São Paulo — A Scania decidiu avançar em nicho bastante específico do agronegócio brasileiro. Depois de lançar, há dois anos, o P 280 XT 6×4 para a mistura e a distribuição de ração para gado confinado, agora apresenta o novo P 360 XT 8×4. O modelo nasceu para operações de alta severidade em fazendas de grande porte e amplia significativamente a capacidade operacional do conjunto.
Desenvolvido em parceria com a Siltomac, o caminhão chega ao mercado com implemento que transporta até 50 m³ de ração. Ou seja: praticamente dobra a capacidade dos primeiros modelos lançados anteriormente, que operavam com caixas misturadoras de 25 m³ e de 32 m³.
Além disto a Scania aproveitou tecnologias originalmente usadas na mineração para criar um caminhão preparado para operar em baixa velocidade, com alto torque e extrema precisão na distribuição de alimento nos cochos.
Evolução do P 280 6×4 para o novo P 360 8×4
Segundo Marcelo Gallao, diretor de desenvolvimento de negócios da Scania, o projeto surgiu para resolver um problema operacional típico de confinamentos de grande porte. Ou seja: misturar, transportar e distribuir a ração para o gado mantendo padrão rigoroso de homogeneização e velocidade constante.
“No confinamento o animal precisa receber exatamente a quantidade correta de alimento. Se houver excesso ou deficiência na distribuição há perda de eficiência no ganho de peso.”
O primeiro passo deste projeto foi o P 280 XT 6×4. Na época o caminhão já trazia recursos inéditos para a operação pecuária, como velocidades automatizadas e sincronização do deslocamento do veículo com o funcionamento do misturador. Mas agora a Scania elevou o patamar do projeto.

O novo P 360 XT 8×4 recebeu configuração originalmente aplicada em mineração. Desta forma ganhou mais robustez estrutural. Do mesmo modo ganhou maior capacidade de carga e melhor desempenho em terrenos severos.
Redução nos cubos garante precisão operacional
Um dos principais diferenciais técnicos do novo caminhão é o conjunto de redução nos cubos dos eixos traseiros. A solução permite manter velocidade extremamente baixa sem prejudicar o regime de funcionamento do motor. Na prática isto faz diferença durante a distribuição da ração nos cochos.
O caminhão precisa avançar lentamente enquanto o implemento descarrega quantidades precisas de alimento por metro linear. Qualquer oscilação de velocidade, portanto, pode comprometer a eficiência nutricional do confinamento.
De acordo com Gallao a redução nos cubos mantém o motor trabalhando em regime constante. Desta forma evita perda de giro mesmo em velocidades muito baixas ou durante manobras em marcha à ré.
Além disso o sistema calcula exatamente quantos quilos de ração devem cair em cada metro do cocho. Assim a operação ganha padronização e reduz desperdícios.
Mais capacidade reduz viagens dentro da fazenda
Outro avanço importante aparece na capacidade operacional. Enquanto os modelos anteriores carregavam até 32 m³ o novo conjunto chega aos 50 m³ de ração. Com isto a fazenda consegue alimentar mais animais em uma única operação.
Segundo a Scania e a Siltomac confinamentos de grande porte normalmente mantêm a fábrica de ração distante dos cochos. Em alguns casos a distância chega a 10 quilômetros. Desta forma o aumento de capacidade reduz viagens internas, diminui consumo operacional e acelera o fornecimento de alimento ao gado.
Na prática uma operação que antes exigia duas viagens com caminhões menores agora pode ser realizada em apenas um deslocamento.
Tomada de força suporta mistura durante deslocamento
Outro ponto central do projeto é a tomada de força EK740 F. O sistema fornece capacidade elevada de torque para movimentar simultaneamente o caminhão e o implemento misturador.
De acordo com a engenharia da Scania muitas tomadas de força disponíveis no mercado funcionam apenas com o veículo parado. O P 360 8×4 consegue, contudo, misturar a ração enquanto se desloca até o confinamento. Assim o alimento chega ao cocho já homogeneizado.
A operação reduz tempo de processo e melhora a uniformidade nutricional da dieta animal.
Plataforma combina mineração e fora de estrada
Embora o caminhão opere na pecuária sua base técnica vem diretamente das aplicações severas da mineração. O novo modelo utiliza configuração 8×4, chassi alto, longarinas reforçadas e pacote visual XT que inclui protetores de faróis. Além disso traz para-choque metálico saliente, suspensão reforçada e componentes preparados para terrenos irregulares.
Conforme ficha técnica da Scania o caminhão utiliza motor DC09 de 9 litros com 360 cv e 173 mkgf de torque. O conjunto trabalha com transmissão GRS905 de doze marchas e relação de diferencial de 4,38:1, ajustada para rodar em baixíssima velocidade.
Além disto o modelo conta com bloqueio de diferencial, caixa automatizada Opticruise com modos padrão e off-road. O PBT técnico chega a 50 toneladas.
Operação automatizada reduz consumo de combustível
Segundo Dirceu Rodrigues, diretor de pós-venda da Siltomac, a integração eletrônica do caminhão com o implemento trouxe ganhos importantes de produtividade e economia operacional.
O sistema automatiza rotações do motor, velocidade de deslocamento e funcionamento da mistura. Desta forma o operador consegue focar na distribuição da ração e no monitoramento do equipamento. Além disto a operação automatizada reduziu erros humanos. Mas, como lembra a Siltomac, o motorista faz as manobras, as frenagens e as acelerações quando necessário.
Outro benefício aparece no consumo de combustível. Segundo a Siltomac clientes registraram economia de 15% a 22%, dependendo do tipo de operação e das condições do terreno.
O projeto também permite carregar o equipamento com o misturador desligado. Segundo a empresa isto reduz horas de funcionamento do implemento, diminui desgaste e simplifica a manutenção.
Mercado cresce no agronegócio brasileiro
De acordo com a Siltomac o mercado para caminhões alimentadores de gado segue em expansão, principalmente em estados com forte presença de confinamentos. As maiores vendas concentram-se em São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás e Mato Grosso.







