São Bernardo do Campo, SP – A Scania deu um dos passos mais importantes na renovação de sua linha de ônibus ao lançar a nova plataforma Super no Brasil. A principal novidade é o retorno do motor de 11 litros, uma configuração que marcou a história da fabricante nas décadas de 1980 e 1990, com as Séries 3 e 4, e que agora reaparece equipada com tecnologias inéditas. E, assim, aumentar a eficiência energética, reduzir emissões e diminuir os custos operacionais.
A nova motorização estreia nos ônibus urbanos e rodoviários com potências de 350 cv, 390 cv e 430 cv. Ao mesmo tempo, o já conhecido motor Super de 13 litros permanece nas versões de 460 cv e 500 cv destinadas às aplicações de maior capacidade, como os chassis 6×2 destinados às longas distâncias e 8×2 Double Decker.
Segundo Marcelo Gallao, diretor de desenvolvimento da Scania Brasil, o retorno do 11 litros atende a uma demanda antiga do mercado. “O cliente sempre sentiu falta de um motor intermediário do 9 ao 13 litros. O 11 litros se destacou no mercado pela simplicidade, robustez e economia. Agora ele volta com toda a tecnologia da plataforma Super.”
Plataforma Super entrega ganho mínimo de 8%
Além das motorizações a Scania estima que a nova plataforma ofereça ganho mínimo de 8% em eficiência energética. Isso quando comparada à atual linha equipada com motores Plus.
Esse resultado combina as evoluções do motor, da transmissão, dos eixos e do gerenciamento eletrônico do trem de força. Ao mesmo tempo, a fabricante calcula que a nova geração custa, em média, 7% mais do que a plataforma atual.
Entretanto, Gallao afirma que o investimento se paga ao longo da operação. “Comparando a nova plataforma com a atual, temos um ganho mínimo de 8% de eficiência energética.”
Por ora, a Scania manterá as duas plataformas disponíveis. Dessa forma, operadores que priorizam menor investimento inicial poderão optar pela linha Plus, enquanto empresas que buscam menor consumo de combustível, maior disponibilidade mecânica e redução dos custos de manutenção terão na plataforma Super uma alternativa mais vantajosa em termos de custo total de propriedade.

Motor estreia segunda geração da tecnologia Super
Seja como for, o retorno do motor de 11 litros vai muito além da volta de uma cilindrada histórica. Segundo Gallao, o novo propulsor representa uma evolução. Afinal incorpora soluções inéditas que ainda não chegaram ao motor de 13 litros.
Nesse sentido, o motor trabalha com taxa de compressão de 23,5:1. Ou seja, uma das maiores já utilizadas pela Scania em um motor diesel produzido em série. A pressão na câmara de combustão chega a 250 bar, elevando significativamente a eficiência térmica.
Para suportar esse esforço, os engenheiros abandonaram o tradicional cabeçote individual utilizado na linha Plus. Agora, o motor utiliza um cabeçote único, fixado por uma estrutura mais robusta.
“Quando aumentamos a taxa de compressão, o cabeçote individual já não suportava os esforços. O cabeçote único permitiu elevar a pressão e melhorar a eficiência do motor.”
Comando variável muda a forma como o diesel trabalha
A maior inovação do novo 11 litros está no sistema de comando variável de válvulas. Até agora, o gerenciamento dos motores diesel concentrava praticamente todo o controle na injeção eletrônica de combustível.
No novo motor, a Scania passou a controlar também a entrada e a saída de ar da câmara de combustão.
Dois atuadores hidráulicos variam continuamente o sincronismo das válvulas de admissão e escape conforme a carga, a rotação, a altitude e diversas condições de operação.
Com isso, o motor elimina componentes tradicionais, como as válvulas borboleta da admissão e do escape e parte dos dispositivos utilizados anteriormente no freio motor. Segundo Gallao, essa estratégia melhora a combustão e proporciona mais de 2% de economia de combustível em relação ao motor Super de 13 litros.
Freio motor também ficou mais eficiente
O comando variável também elevou a eficiência do sistema CRB, o freio motor por descompressão integrado ao próprio propulsor.
Como o controle das válvulas ficou mais preciso, o sistema gera maior vácuo durante a frenagem e aumenta a capacidade de retenção do veículo sem recorrer aos antigos freios auxiliares. Além de melhorar o desempenho, a solução reduz o número de componentes mecânicos.
Novo sistema reduz consumo de Arla 32
Outra novidade do 11 litros é o sistema Turbo Dosing. Nos motores convencionais, o Arla 32 entra no escapamento depois da turbina. Mas agora a Scania injeta o reagente diretamente na turbina, que gira a cerca de 40 mil rpm.
A própria turbina transforma o Arla em uma névoa extremamente fina. Assim aumenta o aproveitamento do reagente. Como resultado, o consumo cai de aproximadamente 11% para menos de 9%.
Motor gera menos calor e reduz peso
A evolução da combustão também permitiu reduzir a necessidade de refrigeração. O novo motor utiliza cerca de metade do volume de fluido refrigerante da geração anterior. Além disso, o tanque de expansão ficou 50% menor e o radiador também encolheu.
O conjunto perdeu peso e liberou espaço para a instalação dos componentes do ônibus.

Trem de força trabalha como um conjunto
A Scania reforça que a plataforma Super não envolve apenas um novo motor. Todo o trem de força evoluiu.
A transmissão G25 utiliza carcaça de alumínio, que reduz cerca de 75 quilos, e adota um sistema de lubrificação por spray que diminui o atrito interno e acrescenta mais de 2% de eficiência.
As trocas acontecem em aproximadamente 150 milissegundos, enquanto a primeira marcha oferece maior multiplicação de torque para facilitar arrancadas. Já a última marcha reduz a rotação do motor em velocidade de cruzeiro.
Os novos eixos 756 também contribuem para a redução de peso. O eixo traseiro ficou 27 quilos mais leve e recebeu novas relações de transmissão. Somando transmissão e eixo, o conjunto economiza mais de 100 quilos, o equivalente ao peso de um ou dois passageiros.
Sistema de combustível chega aos ônibus
A nova plataforma também incorpora aos ônibus o sistema FOU, já utilizado nos caminhões com motor Super da Scania. O conjunto reúne captação de combustível, pré-filtragem, separação de água e eliminação de bolhas de ar antes da alimentação do motor.
O sistema permite utilizar até 95% do volume útil do tanque, melhora a qualidade do combustível entregue ao motor e reduz o risco de contaminação.
Maior parte da linha passa a usar o novo motor
O novo motor de 11 litros passa a equipar praticamente toda a gama de ônibus rodoviários e urbanos da Scania. A nova família inclui os modelos K 350, K 390 e K 430, destinados às operações urbanas e rodoviárias de média e longa distância.
Já os modelos mais pesados, como os chassis 6×2 para longas distâncias e os chassis 8×2 destinados ao turismo continuam utilizando o motor Super de 13 litros.
Próximo passo pode ser o caminhão
Embora o lançamento aconteça inicialmente apenas na linha de ônibus, Gallao confirmou que a arquitetura do novo 11 litros já desperta interesse para futuras aplicações em caminhões.
Segundo ele, o propulsor atende perfeitamente operações de distribuição regional, e-commerce e transporte rodoviário nas configurações 4×2 e 6×2 de curtas e medias distâncias.
Além disso, o executivo acredita que as tecnologias desenvolvidas para o novo 11 litros, como o comando variável de válvulas e o Turbo Dosing, devem migrar futuramente para o motor Super de 13 litros. “É uma tendência natural. O grupo que desenvolveu o 11 litros criou essas soluções. Por isso, no futuro, elas chegam também ao 13 litros.”


















