Chineses voltam as atenções ao mercado brasileiro de caminhões

São Paulo – Embora em queda, de 9% até novembro na comparação com os onze primeiros meses do ano passado, o mercado de caminhões brasileiro, em mais um ano com volume superior a 100 mil unidades, voltou a chamar a atenção de empresas fabricantes chinesas. Após tentativa infrutífera na década passada, quando marcas como Shacman, Sinotruk, Effa e Foton, dentre outras, testaram o mercado, saíram quando os volumes começaram a cair, e deixaram clientes na mão, os asiáticos retornam com planos aparentemente mais robustos e concretos.

A primeira a retornar foi a Foton, desta vez sem representante: são os próprios chineses que tomaram a frente da operação. Desde abril caminhões leves e médios vendidos no mercado são montados, em regime CKD, dentro da Agrale em Caxias do Sul, RS. No passado eles vieram em parceria com o empresário Luiz Carlos Mendonça de Barros, hoje fora do negócio.

De janeiro a novembro, segundo a Fenabrave, foram emplacados 862 caminhões Foton. Ainda é menos do que 1% do mercado, mas o volume vem ascendendo – só em novembro foram 117 unidades, representando 1,3% dos licenciamentos do mês. A empresa ainda comercializou 335 picapes Tunland, híbridas.

O atrativo da eletrificação é limitado ao segmento de comercial leve: nos planos das marcas chinesas de caminhão já aqui instaladas o foco não são os veículos elétricos. A Foton tem um, o caminhão iBlue. A Jac, por meio do Grupo SHC, do empresário Sergio Habib, já mantinha uma tímida operação de caminhões 100% elétricos e vendeu, de acordo com a Fenabrave, 128 unidades de janeiro a novembro.

Mas, sob o controle da matriz, a Jac Caminhões anunciou, no início do mês, a chegada de sua operação com foco no diesel. Quatro modelos chegam ao mercado em janeiro e a meta é alcançar 5% de participação, com plano de fábrica local.

Outra marca que, segundo a reportagem da Agência AutoData apurou, está estudando retornar é a Sinotruk. Representantes da empresa estiveram na inauguração da Pace, Planta Automotiva do Ceará, e, apesar da operação não estar adaptada à montagem de caminhões, existem conversas com os empresários cearenses. É possível haver novidades em breve.

Concorrentes olham com atenção

O discurso das fabricantes com décadas de operação local é o mesmo: a competição é bem-vinda desde que com as mesmas regras, afirmaram executivos de montadoras à reportagem. Para circular por aqui é preciso obedecer às normas de emissão P8 do Proconve, equivalente ao Euro 6, e aos importados é incidida, ainda, tarifa de importação de 35%.

Os chineses, ao menos neste primeiro momento, estão mirando os segmentos de leves e médios, de menor volume – mas que estão em alta.

Hoje as marcas de origem chinesa respondem por menos de 1% do mercado mas há dois anos eram pouco mais do que isto no segmento de automóveis e comerciais leves. Atualmente estão beirando os 10% das vendas.

Stellantis desmontou 370 veículos em cem dias de operação em Osasco 

São Paulo – Nos primeiros cem dias de operação o Centro de Desmontagem Veicular Circular Autopeças da Stellantis, inaugurado em agosto, em Osasco, SP, desmontou 370 veículos, média de 125 unidades por mês. Segundo a empresa aproximadamente 6 mil componentes usados foram endereçados à comercialização. Deste total, 1,6 mil já foram vendidos por meio de canais físicos e digitais, incluindo peças multimarcas.

Em seu primeiro balanço a Stellantis informou que a loja oficial da Circular AutoPeças no Mercado Livre respondeu por 66% das vendas, enquanto que 34% dos itens foram adquiridos por meio da loja física do centro de desmontagem em Osasco.

A companhia informou que, em breve, a Circular AutoPeças também contará com e-commerce próprio, assim ampliando o acesso a componentes certificados e de origem controlada.

Nestes primeiros cem dias foram recicladas 246 toneladas de aço e de alumínio, reaproveitadas 16 toneladas de plástico e recuperada 1 tonelada de cobre. Hoje 100% dos materiais dos veículos desmontados são reaproveitados, incluindo fluidos, óleos, combustíveis e matérias-primas como aço, ferro, alumínio, cobre e outros metais nobres. 

Geely inaugura o maior centro de segurança veicular do mundo

São Paulo –  O Grupo Geely inaugurou, na China, o maior centro de segurança da indústria automotiva global, com 45 mil m². A unidade recebeu investimento de cerca de US$ 283,5 milhões.

No novo centro a montadora realizará testes de colisão em alta velocidade, de proteção de pedestres com testes de tecnologias ativas para este tipo de situação e de segurança das baterias de veículos híbridos e elétricos. Sistemas de propulsão abastecidos com novas energias e tecnologias de cibersegurança também serão testados na unidade.

Segundo a Geely o novo centro também traz outros recordes, como o maior laboratório de segurança automotiva, a maior pista de testes de colisão interna e o maior túnel de vento.

Karin Rådström é a nova presidente do conselho de veículos comerciais da Acea

São Paulo – Karin Rådström, presidente e CEO da Daimler Truck, foi eleita presidente do conselho de veículos comerciais da Acea, Associação Europeia de Fabricantes de Automóveis, cargo que assume partir de 1º de janeiro. Rådström sucede a Christian Levin, presidente e CEO do Scania e do Traton Group, que ocupou a posição este ano.

A executiva apontou que existem desafios que põem em risco a competitividade do setor e declarou apoio integral ao objetivo da União Europeia de descarbonizar o transporte, o que é reforçado com dezenas de modelos de caminhões e ônibus com zero emissões em produção em série.

Ressaltou, porém, que a adoção substancial por parte do mercado só ocorrerá quando os clientes puderem operar estes veículos de forma tão eficiente e rentável como os veículos convencionais, “e por isto precisamos de revisão acelerada da legislação sobre emissões de CO2 para veículos pesados ​​até meados de 2026”. 

Para ela a comissão deve agir com urgência para evitar que as empresas fabricantes tenham de pagar multas enquanto as condições essenciais para a sua implementação não estiverem em vigor:

“As obrigações dos fabricantes devem estar alinhadas ao desenvolvimento de redes de infraestrutura de carregamento e de hidrogênio e com medidas políticas que apoiem modelos de negócio sólidos aos clientes, como a adoção de taxas rodoviárias baseadas nas emissões de CO2 em todos os estados-membros”.

70% dos veículos eletrificados que rodam na 99 são BYD

São Paulo – Os motoristas parceiros da plataforma 99 que utilizam veículos eletrificados têm, em sua maioria, um modelo BYD: segundo a empresa 25 mil dos 34 mil híbridos e elétricos cadastrados são da marca, o que representa 70% do volume total.

Os modelos preferidos pelos motoristas da 99 são Dolphin Mini, Dolphin GS, Dolphin Plus e o sedã híbrido King.

A economia de combustível mensal é superior a R$ 3 mil, de acordo com os relatos de alguns motoristas, que consideram este o principal motivo para trocar um modelo com motor a combustão por um híbrido ou elétrico.

Renault encerra operação de compartilhamento de carros da Mobilize 

São Paulo – O Grupo Renault informou na sexta-feira, 12, que seus programas de compartilhamento de carros Mobilize será descontinuado frente à expectativa frustrada de que os serviços de mobilidade seriam novas fontes importantes de receita. Por enquanto a marca Mobilize ainda será usada para as ofertas de serviços financeiros do grupo, incluindo o RCI Banque. De acordo com reportagem da Automotive News Europe os serviços de compartilhamento de carros em Madri e Milão, Itália, sob a marca Zity, serão encerrados em breve.

Além disto será interrompida a produção do quadriciclo elétrico Duo, sucessor do pioneiro Renault Twizy. O Duo foi lançado em abril, com uma versão de carga chamada Bento. Estes serviços operavam sob o nome Mobilize Beyond Automotive.

Frente à falta de rentabilidade do sistema de compartilhamento de carros a rede de recarga da Mobilize, que atualmente conta com cerca de sessenta estações de recarga rápida na França, será integrada à operação comercial do Grupo Renault — assim como outras atividades em andamento, que incluem o desenvolvimento da tecnologia V2G, tecnologia que permite que um veículo elétrico não apenas receba eletricidade para carregar sua bateria mas, também, a devolva para a rede elétrica, e o serviço Charge Pass, que dá a cerca de 90 mil usuários acesso a 1 milhão de pontos de recarga em toda a Europa.

Shell lança V-Power Diesel de olho no crescimento do mercado

São Paulo – A Shell, marca controlada pela Raízen no Brasil, lançou o Shell V-Power Diesel S10, uma nova geração do seu diesel aditivado. Em fase final de testes e com previsão de chegada aos postos em janeiro de 2026, a empresa disse que o produto deve gerar economia de combustível de, pelo menos, 3,5% na comparação com o diesel S10 sem aditivos.

O Shell V-Power Diesel já existe na Europa e em outros mercados, como Estados Unidos, há alguns anos. Para ser lançado aqui foram necessários dois anos de trabalho da equipe local para adaptar o produto, principalmente por causa da adição de 15% de biodiesel, algo que não ocorre em outros países, disse Márcio Antônio Lassen, especialista de combustíveis da Raízen:

“Durante este trabalho já preparamos o nosso Shell V-Power Diesel para uma mistura maior de biodiesel, uma vez que a previsão é de chegar a 20% até 2030 e, talvez, avançar ainda mais nos anos seguintes”.

Para testar o seu novo diesel aditivado no Brasil a Shell contou com a parceria da Mercedes-Benz, que realizou ensaios de bancada e de rodagem com o novo combustível, incluindo misturas maiores de biodiesel, que em alguns casos chegou a 30%, para ver a capacidade de mistura e desempenho do produto nos motores. 

No Brasil o diesel S10 representa 70% do total vendido, com o restante sendo de S500, porém a Shell acredita que este cenário mudará até 2034, com o S500 representando apenas 4% do mercado, se não for descontinuado antes pelo governo. Diante deste cenário de avanço do diesel S10 a empresa acredita que tem oportunidades para aumentar suas vendas, afirmou o gerente de marketing Brenno Souza:

“Queremos avançar neste mercado que tem como consumidores principais os clientes B2B, os caminhoneiros e os proprietários de SUVs e picapes movidos a diesel. O nosso maior cliente hoje é o segmento B2B, pois áreas como mineração, agronegócio e construção civil tem um alto consumo do combustível em suas operações”.

O mercado de diesel no Brasil deverá registrar 69,7 bilhões de litros vendidos em 2025, incremento de 3,1% sobre 2024, sendo este o novo recorde nacional.

Vonixx investe R$ 200 milhões no Ceará

São Paulo – A Vonixx, fabricante cearense de produtos estéticos automotivos, anunciou investimento de R$ 200 milhões para construir nova fábrica em Fortaleza, CE, às margens da BR-116. O projeto, que marca a maior expansão industrial da empresa desde a sua fundação, em 2002, tem como objetivo ampliar a capacidade produtiva, acelerar a inovação tecnológica e apoiar seu crescimento no mercado global. 

Segundo Paulo Henrique Nobre, CEO da Vonixx, a nova unidade foi planejada para “acompanhar o ritmo de expansão acima da média do setor e elevar seu nível de competitividade”.

Com portfólio diversificado de produtos, com mais de 250 itens dentre ceras, xampús, polidores e selantes, a Vonixx exporta para mais de quarenta países, principalmente na América Latina. 

A previsão é que a nova unidade opere parcialmente de março a abril. A conclusão do espaço deve ocorrer em até dois anos. Enquanto isto a atual fábrica, localizada no bairro Paupina, continuará em funcionamento e integrada à estratégia logística e produtiva da empresa.

Renault e Ford fecham acordo para produção de elétricos na Europa

São Paulo – O Grupo Renault e a Ford anunciaram parceria com o objetivo de ampliar a gama de veículos elétricos da Ford para o mercado europeu. O primeiro passo será o desenvolvimento conjunto de dois carros elétricos baseados na plataforma Ampere.  

Projetados pela Ford e produzidos na unidade do Grupo Renault no Norte da França, conhecida por ElectriCity, a expectativa é a de que o primeiro dos dois automóveis a bateria chegue às concessionárias no início de 2028.

O plano é estender esta colaboração para veículos comerciais. As duas empresas assinaram carta de intenções estabelecendo cooperação na área de veículos comerciais leves na Europa para abrir a possibilidade de desenvolvimento conjunto para as duas marcas.

Changan soma 30 milhões de veículos produzidos

São Paulo – A Changan, marca chinesa que chegará ao Brasil em parceria com a Caoa, celebrou a marca de 30 milhões de veículos produzidos no mundo. O modelo que atingiu este marco foi o Avatr 12, um sedã elétrico de luxo.

A intenção da Changan é produzir veículos na fábrica da Caoa em Anápolis, GO, fazendo da unidade um polo regional de desenvolvimento, testes e indústria 4.0 para atender às demandas na América do Sul.