AutoData - Rede Peugeot Citroën já tem a primeira casa unificada no País
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18/02/2015

Rede Peugeot Citroën já tem a primeira casa unificada no País

Por Michele Loureiro

- 18/02/2015

O presidente da Associação Brasileira dos Concessionários da Citroën, Abracit, Luiz Carlos Bianchini, afirmou que a unificação das operações da rede de concessionárias Peugeot e Citroën, hoje totalmente independentes, é um processo facultativo no País. “Nenhum concessionário será obrigado a aderir ao processo se não se sentir confortável.”

Reportagem veiculada pela Agência Autodata em dezembro revelou que a unidade brasileira da PSA Peugeot Citroën trabalha há alguns meses no chamado Projeto Y, que pretende unificar as redes no País, a exemplo do que já acontece na Europa. Na prática apenas fachadas, entradas, showroom e equipe de vendas terão necessariamente que ser distintas.

Bianchini disse que a Abracit foi informada sobre o processo há cerca de quatro meses e que o movimento ainda é recente, portanto é difícil prever como os concessionários se adaptarão. “Estamos cientes do processo de reestruturação da PSA no mundo e isso também inclui mudanças no Brasil. No entanto não é uma questão que será resolvida do dia para a noite.”

A cidade de Taguatinga, a vinte quilômetros de Brasília, DF, foi eleita para testar o novo formato da operação: desde setembro a concessionária da cidade, a Saga France, engloba as duas marcas.

Segundo Jameson Hoewell, gerente comercial da concessionária, a unidade recebeu investimentos do Grupo Saga e também da PSA para ser formatada. “A PSA nos procurou para iniciar um projeto-piloto. Julgamos o formato interessante e nos adaptamos.”

A previsão, segundo Hoewell, é que o faturamento da unidade aumente de 20% a 25% neste ano devido ao novo formato. O Grupo Saga tem 60 concessionárias no País e representa dezoito marcas. “Acreditamos que a consolidação é uma tendência para enfrentar tempos de maior concorrência. Ainda avaliamos a adoção do formato em outras concessionárias, pois tudo ainda é muito novo.”

Dentre os pontos positivos da unificação o gerente pontua a otimização dos custos, com compartilhamento do setor administrativo e de pós-vendas, e o aumento do fluxo de pessoas. “Os clientes têm mais atrativos para nos visitar, e além disso se sentem amparados ao notar que as marcas estão investindo.”

A concessionária, que abriga as duas marcas em um mesmo espaço, porém com showroom diferenciado, passou a dividir até mesmo o número de telefone. “Estamos aproveitando cada sinergia possível.”

Para o presidente da Abracit, que representa 155 concessionários da marca Citroën no País, em alguns casos a solução de unificar as redes pode ser positiva. “Em localidades aonde uma concessionária não vai bem a outra marca pode ajudar a alavancar as vendas a partir da união. Essa integração ajudará na redução de custos, pois a área administrativa poderá ter uma sinergia.”

Como alguns modelos das duas marcas francesas dividem a mesma plataforma Bianchini afirma que na área de reposição de peças e estoques a sinergia pode alcançar 80%. No entanto ele ressalta que a identidade visual das marcas deve ser mantida intacta, além da política comercial de cada companhia – que atua, com CNPJs diferentes.

“No caso de optar pelo compartilhamento os concessionários precisarão investir nas adaptações físicas.”

Mesmo não sendo um processo simples, principalmente na fase inicial, Bianchini qualifica a possibilidade de unificação como benéfica. “É uma ferramenta a mais a ser avaliada em um momento de aumento da competitividade na indústria automotiva. No entanto, há de haver concordância integral dos concessionários envolvidos e esse não é um processo muito simples.”

Na avaliação do presidente da Abracit, que possui uma revenda da Citroën em São José dos Campos, SP, o movimento de unificação deve ser mais intensificado nas grandes cidades em um primeiro momento. “Sei de discussões em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, onde há mais concentração da concorrência e a união pode representar um trunfo. Já nas cidades menores acredito que essa onda deve demorar mais a chegar.”


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