem. “Por isso houve uma corrida pelos pneus verdes: há cinco anos seu uso no País respondia por cerca de apenas 20% do total, e ainda assim nos modelos mais caros.”

A Bridgestone calcula que a tecnologia verde proporcione economia de 3% a 4% de combustível, o que automaticamente ajuda a reduzir as emissões de poluentes. “Atualmente 99% dos novos projetos das montadoras já inclui pneus verdes. Tornou-se uma tecnologia incorporada.”

De acordo com Fossen o novo regime automotivo brasileiro impulsionou fortemente a tecnologia, que derrapava há alguns anos devido ao maior preço. Nas contas da Bridgestone os pneus verdes são de 5% a 20% mais caros ante os tradicionais, dependendo da aplicação escolhida.

“Hoje o mercado dirigido às montadoras cresce muito mais rápido do que o mercado de reposição para os pneus verdes, pois os consumidores nem sempre estão dispostos a gastar mais.” De qualquer forma os modelos mais sustentáveis são comercializados pela fabricante em todos os seus cerca de seiscentos pontos de venda no País.

Para atender ao aumento da demanda por pneus verdes a Bridgestone está investindo em modernização e ampliação – de cerca de 10% – da capacidade da fábrica de Santo André, SP. “Serão R$ 150 milhões até 2016, e parte desse montante contempla a área de pneus verdes.”

Outubro, melhor mês do ano para carrocerias de ônibus

Ao longo dos nove meses do ano a indústria brasileira de carrocerias de ônibus não conseguira ultrapassar volume mensal de produção de 2,5 mil unidades, atingido em fevereiro. Porém, em outubro, chegou a 2 mil 710 ônibus, crescimento de 10% sobre setembro, ainda que 7,5% abaixo de outubro de 2013. Os dados foram divulgados pela Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus, a Fabus.

Outubro trouxe em especial boas notícias no mercado interno. As entregas avançaram 10% sobre setembro e, pela primeira vez no ano, alta na comparação com o mesmo mês de 2013: pequena, mas importante, de 2,5%. Já as exportações caíram 41% sobre outubro do ano passado – a considerar que foi o mês de melhor resultado de 2013 –, mas aumentaram 12% em relação a setembro.

No acumulado de dez meses a indústria entregou 23 mil 581 unidades, declínio de 18,5% sobre igual período do ano passado. As vendas internas somam 20 mil 820 carrocerias, recuo de 19%, e as externas, 2 mil 751, queda de 17%.

A única fabricante com desempenho positivo é a Mascarello, de Cascavel, PR: no acumulado cresceu 25% nas exportações e 7% no mercado interno, resultando em alta de 9,5% nas vendas totais.

Na comparação mensal de outubro com setembro apenas a Marcopolo Rio, de Duque de Caxias, apresentou resultado negativo, de 5%, com 506 unidades. Em compensação, a Marcopolo, de Caxias do Sul, RS, foi a única a superar as vendas de outubro do ano passado, em 3,5%, com 627 carrocerias.

O destaque das vendas de outubro foi a linha de urbanos, com participação de 62,5%, nove pontos acima do mesmo mês do ano passado. Os rodoviários avançaram 1,5 ponto, para 24,5%, enquanto intermunicipais caíram de 7% para 4,5% e os micro-ônibus de 15% para 9,5%.

Em autopeças, China e Taiwan não são rivais

Separados pelo Estreito de Taiwan, pedaço de mar com 180 quilômetros de largura média, a ilha de Taiwan, ou República da China, e a parte continental República Popular da China alimentam relações controversas. A começar pelo sistema de governo: democrático e capitalista na península e unipartidário e socialista no continente.

A China considera Taiwan uma província rebelde. Taiwan, por sua vez, mantém sua independência e soberania, mas considera a China continental parte de seu país. Para um chinês entrar em Taiwan, ou um taiwanês entrar na China, é preciso obter visto.

A aparente rivalidade, entretanto, é abafada quando o assunto envolve relações comerciais. Taiwan se orgulha da proximidade com o maior mercado consumidor do mundo e considera-se o principal canal para entrar no país vizinho. Somente no segmento de autopeças mais de 100 companhias da ilha já investiram no mercado chinês.

Jerry Lin, chairman da Jet Optolectronics, uma das maiores fabricantes de monitores automotivos de Taiwan, foi um dos que investiu em produção na China – visando, é claro, melhor competitividade. “É mais barato produzir na China do que em Taiwan. Os custos com fornecedores e mão de obra são mais baixos, embora esta venha crescendo nos últimos anos.”

A SH Auto Parts, que fabrica braços de suspensão, foi outra que expandiu horizontes e abriu fábrica na China. Segundo a diretora de vendas Joanne Chien 80% da estamparia é feita por chineses, graças aos custos mais competitivos. Ela procura se descolar, porém, da imagem da busca total por preço criada pelos chineses: apesar de estampar na China, toda a montagem e checagem das peças é feita na sede, em Taichung, a 160 quilômetros da Capital, Taipé.

“Nossa filosofia é continuar em Taiwan. Não temos planos de procurar por custos mais baixos de qualquer maneira, focamos na qualidade. Fomos para a China porque não encontrávamos força de trabalho aqui em Taiwan.”

O discurso é parecido na E-Lead, outra companhia taiwanesa a investir em produção no continente. O vice-presidente Daniel Lin assegura que os produtos de Taiwan têm mais qualidade que os chineses, embora os custos na China sejam menores.

“Nós podemos construir fábricas em todos os países, mas pesquisa e desenvolvimento continuarão sendo feitos a partir daqui. Esse é um ponto forte de Taiwan.”

Há também quem evite a todo custo cruzar o estreito de Taiwan. “Nós nunca iremos para a China”, garante Fred Cheng, presidente da NHC, Nan Hoang Traffic Instrument, que fornece materiais de fricção. Ele admite custos de 3% a 15% superiores na ilha, porém com indiscutível ganho em qualidade. “O custo na China está crescendo também. E quem gerenciaria? Teríamos que treinar as pessoas.”

Cheng considera um risco investir no país vizinho, até por causa das dificuldades políticas. E completa: “Ficar em Taiwan talvez seja a razão pela qual sobrevivemos há 63 anos no mercado”.

Fornecedores de Taiwan miram o mercado brasileiro

A pequena ilha de Taiwan, também conhecida como República da China – não confundir com a República Popular da China, a porção continental localizada a oeste –, olha com grande ambição para o mercado brasileiro de veículos. Conhecidos pelo amplo desenvolvimento do segmento de tecnologia, de microchips a computadores, os taiwaneses têm tradição automotiva voltada à exportação e sua ainda tímida participação no quinto maior mercado do mundo abre grande leque de oportunidades às mais de 2,3 mil empresas de autopeças ali instaladas.

Embora a especialização da indústria local seja o segmento de materiais de reposição, como parachoques, chapas de metal, espelhos retrovisores e peças de plástico e borracha, existem fornecedores de praticamente todos os tipos de componentes de um veículo ou motocicleta. Como alimentar a pequena indústria local, composta por dez montadoras, é pouco, o jeito foi buscar oportunidades além das fronteiras.

Segundo dados da TTVMA, sigla em inglês para Associação dos Fabricantes de Veículos de Transportes de Taiwan, as exportações de peças do país crescerão 5% em 2014, para US$ 7 bilhões. É o mesmo valor faturado com os embarques das autopeças brasileiras de janeiro a outubro, de acordo com dados do Sindipeças – só que o território de Taiwan é menor do que o do Estado do Rio de Janeiro.

Incentivadas pelo governo local as empresas de Taiwan cavam espaço em todos os mercados desenvolvidos, com foco especial no segmento de reposição. No ano passado uma área da Automec, mais importante feira de autopeças do Brasil, foi ocupada por fornecedores de Taiwan em busca de novas oportunidades por aqui. A NHC, Noan Hang Traffic Instruments, fabricante de materiais de fricção, foi uma das expositoras, como recorda seu presidente, Fred Cheng:

“Há pelo menos vinte anos fazemos negócios no Brasil, e queremos elevar nossa participação neste importante mercado”, afirmou em entrevista exclusiva à Agência AutoData na sede da empresa, em Tainan, cidade a 300 quilômetros ao Sul da Capital Taipé. “Atuamos diretamente, sem representantes. Nossa equipe de vendas é grande e dedicada.”

Não é para menos: 90% do que a companhia produz em suas três fábricas em Tainan têm outros mercados como destino. Seus produtos atendem a automóveis, picapes, caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e rodoviárias, motocicletas e até trens e navios. “Mas 65% do nosso volume vai para o segmento de carros de passageiros, e a maior parte na reposição.”

A SH Autoparts, fabricante de braços de suspensão com 100% dos negócios voltado ao segmento de reposição, também conta com consumidores brasileiros, todos distribuidores independentes. Joanne Chien, diretora de vendas, revelou procura por parceiros locais para expandir seus negócios no País.

“Temos um catálogo grande, pois atendemos a quase todos os veículos produzidos pelas montadoras japonesas. Ao contrário dos chineses não buscamos apenas preço: temos qualidade. Nosso equipamento é ligado à segurança e não podemos descartar a importância deste ponto.”

OEM – Com 99% da produção destinada à exportação a TYC Brother Industrial, fabricante de lanternas, faróis e luzes de freio, fornece as lanternas das Chevrolet Captiva que circulam pelas ruas brasileiras – o modelo, porém, é fabricado no México. “Enviamos as peças para a General Motors na Tailândia, que por sua vez as repassa para as outras subsidiárias”, conta Julie Sy, gerente de projeto da divisão de vendas.

O catálogo da empresa é extenso e atende aos mais diversos modelos de veículos, motocicletas e scooters para reposição, aproximadamente 80% do negócio. Porém o objetivo agora é crescer em participação nos equipamentos originais: “Queremos chegar a 30% do faturamento gerado com negócios no OEM nos próximos três anos”.

Já a E-Lead, fornecedora de sensores e equipamentos de infoentretenimento, busca o oposto. Consolidada no fornecimento de produtos originais – tem como cliente, inclusive, a Mitsubishi em Catalão, GO, para onde envia TCUs –, a empresa quer ampliar sua participação na reposição. Para isso lança novos produtos no mercado, grande parte ligada à integração de smartphones com o automóvel.

A porta de entrada da companhia para o mercado brasileiro deverá ser mesmo o OEM. Segundo Daniel Lin, vice-presidente da E-Lead, há dois anos existem estudos de construir uma fábrica no Brasil, para onde estão indo alguns de seus importantes clientes chineses, como Jac Motors, Foton e, talvez, Lifan.

“Seguir nossos clientes é uma possibilidade. Existem estudos, que sempre esbarram nas questões econômicas. Dependendo do volume é possível, até por causa da distância: são pelo menos seis semanas para que nossos produtos saiam de Taiwan e cheguem ao Brasil.”

Taipei Ampa – De 8 a 11 de abril os fornecedores taiwaneses mostram a sua cara na Taipei Ampa, principal exposição de autopeças da ilha e que ocorre simultaneamente com outras quatro feiras voltadas ao setor automotivo –AutoTronics Taipei, voltada a sistemas eletrônicos automotivos, Tuning & Car Care Taiwan, para personalização de veículos, EV Taiwan, para veículos elétricos, e Motorcycle Taiwan, o salão de motocicletas taiwanês.

A edição de 2014 reuniu mais de 1,3 mil expositores de 17 países, gerando quase US$ 600 milhões em negócios, de acordo com estimativas do Taitra, Conselho para Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan. A exposição reuniu 51 mil visitantes de 129 países.

SH Auto Parts: uma empresa feminina em Taiwan.

Dentro das portas da Shih Hsiang Auto Parts ocorre um fato inusitado e raro na indústria automotiva global: cerca de 80% dos funcionários do setor administrativo da companhia com sede em Taichung, cidade a 160 quilômetros ao Sul de Taipé, Capital de Taiwan, são mulheres.

Fabricante de braços de suspensão com forte atuação no mercado japonês e estadunidense, a SH Auto Parts foi fundada em 1978 em Taipé. Foi transferida para Taichung, cidade natal de seu fundador, anos depois, onde permanece até hoje. Sua filosofia difere do geral dentre as companhias taiwanesas: tem forte atuação social, ao menos internamente.

“Somos uma família”, resume Joanne Chien, diretora de vendas da SH Auto Parts. Segundo a executiva o tratamento dentro da empresa é mais humano e os funcionários contam com benefícios como treinamentos externos, cuidados com a saúde e atividades de lazer com a família, tudo promovido pela empresa.

A diferença do tratamento pôde ser notada já na recepção a grupo de jornalistas estrangeiros que viajou até Taiwan a convite do Taitra, Conselho para Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan: ao entrar na fábrica foram oferecidos bolinhos, biscoitos doces e coloridos, café, chá e refrigerante em sala cuidadosamente limpa e decorada. Nenhuma outra empresa visitada na excursão proporcionou algo semelhante.

Apenas mulheres acompanharam o grupo em todo o período da visita, que seguiu da apresentação em sala com telão a um tour pelas instalações fabris. Cuidados nos pormenores da organização da fábrica, com enfeites e banners coloridos nas linhas de montagem, destacam-se. Chama a atenção também é a quantidade de mudas de frutas, verduras e legumes espalhadas pelo terreno.

Surpresos, jornalistas japoneses indagaram o porquê de tantas mulheres nos escritórios – segundo eles a realidade em seu país é a oposta: são os homens que dominam os cargos, em especial nas empresas do setor automotivo.

“Não sei se somos uma empresa feminina, mas dentro dos escritórios a maioria é mulher”, afirmou Joanne Chien. Depois, brincou – como fez, aliás, diversas vezes durante a visita: “No chão de fábrica, porém, 95% dos funcionários são homens, pois lá precisamos de força: não bastam beleza e inteligência”.

Preço do carro brasileiro não vai diminuir, diz Jato Dynamics

A consultoria especializada em mercado automotivo Jato Dynamics acredita que o preço dos veículos brasileiros não apresenta tendência de queda. Segundo Gerardo San Román, presidente da Jato do Brasil, a sequência de incentivos do governo federal acaba influenciando a precificação dos produtos nacionais muito mais que os custos fixos. “A indústria está acostumada com IPI reduzido e sempre que o benefício termina volta a subir seus preços. Essa é a dinâmica”.

Apesar do aumento da concorrência no mercado nacional San Román não acredita que esse fator é suficiente para favorecer financeiramente os consumidores, ao contrário do que se vê no mercado chinês. “Lá eles tem o mercado mais competitivo do mundo e o preço baixo é essencial para vender veículos. Por isso a tendência é de queda nos valores, a não ser no segmento premium que caminha na contramão e registra alta”.

Movimento similar de redução de preços acontece na Europa, onde o mercado já está consolidado e os valores mais baixos são essenciais para o convencimento dos consumidores. “No Brasil ainda há muita demanda e não há previsão para que as montadoras reduzam suas margens de lucro”.

Ajudar na precificação de veículos é um dos principais trabalhos da consultoria, com 600 profissionais e sede na Inglaterra, e os Brics despertaram interesse especial na empresa. Segundo Mark Imrie, diretor global de operações da Jato Dynamics, a força dos países emergentes – Brasil, Rússia, Índia e China – é nítida. “Os Brics representavam cerca de 30% do faturamento das montadoras em 2007 e esse porcentual dobrou para 60% em 2012”.

Por isso o Brasil ganhou destaque e a operação local da Jato saltou de seis para vinte profissionais nos últimos três anos. Cerca de R$ 12 milhões foram investidos para aumentar a lista de clientes no País, que atualmente chega a dez montadoras.

“O Brasil é um mercado promissor e, apesar de prevermos estabilidade nas vendas em 2015, sabemos que logo voltará a crescer”.

Além de ampliar seu trabalho junto às montadoras a consultoria vai aumentar sua área de atuação para bancos, seguradoras e concessionárias. Para isso desenvolveu novos produtos que serão comercializados em breve. O primeiro deles trata-se de uma plataforma que consegue mensurar o verdadeiro custo do carro e inclui tópicos que vão além do financiamento, como depreciação, valor do seguro, gasto com combustível, impostos, dentre outros. A ideia é comercializar esse produtos para bancos, o que pode contribuir para reduzir a inadimplência. “Quando o cliente consegue visualizar seus gastos fica mais fácil saber se poderá arcar com eles. A plataforma relaciona os dados de centenas de veículos e oferece opções que podem ser mais vantajosas aos consumidores”.

Outra plataforma desenvolvida pela empresa tem as concessionárias como público-alvo. Uma ferramenta chamada e-Guide será adaptada em tablets e trará informações sobre inúmeros modelos. São dados sobre preço, emissão de CO2, consumo de combustível e capacidade do porta-malas, que podem ser consultados simultaneamente para que o cliente opte pelo melhor veículo de acordo com seu perfil. “Temos cerca de 200 informações sobre cada veículo e queremos encontrar formas de compartilhar isso com o público e aumentar nossa cartela de clientes no Brasil”.