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Produção de caminhões reage em junho, mas ainda é negativa no acumulado

Move Brasil ameniza, mas não reverte queda, e Anfavea revisa suas projeções para 2026

São Paulo – Saíram das linhas de produção das montadoras brasileiras 56,8 mil caminhões de janeiro a junho, 14,4% aquém dos 66,4 mil fabricados no mesmo período do ano passado. Foi o que informou a Anfavea na terça-feira, 7.

Em junho foram produzidos 10,9 mil veículos, 3,5% abaixo das 11,3 mil unidades do mesmo mês de 2025. Em comparação a maio, quando foram fabricados 10,5 mil caminhões, no entanto, houve acréscimo de 3,9%, impulsionado pelo Move Brasil 2, que começou a vigorar, justamente, no fim de maio.

“Move Brasil ameniza mas não reverte a queda”, afirmou o presidente da Anfavea, Igor Calvet. “Embora muito bem-vindo ao mercado, reflete na projeção para 2026 reduzindo a curva de queda. O que estava ruim continua ruim, só que de forma atenuada”.

Calvet referiu-se ao fato de as vendas, no acumulado deste ano, terem passado em janeiro de um recuo de 31,5%, para o atual, de 10,5%, com 49 mil unidades comercializadas. E destacou que o desempenho de junho, no comparativo de um mês com relação ao mesmo período no ano anterior, foi o melhor desde março de 2025, pois foi a primeira vez, desde então, que houve crescimento interanual.

Foram emplacados em junho 9,8 mil caminhões, 14,7% acima dos 8,5 mil registrados no mesmo mês em 2025. Frente a maio, que registrou 8,4 mil vendas, também houve acréscimo de 15,9%. O impacto do programa do governo federal de socorro a indústria, que já soma mais de R$ 27 bilhões, também foi visto durante a primeira etapa do Move Brasil, quando, de fevereiro para março, as vendas saltaram de 6,7 mil para 8,8 mil.

Segundo Calvet 76% do aumento das vendas é creditado aos caminhões pesados e extrapesados, mais caros e que, portanto, necessitam mais dos subsídios do programa, que oferece financiamento a juros em torno de 13% ao ano com carência de até um ano e prazo de pagamento de até dez anos.

Anfavea revisa projeção para caminhões

Neste cenário a Anfavea revisou suas projeções, diante da expectativa de a economia ainda seguir com dificuldades. Também foi colocado na conta o inegável reflexo impresso pelo Move Brasil. No caso das vendas o ano deverá encerrar com queda de 6%, totalizando 106,7 mil veículos.

“Se considerarmos que em 2024 foram comercializados 125 mil caminhões, em 2025 113,4 mil e que, para este ano, são esperados 106,7 mil, teremos uma perda de 18 mil unidades em dois anos”, afirmou o dirigente. “É o mesmo tamanho do mercado argentino de caminhões. Significa, portanto, dizer que perdemos uma Argentina neste período.” 

Para a produção a entidade projeta 118,1 mil unidades, queda de 4,8% em comparação às 124,1 mil fabricadas no ano passado. E, para a exportação, é aguardada redução de 6,2%, de 26,9 mil para 25,3 mil unidades. De janeiro a junho foram embarcados 11,3 mil caminhões, 16,2% abaixo do primeiro semestre de 2025. 

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