Pouso Alegre, MG — A Iveco aposta no pós-venda para enfrentar o aumento da concorrência no mercado latino-americano, principalmente com a entrada de fabricantes chinesas. A companhia inaugurou o Centro de Distribuição de Peças em Pouso Alegre, no Sul de Minas Gerais. A estrutura recebeu R$ 93 milhões e ampliou em 40% a capacidade de armazenamento com relação à operação anterior, em Sorocaba, SP.
Para Domenico Nucera, chefe de qualidade e operações do Grupo Iveco, a disponibilidade de peças e a rapidez no atendimento podem ser diferenciais em um mercado mais pressionado por preço: “Estamos entrando em uma arena que é muito agressiva. Pela primeira vez a América Latina, principalmente a Argentina e o Brasil, estão vivenciando a entrada de concorrentes da China. Isso é algo que já vivenciamos na Europa”.
Na avaliação do executivo parte destes fabricantes trabalha com vantagens de custo decorrentes do controle de matérias-primas e de diferentes etapas da cadeia de valor. Neste cenário a Iveco vê o atendimento ao cliente como uma forma de reduzir o impacto desta diferença.
“Na China há o controle total de toda a cadeia de materiais e da cadeia de valor. A área do negócio em que podemos ter sucesso, ou até compensar este tipo de desvantagem econômica e comercial representada pelo custo, é exatamente o negócio de atendimento ao cliente.”
O novo centro foi construído justamente para ampliar a capacidade de atendimento. A unidade ocupa 20 mil m², conta com dezessete docas e poderá ser ampliada em mais 35%. A operação movimentará cerca de 5,8 milhões de peças por ano para Iveco, Iveco Bus e FPT.
A mudança também altera o modelo de operação. O antigo centro de Sorocaba era compartilhado com a CNH Industrial. Com o novo espaço o Grupo Iveco passa a contar com uma estrutura dedicada à operação brasileira.

De acordo com Márcio Querichelli, presidente da Iveco na América Latina, a localização foi definida após a análise de mais de vinte cidades. O objetivo era encontrar o ponto mais adequado tanto para o recebimento de componentes dos fornecedores quanto para a distribuição à rede de concessionários e aos clientes.
“Ele precisa estar localizado num ponto logístico que seja estratégico com relação aos fornecedores. Porque recebemos peças dos fornecedores de todo o Brasil e estas peças são enviadas para os concessionários e para os clientes.”
A proximidade também está ligada ao tempo de disponibilidade. Para Nucera reduzir o período em que um caminhão fica parado para manutenção ou reparo é parte importante da ação de pós-venda: “Quando algo acontece você precisa estar lá, pronto, com as peças próximas de onde você opera e muito rápido para entregar as peças onde forem necessárias”.
A estrutura foi dimensionada também a partir do crescimento da própria Iveco no Brasil desde 2020, segundo Querichelli: “Conseguimos crescer dentro do mercado brasileiro quatro vezes em termos de volume. Em peças de reposição, que têm a ver com isso tudo aqui hoje, crescemos seis vezes”.
Estrutura pode receber produtos da Tata
Além de atender ao crescimento atual o novo centro poderá ser ampliado para acompanhar os próximos movimentos do Grupo Iveco. Dentre eles está a possível integração de produtos com a Tata Motors, com quem a empresa mantém um processo de combinação de negócios ainda não concluído.
Nucera afirmou que a estrutura de Pouso Alegre foi projetada para permitir expansão e que uma das possibilidades futuras é utilizar o espaço também para produtos da Tata. Ele, porém, ressaltou que não existe ainda uma definição sobre como essa operação seria feita.
“Pode ser um centro exclusivo da Iveco, pode ser que também venha trazer produtos da Tata. Contudo ainda não temos estabelecida uma definição, um plano amarrado, pois o acordo não está plenamente formalizado.”
Segundo o executivo a companhia vê a estrutura como o início de um novo ciclo: “Este é apenas o ponto de partida”.
Integração com outros mercados
Pouso Alegre fica no Sul de Minas e o centro tem como foco principal o mercado brasileiro, mas a operação também mantém integração com outros mercados latino-americanos. A Argentina, por exemplo, possui um centro de distribuição próprio em Buenos Aires. A Iveco também envia peças para outros países da região, como Chile, Peru e Colômbia, combinando fornecedores locais e importações.
Para Nucera ampliar a proximidade com os clientes ganha importância justamente em um cenário de maior disputa. O preço de aquisição é apenas uma parte da decisão do transportador, segundo ele, que depois passa a observar o custo necessário para manter o veículo em operação.
“Quando um cliente está comprando um produto ele também está mirando no preço. Mas um minuto depois o que ele está focando é o custo operacional, o custo por quilômetro: quanto custa manter este negócio, quanto custa operar os nossos veículos.”
Neste contexto o novo centro de peças passa a integrar plano de negócios mais amplo da Iveco para sustentar o crescimento e preservar a competitividade em um mercado com novos participantes.























