“2026 promete muito”, acredita Mercedes-Benz

São Paulo – Otimista com seu ano positivo de vendas, na direção oposta ao mercado, que sofreu um forte baque principalmente nos caminhões extrapesados, a Mercedes-Benz está rindo à toa. Após acumular crescimento de 11% nos emplacamentos de janeiro a novembro, com 25,6 mil unidades, a companhia tem muitos planos para 2026. Foi o que demonstrou Jefferson Ferrarez, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de caminhões, durante balanço do ano realizado na noite de terça-feira, 16:

“2026 é um ano que promete muito. Seguimos acompanhando os desafios, mas também temos ciência de que será um ano repleto de oportunidades. Vislumbramos investimentos em vários setores da economia, como em áreas como infraestrutura, agricultura, mineração e e-commerce”. 

Além disso lembrou que em 2026 haverá Fenatran, que costuma movimentar o mercado de caminhões.

“Estamos confiantes de que será mais um ano de crescimento.”

Fabricante ampliou vendas em todos os segmentos em que opera

O vice-presidente exaltou o descolamento da montadora, diante de alta de 11% até o momento, ao passo que o mercado encolheu, neste mesmo intervalo, 8,7% com 103,7 mil emplacamentos. Destacou que o crescimento classificado como sustentável se deu em todos os segmentos de caminhões em que a Mercedes-Benz opera.

O que mais expandiu, 17%, foi o de leves e médios, com 7,7 mil unidades, seguido do de semipesados, com alta de 15%, para 9 mil unidades e, mesmo o de extrapesados, cujo mercado encolheu 24% e no qual a montadora registrou alta de 2%, totalizando 8,7 mil caminhões. 

Também no mercado internacional a companhia ampliou suas vendas em 29% frente ao acumulado de 2024, ao somar 9,2 mil unidades exportadas.

Crédito é desafio persistente para o ano que vem

Quanto às dificuldades relacionadas ao crédito, às quais a Mercedes-Benz não está isenta, Ferrarez reconheceu que este ainda é um percalço, tanto por causa da maior restrição por parte dos bancos, diante do maior risco de inadimplência, quanto pelo custo maior devido aos juros nas alturas: “Mesmo para o transportador que obtém o financiamento pagar as parcelas altíssimas está sendo um desafio”.

Disse não haver segredo no crescimento da companhia no segmento de pesados: “Temos sentado com os potenciais clientes e falado sobre portfólio, posicionamento e estratégia comercial, ações conjuntas com os bancos e com nosso negócio de usados, do consórcio e o próprio desempenho dos produtos. O Euro 6 está mostrando, na marca Mercedes-Benz, uma boa vantagem. O cliente começou testando e agora está comprando volumes maiores”.

Ferrarez citou também que o cardápio de produtos pesados ganhou reforço este ano, o que ajudou no desempenho positivo, com destaque para o Actros Evolution, com mais de 4 mil unidades comercializadas até novembro. Relançado em julho o Axor vendeu mais de 1 mil unidades de agosto para cá: “O veículo, que usa a mesma plataforma do Actros, foi muito bem aceito no mercado”.

O executivo lembrou dos testes em andamento do e-Actros, apresentado na Fenatran 2024, que tem sido usado na logística interna da fabricante, além de ter rodado de São Paulo a Curitiba, PR, e ao Rio de Janeiro, RJ.

Ônibus registram maior crescimento em uma década

2025 foi excepcional para o mercado de ônibus e para a Mercedes-Benz, lembrou Walter Barbosa, vice-presidente de vendas, marketing, peças e serviços de ônibus da companhia. De janeiro a novembro foram emplacadas 21,7 mil unidades no País. Considerando que este mês deverão ser emplacados outros 2 mil ônibus, estimou o executivo, o volume deverá totalizar 23,7 mil unidades.

“Este é o maior mercado dos últimos dez anos, com um crescimento que deve girar em torno de 7% a 8%”, disse Barbosa. “Todos os segmentos cresceram. O que mais se destacou foi o de escolares, com acréscimo de 29%, somando 5 mil unidades.” 

O de fretamento avançou 11%, com 2 mil 350 vendas. O urbano expandiu 2%, para 7 mil 850 unidades. Este é o maior segmento do Brasil e, segundo Barbosa, mesmo tendo crescido 2%, trata-se de grande volume. Os microônibus ampliaram também 2%, com 4,5 mil unidades. E mesmo o rodoviário, com 2,4 mil emplacamentos, cresceu 1%.

Quanto aos números da Mercedes-Benz a alta acumulada é de 12%, acima do mercado, portanto, com 9,3 mil unidades: “Atingimos a maior participação no segmento de ônibus urbanos dos últimos tempos, com 78% do total. Quanto aos rodoviários a fatia é de 51%”.

Com relação ao mercado de elétricos, mesmo com o dobro de concorrentes, a marca já comercializou mais de quinhentos ônibus a bateria com seu modelo urbano eO500U, sendo que 250 estão em operação.

No mercado externo Barbosa destacou a exportação de seiscentos ônibus de janeiro a novembro, principalmente para Argentina, México, Chile, África e Oriente Médio.

Volkswagen fecha pela primeira vez uma fábrica na Alemanha

São Paulo – Pela primeira vez na sua história a Volkswagen encerrou a produção de fábrica localizada na Alemanha: a unidade de Dresden deixou de produzir veículos na terça-feira, 16, treze anos após ser inaugurada – desde 2002 saíram das linhas menos de 200 mil veículos, menos da metade da produção anual da sede, em Wolfsburg. É o primeiro passo da Volkswagen para enfrentar a concorrência de chineses e tem dificuldades financeiras na Europa.

O fechamento de Dresden foi acertado com os sindicatos no ano passado, junto com plano para cortar 35 mil postos de trabalho na Alemanha, segundo o Financial Times.

Segundo o CEO, Thomas Schaefer, a decisão não foi fácil mas “é essencial do ponto de vista econômico”.

Chamada de Fábrica Transparente a unidade de Dresden montou o VW Phaeton e, mais recentemente, o ID.3, elétrico, que segue em linha na unidade de Zwickau. O local será alugado para a Universidade Técnica de Dresden para criar um campus de pesquisa voltado para o desenvolvimento de inteligência artificial, robótica e chips. A Volkswagen prometeu investir 50 milhões de euros no projeto nos próximos sete anos.

Sobratema espera dois anos de crescimento em máquinas de construção

São Paulo – As empresas fabricantes de máquinas de construção apostam em crescimento para 2026 e 2027, de acordo com estudo apresentado pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração. O estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos, divulgado durante o evento Tendências no Mercado da Construção, apontou que 61% dos entrevistados esperam crescimento do mercado no ano que vem, porcentual que sobe para 63% em 2027.

O estudo ouviu cerca de 75 empresas, sendo um terço de concessionários, um terço de locadoras de máquinas e um terço de construtoras.

A expectativa deles é de alta de 1% sobre 2025, mas é apenas uma estimativa inicial, de acordo com o vice-presidente da Sobratema, Eurimílson Daniel, por causa das incertezas políticas para o ano que vem. A expectativa é de que a economia avance de forma paralela, sem sofrer tantos impactos:

“Existe uma forte demanda por mecanização no Brasil e temos R$ 300 bilhões em concessões que serão liberados a partir de 2026, durante dez anos. Então, teremos R$ 30 milhões por ano que já estão programados, além da demanda anual do País. Por isto acredito que 1% é só uma referência e podemos alcançar alta ainda maior”.

Eurimílson Daniel, vice-presidente da Sobratema

Além do dinheiro que entrará no mercado por meio das concessões também existe a expectativa de mais investimentos da mineração e do agronegócio, que deverão ter anos estáveis em 2026 e 2027, assim como a construção civil.

O vice-presidente da Sobratema disse que as construtoras e locadoras têm peso muito relevante no estudo, pois são os maiores consumidores de máquinas de construção no País: “Falamos com os dois principais segmentos que consomem máquinas e também ouvimos o outro lado, com uma parte dos concessionários participando da pesquisa. Para 2025 a Sobratema espera uma leve retração de 1% sobre 2024, que foi o terceiro melhor ano da história. Assim o resultado de 2025 é considerado muito bom, ainda que menor”.

O executivo lembrou que a média dos últimos cinco anos foi 34,7 mil máquinas/ano vendidas no Brasil e em 2025 o volume deverá ser 34,3 mil, muito próximo da média, sendo mais um ano acima das 30 mil unidades, ritmo que é considerado interessante para o Brasil. 33% dos entrevistados no estudo também acreditam que o mercado este ano ficará abaixo de 2024, como projetado pela Sobratema.

Um ponto que preocupa os entrevistados é fato de o bolo ser quase do mesmo tamanho do de há cinco anos, enquanto o número de empresas que vendem máquinas no País aumentou, elevando a concorrência e a disputa por participação de mercado, com marcas asiáticas chegando com força, algo que incomoda as fabricantes nacionais — mas não os clientes, que tem mais opções. De acordo com Daniel a rede ainda é um ponto que pesa bastante e quem tem maior capilaridade vende mais.

Mercado colombiano cresce 28% até novembro

São Paulo – As vendas de veículos somaram 224,3 mil unidades na Colômbia de janeiro a novembro, com alta de 27,5% sobre iguais meses do ano passado, de acordo com os dados divulgados pela Andemos, entidade que representa o setor automotivo no país. Caso as vendas em dezembro sigam o ritmo superior a 20 mil unidades, como foi registrado desde julho, o mercado encerrará o ano com vendas acima de 240 mil veículos.

A Kia, que assumiu a liderança do mercado local ao longo de 2025, segue na primeira posição no acumulado até novembro, com 30,2 mil veículos comercializados, seguida de perto pela Renault, com 29,9 mil unidades. Em terceiro lugar ficou a Toyota com 22,1 mil.

Já no ranking por modelo o Mazda CX-30 foi o mais vendido, com 7,8 mil unidades, seguido pelo Toyota Corolla Cross, 7,2 mil. Em terceiro lugar aparece o Renault Duster com 6,9 mil unidades. 

Em novembro foram vendidos 23,8 mil veículos, incremento de 9% sobre igual mês do ano passado e com relação a outubro houve retração de 5,9%.

Autopeças argentinas acusam o avanço de projetos CKD

São Paulo – A Afac, associação que reúne as empresas de autopeças da Argentina, ligou o sinal de alerta para o processo de CKDização que está ocorrendo no país. Segundo a entidade há um avanço de projetos para a montagem de veículos semidesmontados ou totalmente desmontados, que reduz ou dispensa totalmente a utilização dos componentes produzidos localmente. Um exemplo é o Toyota Hiace: ele é montado a partir de kits de peças importado de outros países e quase não usa componentes locais. A produção neste processo, segundo a publicação argentina Autoblog, foi autorizada pelo governo anterior ao de Javier Milei.

Outros projetos, mais robustos, acabam gerando compras de fornecedores regionais e auxiliam na sustentação da cadeia. Diante deste cenário a Afac propõe um choque de investimentos na Argentina, com visão de futuro que permita reverter a situação de toda a cadeia automotiva instalada.

Dados da entidade mostram que 56 empresas encerraram as operações nos últimos quinze anos. Cinco ocorreram em 2024 e 2025, com os casos mais recentes da SKF e da Dana, relatou o Autoblog. 

O avanço dos projetos CKD e SKD no país, aumentando a importação de componentes, afetou a balança comercial das autopeças instaladas na Argentina, que registrou déficit de US$ 8,4 bilhões, com saldo negativo em 9,3% na comparação com o período de janeiro a outubro de 2024. 

As exportações de autopeças cresceram 2,3% de janeiro a outubro, somando US$ 1,1 bilhão, enquanto as importações avançaram 8,5% na mesma base comparativa, chegando a US$ 9,5 bilhões.

Vendas na quinzena andam de lado mas 2025 será maior do que 2024

São Paulo – Nos primeiros onze dias úteis de dezembro foram emplacados 134,1 mil automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, segundo dados preliminares do Renavam obtidos pela Agência AutoData. O resultado é semelhante ao da primeira quinzena de dezembro de 2024, 134,4 mil unidades, e supera em 8,6% os 123,5 mil veículos licenciados na primeira metade de novembro.

A média diária chegou a 12,2 mil unidades que, mantida nos demais dez dias úteis, projetam mercado de 256,1 mil veículos – mas é usual que as vendas acelerem na segunda metade, até porque é neste período que grandes vendas a locadoras costumam ser finalizadas. Em dezembro do ano passado foram 257,4 mil licenciamentos.

O acumulado do ano soma 2 milhões 543 mil unidades. Para superar o volume de 2024 são necessários mais 90 mil emplacamentos, o que deverá ocorrer e fará este ano superar o passado, embora com crescimento na faixa de 1% a 3%.

Segundo a Bright Consulting as vendas de leves somaram 127,1 mil unidades na primeira quinzena, crescimento de 9,2% sobre novembro e estabilidade com relação a dezembro do ano passado. O varejo voltou a liderar na quinzena, com 52% dos emplacamentos, mas é algo atípico, de acordo com a consultoria.

“O ano segue dependente da venda direta: no acumulado está em 47,2%, patamar elevado pois em 2024 foi 45,1%, que indica que uma parcela grande do mercado continua vindo de frotas, locação e corporativo.”

A Fiat Strada liderou as vendas da quinzena, com 6,8 mil emplacamentos, seguida pelos Volkswagen T-Cross e Tera, empatados tecnicamente com 5,1 mil.

Julio Trujillo assume a engenharia da Mann+Hummel

São Paulo – A Mann+Hummel anunciou o mexicano Julio Trujillo como seu novo gerente de engenharia na América do Sul. Ele sucede a Dennis Baião, que assume novo cargo na fabricante de filtros nos Estados Unidos.

Com duas décadas de experiência no setor automotivo e com passagens por Donaldson, Volvo e Sachs no Brasil e no exterior, Trujillo é formado em engenharia mecânica e elétrica pelo ITESM, Instituto Tecnológico e de Estudos Superiores de Monterrey, onde também se especializou em engenharia automotiva.

Trujillo se reportará diretamente a Bert Kempeneers, vice-presidente de operações América do Sul e gerente geral Brasil da Mann+Hummel. 

Rafael Frank é o novo gerente de comunicação corporativa da Kavak no Brasil

São Paulo – A Kavak anunciou Rafael Frank como seu novo gerente de comunicação corporativa para a operação brasileira. O executivo se reportará a José Ribeiro, diretor geral da plataforma de compra e venda de veículos seminovos no Brasil, e a Christina Darvasi, diretora de comunicação global da companhia.

Com quase duas décadas de experiência sua trajetória inclui experiências em gestão de crise, relacionamento com imprensa, posicionamento de marca e comunicação interna.

Formado em jornalismo pela PUC SP o executivo cursou também MBA de marketing na USP/Esalq. Antes da Kavak Frank passou por iFood, Digio, Cabify, ZAP Imóveis e VivaReal.

Ano ruim até que foi bom, 2026 tende a ser igual ou pouco melhor

O ano termina para a indústria automotiva no Brasil com uma certeza: as projeções de vendas e produção de veículos não serão atingidas, ficarão abaixo das estimativas feitas no início de 2025, que já não eram muito boas, e também aquém das revisões para baixo feitas nos últimos meses. Contudo, diante dos juros altos que o Banco Central impôs ao País, os resultados estão longe de ser um desastre, pois são os melhores desta década.

Em 2026, ante forças contrárias e favoráveis que tendem a se anular, as apostas até o momento convergem para um ano igual ou até um pouco melhor do que este, mas obviamente longe das ambições dos fabricantes e importadores que sempre querem situação muito melhor do que o mercado brasileiro pode dar levando-se em conta o preço alto dos veículos e a renda média baixa da população.

Justamente por causa deste desnível, de bens muito mais caros do que a maioria das pessoas pode pagar, os resultados vistos até agora, mesmo com crescimentos insignificantes, são melhores do que sugerem as estatísticas sociais. No cenário atual a conclusão é de que o tamanho da indústria automotiva no Brasil, ao menos por enquanto, é este mesmo: gira na casa de produção e vendas de 2,6 milhões a 2,7 milhões de veículos por ano, o que não é exatamente um número ruim — só está abaixo do propalado potencial do País.

Os volumes só estão neste nível porque muita coisa mudou para melhor na economia brasileira nos últimos três anos, especialmente os níveis de emprego e renda que vem garantindo crescimentos do PIB sempre maiores do que alguns azedos economistas gostariam, fãs que são da vassalagem dos governos ao mercado financeiro. Mas para puxar para cima os volumes de vendas e produção de veículos no País muita coisa mais teria de mudar, o que não parece ser o caso no horizonte visível dos próximos anos.

Projeções vencidas

Este ano as projeções das entidades que reúnem fabricantes e concessionários de veículos foram vencidas pela realidade do juro alto, com a Selic em 15%, o maior patamar em quase vinte anos, que puxou as taxas dos financiamentos para impagáveis 29% a 27% ao ano, de acordo com as médias monitoradas pelo BC ao longo de 2025.

A Anfavea, que fez apenas uma revisão de suas projeções, no meio do ano, ainda sustentava pró-forma em dezembro crescimento de 5% nas vendas de veículos este ano, o que seria um mercado anual de 2 milhões 760 mil, incluindo automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus. Mas a realidade de 2 milhões 410 mil de unidades emplacadas em onze meses já jogou por terra a previsão, pois seria necessário emplacar 355 mil veículos em dezembro só para atingir a estimativa, volume mensal que nunca foi atingido nesta década.

A própria Anfavea já admitiu esta impossibilidade, na voz de seu presidente executivo, Igor Calvet, na recente divulgação de resultados da indústria, no início de dezembro: “Não refaremos agora nossas projeções mas parece certo que não atingiremos a previsão que fizemos, pois em dezembro as vendas precisam crescer 38% [sobre o mesmo mês de 2024] para chegar ao volume projetado”.

Dezembro tem sido o melhor mês em volume de emplacamentos nos últimos três anos e o de 2024 foi o melhor, com 257,4 mil registros, quando a Selic ainda estava em 12,25% mas os bancos já cobravam taxa média de 29,5% ao ano.

Portanto, levando-se em conta promoções e esforços e vendas na reta final de 2025, seria uma aposta razoável a repetição próxima do número de emplacamentos de dezembro de 2024. Esta seria a melhor das hipóteses e levaria o total do ano para perto de 2 milhões 670 mil unidades vendidas, cerca de 100 mil abaixo da estimativa da Anfavea, anotando pífio crescimento de 1,3% sobre 2024.

Claro que pode ser um pouco melhor do que isto, mas a tendência é que pode ser um pouco pior. Na média o cenário é de estabilidade, o que não é ruim diante de preços e juros estabilizados em patamar muito elevado.

Pior para uns, melhor para outros

Os resultados de vendas em 2025 não são homogêneos. Neste quadro o grande perdedor foi a indústria fabricante de veículos instalada no Brasil, com crescimento anual, até novembro, de apenas 0,5% nos emplacamentos de veículos leves, e queda de 0,3% considerando só automóveis.

O Programa Carro Sustentável, que isentou de IPI os modelos mais baratos e econômicos produzidos no País, serviu para segurar o desempenho, que seria ainda pior sem eles. Com 47 mil emplacamentos estes veículos representaram 31% das vendas de automóveis nacionais em novembro, mas o porcentual cai a 21% quando se considera o total vendido, incluindo importados.

E os grandes vencedores foram justamente os importados, especialmente os vindos da China. As vendas de veículos leves produzidos fora do Brasil avançaram 7,6% nos volumes contabilizados de janeiro a novembro, e para automóveis isoladamente o salto foi ainda maior, de 11,5%.

Com mais de uma dúzia de marcas já à venda os automóveis chineses invadiram o mercado brasileiro e continuam chegando aos montes, com oferta de modelos elétricos e híbridos a preços inferiores de concorrentes similares nacionais ou importados de outras procedências.

Segundo números contabilizados pela Anfavea os emplacamentos de carros importados da China, este ano até novembro, somaram quase 162 mil unidades, e havia mais 212,4 mil em estoque nos portos e concessionárias à espera da conclusão das vendas.

Forças opostas em 2026

O próximo ano que se aproxima, na visão da Anfavea e de analistas, tende a ser parecido com 2025, pois o ano será influenciado por forças opostas que podem se anular.

O vento favorável virá da esperada redução das taxas de juros: com a inflação comportada na casa dos 4% as projeções do relatório de mercado Focus, do BC, apontam para cortes graduais da Selic de 0,25 a 0,5 nas oito reuniões do Copom ao longo do ano, totalizando 3 pontos porcentuais, para fechar dezembro em 12%.

Embora o ritmo de redução dos juros seja muito lenta e a taxa prevista para o fim de 2026 ainda seja muito alta, com efeito prático na economia que demora meses à frente para acontecer, os cortes têm efeito psicológico imediato positivo, pois indicam futuro mais otimista, o que pode se transmitir para o consumo de veículos financiados a partir do meio do ano.

A redução dos juros é combinada com o menor nível de desemprego da história, que faz crescer a renda disponível, aumentada ainda por algumas medidas tomadas este ano que beneficiam o consumo em 2026.

A principal destas medidas é a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil e a redução da alíquota para ganhos até R$ 7,3 mil. Somente isto poderá injetar R$ 28 bilhões na economia.

Mas os bancos calculam que muito mais dinheiro será injetado no consumo dos brasileiros em 2026, algo de R$ 160 bilhões a R$ 180 bilhões, considerando, além de gastos menores com juros e o imposto de renda, reduções esperadas nas contas básicas de luz, água e gás, bem como linhas de crédito mais baratas.

Até aqui tudo bem, mas também sopram ventos contrários. Os juros, como se viu, devem continuar muito altos e a tendência vislumbrada de queda lenta pode fazer o consumidor mais bem informado esperar mais por taxas aceitáveis.

Sinais recentes apontam que os juros estratosféricos já fizeram seu serviço sujo e por isto as apostas são de economia mais contida, com expansão menor do PIB: as projeções do Focus convergem para crescimento de 1,8% em 2026, contra esperados 2,25% este ano. Aqui fica o desejo para que os economistas que confundem torcida com projeções errem mais uma vez e que o crescimento seja maior do que o projetado, como ocorreu nos últimos três anos.

Outro ponto é a Copa do Mundo no meio de 2026: analistas dizem que o evento ludopédico costuma atrasar decisões de compras dos brasileiros – a não ser o da compra de televisores para assistir aos jogos.

Também é ano de eleições, com debates polarizados e escândalos que costumam envenenar a economia e turbinar a volatilidade do mercado financeiro, com altas do dólar e quedas de bolsa que mexem com as expectativas e afetam os humores dos compradores mais endinheirados, justamente aqueles que ainda compram carros atualmente e torcem para que Lula não seja reeleito.

A questão será, portanto, saber quais forças serão mais fortes em 2026: as que favorecem o crescimento ou as que são contrárias a ele. Até o momento a indicação é que uma anula a outra e fica tudo parecido com 2025. Não será ruim, tampouco bom.

Até 2026

Este Observatório Automotivo, o de número 103 desde janeiro de 2022, quando passou ser publicado por diversos sites do setor automotivo, é o último de 2025. Mas logo estará de volta: este colunista retoma os trabalhos na segunda quinzena de janeiro, não sem antes agradecer a generosidade dos leitores que vêm impulsionando recordes de acesso a este conteúdo, sempre escrito com o intuito de informar e interpretar os movimentos da indústria automotiva.

A todos que acompanharam até aqui, contra ou a favor, meu muito obrigado pela leitura. Que em 2026 tenhamos todos um ano bom, com mais boas do que más notícias.

Foton vende vinte caminhões para operações logísticas da Ambev

São Paulo – A Foton comercializou vinte caminhões para as operações logísticas da Ambev. Dez são do modelo Aumark 1217 6×2, com capacidade para seis paletes, adquiridos pela Fadel Transportes e já entregues. O restante são semipesados Auman D 1722 4×2, preparados para oito paletes, comprados pela Imediato Nexway, empresa do Grupo Ambev. Estas unidades, segundo a Foton, em breve entrarão em operação.

A Foton informou que desenvolveu soluções customizadas especialmente para atender às demandas da Ambev. O Aumark S 1217 recebeu configuração 6×2 exclusiva, que elevou seu PBT, peso bruto total, de 12 para 14 toneladas, a fim de garantir maior robustez, eficiência e capacidade de carga no transporte de bebidas

O Auman D 1722 passou por ajustes específicos para operação com carroceria de oito paletes, característica essencial para o padrão logístico da Ambev no Oeste Paulista. Esses veículos rodarão a partir do centro de distribuição da empresa em Presidente Prudente, SP.