Hannover, Alemanha — A retomada dos investimentos globais em defesa está abrindo uma nova frente de crescimento para a Mercedes-Benz Trucks. A companhia vê espaço para ampliar significativamente a participação dos seus caminhões comerciais em aplicações militares e trabalha com a perspectiva de levar o negócio de defesa para cerca de 1 bilhão de euros em receita até 2028.
A ideia ganhou relevância diante da mudança no cenário geopolítico. Depois de aproximadamente duas décadas de redução dos gastos relativos com defesa países passaram novamente a elevar os investimentos militares.

Para Achim Puchert, CEO da Mercedes-Benz, este movimento cria uma oportunidade não apenas para fabricantes de equipamentos militares específicos mas, também, para empresas capazes de fornecer soluções de logística: “Quanto melhor a logística maior o sucesso das operações militares”.
A avaliação do executivo é que a natureza das operações de defesa também mudou. A logística ganhou peso e passou a exigir veículos capazes de transportar equipamentos, suprimentos e outros recursos com eficiência em diferentes condições de operação. Nesse contexto caminhões pesados ganham importância estratégica.
Actros e Arocs entram no radar
A Mercedes-Benz não parte do zero para explorar este mercado. Parte da ação é baseada no aproveitamento de veículos já existentes no portfólio comercial. Modelos como Actros e Arocs podem atender aaplicações de defesa, e o Unimog possui histórico consolidado nesse tipo de utilização.
A vantagem, segundo Puchert, está justamente em utilizar uma base tecnológica e industrial já desenvolvida para o mercado civil e adaptá-la às necessidades específicas dos clientes militares. Isso permite à Mercedes-Benz aproveitar plataformas, componentes, capacidade industrial e conhecimento acumulado em veículos pesados.
O plano também reduz a dependência de um produto exclusivamente militar, criando uma ponte para os negócios de caminhões comerciais e de defesa.
Gastos militares voltam a crescer
Puchert considerou que a atual expansão dos gastos militares representa uma mudança importante. Durante aproximadamente vinte anos os investimentos em defesa perderam espaço em diferentes países. Agora o movimento se inverteu: “O aumento da percepção de risco geopolítico levou governos a rever prioridades e ampliar orçamentos destinados à defesa”.

Para a Mercedes-Benz Trucks isto significa um mercado potencialmente maior para veículos de transporte e logística. O executivo ressaltou, porém, que não se trata apenas de vender caminhões para transportar equipamentos militares. A logística tornou-se uma parte crítica da capacidade operacional das forças armadas.
Em operações modernas deslocar rapidamente equipamentos, peças, combustível, suprimentos e outros recursos pode ser tão importante quanto a própria disponibilidade dos sistemas de defesa.
Caminhões comerciais ganham nova função
A ideia também mostra como a fronteira que vai do caminhão comercial ao veículo militar pode ser mais flexível do que parece. Actros e Arocs nasceram para operações de transporte civil mas suas características de robustez, capacidade de carga e operação em diferentes condições permitem adaptações para missões de defesa.
O Unimog segue uma lógica ainda mais ampla, com histórico de utilização por forças armadas e órgãos públicos em diferentes países. Zetros, por sua vez, foi desenvolvido com o DNA militar.
Assim a Mercedes-Benz pode explorar o crescimento da demanda militar sem depender exclusivamente de uma plataforma criada do zero para a defesa.
Para Puchert esta combinação de portfólio comercial com capacidade industrial e aumento dos investimentos governamentais cria uma oportunidade concreta de expansão.























