Descoladas do momento de retração enfrentado pelo setor automotivo, Honda e Toyota são as meninas dos olhos da Cooper Standard, fabricante de vedação e antivibração e componentes para transferência de freio e combustível. Enquanto as montadoras registram vendas cerca de 20% menores no acumulado do ano, as japonesas nadam de braçada – e levam consigo seus fornecedores.
No acumulado do ano até agosto Honda e Toyota cresceram 17,9% e 4,5%, respectivamente. Segundo Jürgen Kneissler, diretor geral da Cooper Standard para a América do Sul, a expansão dos números das clientes levará a um aumento de capacidade na fábrica de Atibaia, SP.
“O plano já foi elaborado, mas estamos aguardando o sinal verde em decorrência do cenário econômico do País”.
O executivo não revela pormenores da expansão da unidade, mas afirma que parte dos investimentos terão origem da matriz. “A decisão final deve ser tomada em breve”.
Kneissler destaca que a boa fase das montadoras japonesas colabora para amenizar a queda geral do mercado. “Mesmo assim não estamos imunes ao momento desafiador e nossas vendas estão menores”. No ano passado a empresa faturou R$ 400 milhões no País. “Neste ano devemos ficar na casa dos R$ 350 milhões”.
Além da queda das vendas, a companhia lida com outra dificuldade: a alta do dólar. “Cerca de 70% do plástico e 20% da borracha que usamos para a fabricação dos nossos produtos são importados. Sentimos uma importante alta nos custos nos últimos meses”.
Com todo esse cenário, companhia precisou reduzir seu quadro de funcionários. Segundo o executivo, cerca de 300 trabalhadores foram dispensados neste ano e agora há 1,6 mil colaboradores no Brasil.
Reestruturação – A empresa de origem estadunidense está passando por um processo de reestruturação global. Parte de sua diretoria foi trocada nos últimos meses e as alterações chegaram ao Brasil. A operação nacional completa 20 anos em 2015 e Kneissler chegou há dois meses, vindo da Webasto, com o objetivo de ampliar a participação da América do Sul no faturamento global.
Atualmente a companhia possui três fábricas no Brasil – Atibaia, SP, Camaçari, BA e Varginha, MG –, que respondem por cerca de 5% do faturamento global. “Queremos expandir esse montante com novas tecnologias e localizando mais nossa produção. Está no radar da empresa construir fábricas em outros países da região”.
Uma parte da estratégia de crescer na América do Sul mexeu diretamente coma estrutura da empresa. Há dois anos a matriz não é mais a fonte de reportes da operação local.
“Nos reportamos diretamente para a operação da Europa, pois o Brasil exige uma mentalidade mais aberta com a qual os estadunidenses estão menos acostumados. Além disso, nosso portfólio é mais parecido com o mercado europeu”, explicou o executivo. “Essa mudança já tornou mais ágeis as decisões e nos permite ser mais flexíveis”.
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