São Paulo — Tábua da salvação do mercado de ônibus últimos anos, a licitação do programa do governo federal Caminho da Escola realizada no primeiro semestre para a compra de 7 mil 470 ônibus passou por reviravoltas que alteraram os valores negociados e questionamentos na Justiça que travaram seu andamento. Embora a Volkswagen Caminhões e Ônibus tenha sido a grande vencedora do pregão, com 88% dos pedidos, ou 6 mil 590 unidades, nenhum contrato foi assinado até o momento, o que deixa tanto o mercado quanto a montadora com projeção de queda nas vendas para este ano.
“O segundo semestre de 2025 foi forte justamente por causa do Caminho da Escola. Tivemos um pico de produção e o mercado recebeu um impulso que agora não temos”, afirmou Ricardo Alouche, vice–presidente de vendas, marketing e pós-vendas da VW Caminhões e Ônibus. “A concorrência ainda está para ser oficializada. Até agora não assinamos contrato de nenhum lote. Ou seja, deve começar a ter reflexo no Renavam só no fim do ano.”
O executivo acredita que até o início de setembro seja dado algum parecer e o processo avance, o que permitirá também a montadora a se programar com relação à produção.
Move Brasil 2 antecipou compras da LatBus
Alouche completou que se somam ao cenário a parada nas licitações públicas por se tratar de ano eleitoral e a falta de volume por causa do cenário econômico, de juros ainda em patamar elevado, a elevação da inadimplência e a consequente maior restrição do acesso ao crédito.
No caso dos ônibus, portanto, o vice-presidente está em linha com a projeção da Anfavea de queda de 6%, diferentemente de caminhões, em que ele tem um pouco mais de otimismo e crê em estabilidade. “Mesmo assim, esta queda aguardada eu avalio de uma forma positiva, frente a tudo o que tá acontecendo no mundo: é o Trump com tarifaço, é a Selic muito alta, é a inadimplência elevada. Então em tese tudo rema contra. Por isso que eu diria: manter o mercado ou cair 6% está ótimo.”
Na prática, significa vender em torno de 19 mil unidades.
Com a inclusão dos ônibus no Move Brasil 2 houve uma antecipação de compras, na visão do executivo, de volumes que eram aguardados para a LatBus 2026. Dos R$ 2 bilhões em crédito a juros subsidiados pelo governo, a estimativa é que a VW Caminhões e Ônibus tenha obtido fatia de 28%, em linha com sua participação de mercado.
Quanto ao número de veículos comercializados, nos quarenta dias de programa foram faturados pela empresa em torno de quinhentos chassis, sendo cerca de 60% por meio desses recursos, ou seja, trezentos, eminentemente urbanos, mas também de fretamento.

Programa permanente também é arma contra importados
Sendo assim, no segundo semestre o que deverá movimentar o mercado, além de emplacamentos remanescentes do programa de incentivo, será a obrigatoriedade de renovação em alguns casos.
“Para alavancar não tem outro jeito, é preciso haver um programa de sustentação permanente. Porque os pontuais são como injeção de adrenalina. De repente acaba o dinheiro e vem a ressaca. E o pior para a indústria é medir o tamanho da ressaca. Esse é o desafio com que nós estamos lidando. Tem muita demanda reprimida.”
O incentivo permanente privilegiando a produção local seria, inclusive, chave para elevar a competitividade frente à maior entrada de produtos importados. Enquanto isso, as montadoras ampliam a oferta de seus portfólios mais modernos, inclusive com mais veículos elétricos, mas o preço ainda segue como impeditivo da maior adoção à tecnologia.
Por exemplo, desde que lançou seu e-Volksbus durante a última LatBus, em 2024, foram comercializadas trezentas unidades, sendo sessenta emplacadas. Isto porque a homologação junto à SP Trans ocorreu em novembro do ano passado. O preço gira em torno de R$ 3 milhões.
Outras opções têm sido parcerias, como com a empresa Blu Eletric, que faz a eletrificação do chassi, e o veículo é vendido por R$ 2,5 milhões. Há 350 unidades em circulação e 110 encomendados com entrega prevista ao fim do ano.
“Estamos abertos a qualquer opção. O importante é criar alternativas e produtos que caibam no bolso do cliente e que favoreçam sua aquisição.”






















