Durante encontro anual com a imprensa, realizado em Ingolstadt, na Alemanha, na terça-feira, 10, o board da Audi AG respondeu, por escrito, às perguntas dos jornalistas brasileiros.
Os executivos da montadora demonstraram extremo otimismo com o mercado brasileiro e a futura parcela do País nos negócios globais da Audi – a aposta é que estaremos no top 10 da marca até 2020. Mesmo os resultados de curto prazo justificam as expectativas: em janeiro e fevereiro, apesar da retração significativa do mercado total, as vendas da fabricante cresceram 20% e 10%, respectivamente, no comparativo anual – e isso mesmo com 2014 representando recorde histórico de vendas para a marca das quatro argolas por aqui.
Confira a seguir a entrevista concedida pelos executivos do board da Audi, direto da Alemanha.
A Audi reforçou suas vendas no Brasil em um momento em que o mercado encolhe. Qual é a importância do País e da futura planta local para os negócios da Audi?
O Brasil teve o maior crescimento dentre os vinte principais mercados da Audi no mundo em 2014, e seu potencial de crescimento é enorme. O segmento premium ainda representa apenas 2% do mercado total, enquanto esse índice na China é de quase 10%. Esperamos que o Brasil se torne um dos dez maiores mercados da Audi em 2020.
Que desafios a Audi enfrenta para tornar viável sua produção no Brasil?
O Brasil reserva conta para todas as indústrias, como a logística. No entanto a produção no País foi avaliada com muito cuidado e estamos nos preparando da forma mais completa possível. Além disso temos a vantagem dos muitos anos de experiência na rede de produção global. Temos, portanto, as ferramentas certas para administrar com sucesso essa nova expansão.
A Audi compartilhará componentes e fornecedores com a Volkswagen no Brasil?
Como fazemos parte de um grande Grupo temos vantagens competitivas na negociação com fornecedores, como escala maior na compra de produtos e serviços. Desenvolvemos também outros fornecedores que estarão aptos a atender nossos padrões de qualidade. É importante ressaltar que manteremos o sistema de produção da Audi na unidade brasileira, com normas comuns de qualidade para todas as fábricas, que todos os fornecedores devem cumprir.
Qual o tamanho da cadeia de abastecimento local?
Compraremos a quantidade de peças nacionais que for possível. Também usaremos motores flex 1,4 litro turbo FSI produzidos na planta [da Volkswagen] de São Carlos, SP. A decisão de compra de componentes locais leva em conta aspectos econômicos, qualitativos e estratégicos: compraremos no Brasil as peças certas e cumpriremos plenamente os requisitos do Inovar-Auto.
Quais serão os componentes locais dos Audi feitos no Brasil? Quais componentes ainda serão importados?
A quantidade de peças locais e peças importadas serão definidas pelas regras do Inovar-Auto. Ainda não é possível confirmar o porcentual de conteúdo local.
A construção da linha de produção brasileira está seguindo o cronograma?
Sim, estamos seguindo nosso cronograma da linha de produção em São José dos Pinhais, PR. O A3 Sedan começou a ser montado em pré-séries no princípio de 2015 e o início da produção nacional está programado para setembro ou no máximo outubro.
Modelos Audi e Volkswagen serão produzidos na mesma linha de montagem?
Produziremos nas instalações da fábrica da Volkswagen, no entanto a equipe, os padrões de qualidade e os fornecedores seguirão diretrizes da Audi. Para atender aos requisitos específicos Audi é importante reforçar que as unidades de produção multimarcas são uma prática comum e bem-sucedida no Grupo VW, como se vê com o Q3 em Martorell [planta da Seat na Espanha] e pelo Q7 em Bratislava [fábrica da Volkswagen na Eslováquia].
Quais são os planos imediatos, de médio e longo prazo da Audi no País?
A Audi traçou uma estratégia de investimento que sustente seu crescimento no Brasil em longo prazo. Este planejamento, que já está sendo aplicado, traz não só resultados imediatos como suportará a nossa meta de 30 mil unidades vendidas por ano no país em 2020 – 26 mil de produção local e os outros 4 mil importados. Comprovando que nossa perspectiva é factível já começamos 2015 com resultado positivo de vendas para a Audi do Brasil: em janeiro registramos crescimento de 20% em vendas no varejo com relação ao mesmo período do ano anterior, com 1 mil 331 carros entregues. Em fevereiro o resultado também superou os números do mesmo mês de 2014, com 1 mil 223 unidades vendidas no varejo, alta de 10%. No curto prazo, além do início das operações da nossa linha de produção em São José dos Pinhais com o A3 Sedan, destacamos investimento em infraestrutura e serviços de pós-venda, com aumento da capacidade do Centro de Distribuição de Jundiaí, que será concluído até junho.
Como está a situação dos salários nesta equação de economia difícil? E o que o Brasil deveria fazer para ser competitivo?
O País passa por reformas e já é a sétima economia do mundo. Neste sentido a empresa segue confiante no seu poder de recuperação, que não deverá ser de curto prazo mas que até 2017 já estará mais célere.
O A3 Sedan nacional seguirá exatamente as mesmas especificações do modelo ora importado? Haverá alguma subtração com relação a equipamentos?
Ainda não divulgamos muitas especificações do A3 Sedan brasileiro. Mas certamente terá um nível similar de equipamentos ante o modelo oferecido atualmente [importado da Alemanha].
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