A Fiat Chrysler Automobiles anunciou na segunda-feira, 27, que recomprará dos clientes modelos envolvidos em chamados de recall, caso este seja desejo do consumidor. A montadora pagará o valor atualizado frente ao 0 KM, descontado de uma taxa de depreciação mais 10% – ou seja, acima do valor de mercado.
A ação, ao menos por enquanto, ficará restrita aos Estados Unidos. A oferta valerá para os modelos Chrysler Aspen e Dodge Durango 2009, as picapes Dodge RAM 1500, 2500, 4500 e 5500 fabricadas de 2008 a 2012 e a Dodge Dakota 2009 a 2011, envolvidos em três recalls. Ao todo os chamados envolvem cerca de 500 mil veículos e a recompra poderá ocorrer para aproximadamente 40% deles que não passaram pelo serviço, ou algo como 200 mil veículos.
A iniciativa é parte de acordo da FCA com a NTHSA, órgão de segurança veicular estadunidense, que representou multa recorde para a fabricante, que pode chegar a US$ 105 milhões. De imediato a montadora pagará, em dinheiro, US$ 70 milhões ao órgão. Deve gastar aproximadamente outros R$ 20 milhões na recompra dos veículos e pode arcar com mais US$ 15 milhões caso outras falhas sejam descobertas ou ocorra descumprimento de alguma parte do acordo – a FCA aceitou ainda ser monitorada de forma interna e independente por um auditor.
Também como parte do acordo a FCA concordou em pagar valores acima de mercado para proprietários de veículos Jeep Grand Cherokee fabricados de 1993 a 1998 – alvo de discussão da Chrysler com a NHTSA há vários anos por possibilidade de incêndio em caso de colisão traseira, por conta da localização do tanque de combustível – na troca por um modelo 0 KM da FCA ou pagamento por serviços e acessórios. A solução para este caso é a instalação de um engate, campanha que também será reforçada e que foi alvo de chamado inclusive no Brasil.
Ao todo a NHTSA verificou incorreções em 23 recalls convocados pela FCA. Para o órgão, a montadora colocou os proprietários e o público em geral em risco ao não atender às regras estadunidenses para convocação de chamados de correção de defeitos em seus veículos. Em nota, a montadora admitiu as falhas e afirmou que o acordo não colocará suas finanças em risco.
A FCA será responsável ainda por custear por completo um auditor e, caso este deseje, sua equipe. Ele ficará baseado na própria sede da FCA nos Estados Unidos e terá acesso a e-mails, dados e informações sobre recalls convocados e a convocar, por três anos, bem como terá poderes para entrevistar qualquer executivo da empresa que deseje a respeito. A própria montadora tem até setembro para indicar um profissional para o posto, mas este deverá ser aprovado pela NHTSA. Caso não entrem em acordo, a indicação do nome partirá da agência.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias