São Paulo – Durante o primeiro semestre foram produzidos 16,2 mil chassis de ônibus, 3,2% acima do mesmo período no ano passado, que somou 15,7 mil unidades. Foi o que apontou balanço da Anfavea divulgado na terça-feira, 7.
Apesar do resultado positivo no acumulado do ano em junho a produção de chassis colocou o pé no freio. Saíram das linhas de montagem 2,3 mil unidades, 20,8% abaixo das 2,9 mil de maio e 15,1% aquém das 2,7 mil do mesmo mês em 2025.
Foram comercializados 10,2 mil ônibus nos seis meses iniciais do ano, recuo de 11,6% sobre os resultado do acumulado de 2025, 11,6 mil. No mês passado, no entanto, foram registradas 2,1 mil unidades, 36,7% acima das 1,6 mil de maio e 11,6% acima das 1,9 mil de junho do ano anterior.
O resultado expressivo foi impulsionado pelo Move Brasil 2, que reservou R$ 2 bilhões em crédito a juros subsidiados desde o fim de maio. O programa ainda deverá exercer impacto positivo nas vendas do mês que vem.
Por incluir micro-ônibus este foi, segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, o segmento que mais cresceu em emplacamentos, ao passo que ônibus urbanos e rodoviários amargam quedas.
Espera pelo Caminho da Escola tem seus efeitos na indústria
Apesar do respiro pontual trazido pelo Move Brasil o ano não está sendo fácil para os fabricantes de ônibus porque 2026 é marcado por eleições. Se por um lado, no primeiro semestre houve uma concentração de licitações, principalmente para o transporte público, no segundo nada disto é permitido.
Ao longo dos últimos seis meses ocorreram diversas entregas remanescentes do edital do Caminho da Escola do ano passado. O deste ano, entretanto, amplamente aguardado pela indústria, está travado. Segundo o FNDE, Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, o pregão para registro de preços de ônibus escolares segue em regular tramitação administrativa porém o item 2 foi objeto de medida cautelar do TCU, Tribunal de Contas da União, e permanece em fase de julgamento de propostas, sem homologação ou contratação.
A medida cautelar decorre de representação apresentada pela Iveco e questiona a não aplicação da margem de preferência para produtos nacionais em sua proposta. No entanto a situação ocorreu em razão de erro no cadastramento da própria proposta pela empresa, que não inseriu corretamente as informações necessárias para usufruir do benefício da margem de preferência, o que a tirou do certame. Até o momento o TCU ainda não emitiu decisão.
Anfavea revisa projeções para ônibus
Neste cenário a Anfavea revisou suas projeções para ônibus. É esperada a venda de 22,5 mil unidades em 2026, 6,1% abaixo das 23,9 mil do ano passado. Para a produção a perspectiva é de retração de 11,3%, com 25 mil chassis, contra 28,1 mil de 2025.
Quanto às exportações o recuo aguardado é ainda maior, de 31,4%, com 4,4 mil unidades, enquanto que no ano anterior foram enviados a outros países 6,4 mil. De janeiro a junho os embarques somaram 2,2 mil unidades, 31,3% abaixo dos seis meses iniciais de 2025, 3,2 mil.







