Estudo ouviu locadoras, construtoras e concessionários que projetam crescimento na demanda
São Paulo – As empresas fabricantes de máquinas de construção apostam em crescimento para 2026 e 2027, de acordo com estudo apresentado pela Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração. O estudo Sobratema do Mercado Brasileiro de Equipamentos, divulgado durante o evento Tendências no Mercado da Construção, apontou que 61% dos entrevistados esperam crescimento do mercado no ano que vem, porcentual que sobe para 63% em 2027.
O estudo ouviu cerca de 75 empresas, sendo um terço de concessionários, um terço de locadoras de máquinas e um terço de construtoras.
A expectativa deles é de alta de 1% sobre 2025, mas é apenas uma estimativa inicial, de acordo com o vice-presidente da Sobratema, Eurimílson Daniel, por causa das incertezas políticas para o ano que vem. A expectativa é de que a economia avance de forma paralela, sem sofrer tantos impactos:
“Existe uma forte demanda por mecanização no Brasil e temos R$ 300 bilhões em concessões que serão liberados a partir de 2026, durante dez anos. Então, teremos R$ 30 milhões por ano que já estão programados, além da demanda anual do País. Por isto acredito que 1% é só uma referência e podemos alcançar alta ainda maior”.
Eurimílson Daniel, vice-presidente da Sobratema
Além do dinheiro que entrará no mercado por meio das concessões também existe a expectativa de mais investimentos da mineração e do agronegócio, que deverão ter anos estáveis em 2026 e 2027, assim como a construção civil.
O vice-presidente da Sobratema disse que as construtoras e locadoras têm peso muito relevante no estudo, pois são os maiores consumidores de máquinas de construção no País: “Falamos com os dois principais segmentos que consomem máquinas e também ouvimos o outro lado, com uma parte dos concessionários participando da pesquisa. Para 2025 a Sobratema espera uma leve retração de 1% sobre 2024, que foi o terceiro melhor ano da história. Assim o resultado de 2025 é considerado muito bom, ainda que menor”.
O executivo lembrou que a média dos últimos cinco anos foi 34,7 mil máquinas/ano vendidas no Brasil e em 2025 o volume deverá ser 34,3 mil, muito próximo da média, sendo mais um ano acima das 30 mil unidades, ritmo que é considerado interessante para o Brasil. 33% dos entrevistados no estudo também acreditam que o mercado este ano ficará abaixo de 2024, como projetado pela Sobratema.
Um ponto que preocupa os entrevistados é fato de o bolo ser quase do mesmo tamanho do de há cinco anos, enquanto o número de empresas que vendem máquinas no País aumentou, elevando a concorrência e a disputa por participação de mercado, com marcas asiáticas chegando com força, algo que incomoda as fabricantes nacionais — mas não os clientes, que tem mais opções. De acordo com Daniel a rede ainda é um ponto que pesa bastante e quem tem maior capilaridade vende mais.