No ano passado PIB da ilha cresceu 8,7%, maior expansão em quinze anos e, recentemente governo investiu US$ 460 bilhões em pesquisas e na expansão de novos mercados
Taipé, Taiwan – O Taipei Nangang Exibition Center abriu as portas na terça-feira, 14, para receber o 360º Mobility Mega Show, que congrega três importantes feiras dedicadas à cadeia do setor automotivo, Taipei Ampa, e-Mobility Taiwan e Autotronics Taipei, que reúnem novecentos expositores de dezesseis países. Durante a abertura ficou clara a missão do evento: mostrar o que a pequena ilha a Sudeste da China faz de melhor, que passa pela indústria de semicondutores e o investimento em pesquisa apoiado pelo governo, e se reflete na mudança do papel dos veículos diante do avanço da conectividade e automação.
Chairman do Taitra, Conselho de Desenvolvimento do Comércio Exterior de Taiwan, James Huang traçou comparativo sobre a função de um veículo cinquenta ou quarenta anos atrás e hoje. Ele iniciou seu discurso lembrando que o primeiro carro em que andou foi um Volkswagen Fusca, em 1970. E que sua primeira aquisição foi um Ford Cortina, em 1980 – modelo que nunca foi comercializado no Brasil pois, na época, a montadora deu preferência ao Maverick.
Naquele período, lembrou, o mais importante era saber se o veículo era confiável e, principalmente, acessível.
“Hoje nossas expectativas são muito diferentes. Esperamos que a mobilidade seja muito mais inteligente, mais conectada, eficiente e que atenda aos nossos desejos.”
Segundo Huang existe o anseio de fazer mais do que simplesmente transportar as pessoas de um ponto a outro: “Esperamos que os carros interajam com os motores, se conectem com a infraestrutura, apoiem a sustentabilidade e se alimentem sincronizadamente com nossas vidas seguras”.
Diante da reformulação da mobilidade pela eletrificação, pela transformação digital, pela conectividade e pela inteligência os veículos tornaram-se plataforma de tecnologia e dados, além de importar o quanto ele polui, dispõe de entretenimento e a experiência do usuário.
“Esta é uma revolução da indústria. Toda a linha de suprimentos está sendo reformulada. Os modelos de negócios estão mudando. É por isso que o tema do evento deste ano, Potencializar cada Movimento, é tão significativo. Nos lembra que cada passo para o trabalho, cada inovação e cada passo para a sustentabilidade são importantes, assim como cada parceria une empresas e mercados.”
Huang disse que Taiwan entende bem desta transformação, uma vez que, por décadas, vem sendo reconhecida pela força de sua indústria, sendo parceiro global em semicondutores, eletrônicos, automação e inovação automotiva:
“Em um tempo em que as indústrias estão reforçando e acelerando a mudança estas forças importam mais do que nunca. E Taiwan contribui com capacidade, acessibilidade e confiança. É o que queremos transparecer neste evento que conecta o ecossistema completo de mobilidade, inclusos veículos elétricos, soluções de energia, sistemas de transporte e aplicações de mobilidade futuras”.
Concorrência será definida pelo poder dos dados
É também o que pensa Jerry Hsu, vice-chairman da Teema, Associação de Fabricantes de Equipamentos Elétricos e Eletrônicos de Taiwan, que conta com mais de 3 mil integrantes em dezessete indústrias diferentes, incluídos semicondutores, telecomunicações, equipamentos eletrônicos pesados e eletrônica para automóveis.
O dirigente afirmou que, com o passar dos anos, este segmento não somente sustentou o crescimento industrial de Taiwan como também a expansão da economia local e, por que não, mundial: “A indústria automotiva global está passando por sua transformação mais profunda neste século. A inteligência artificial mudou da nuvem para a cabine do veículo, de software para chassis. O veículo não é mais apenas um sinônimo de transporte: nós estamos evoluindo em uma plataforma de computação inteligente, integrada com comunicações artificiais e manutenção energética”.
A concorrência, segundo Hsu, será definida pelo poder de computação, da capacidade de software, de dados e governança. E os conectores que reforçam este cenário são, além dos softwares, automóveis autônomos, 6G, comunicação e regulações de AI.
Taiwan investiu US$ 460 bilhões para impulsionar sua indústria
A vice-ministra da Economia, Cynthia Kiang, avaliou que nos últimos anos a economia de Taiwan tem se mantido bastante estável e com grande potencial de crescimento. E que no ano passado alcançou a maior taxa de expansão do PIB nos últimos quinze anos, 8,68%. O movimento foi motivado, segundo ela, especialmente pela exportação e fabricação de novas tecnologias, que mantiveram um alto nível de competição internacional.
Enfrentando a renovação do mercado de comércio diante dos conflitos geopolíticos, como as guerras vigentes, e a mudança da política de impostos, disse Kiang, a exemplo do tarifaço imposto pelos Estados Unidos, os produtos made in Taiwan seguem recebendo grande aprovação no mercado internacional.
“Ao mesmo tempo a indústria local mantém capacidade de integração vertical de alto nível. Respondemos rapidamente às necessidades dos clientes. Esta é uma das prioridades quando o assunto é distribuição internacional”, afirmou a ministra. “A tecnologia do futuro e a transformação são temas que todos os setores devem enfrentar. A indústria automotiva também acelera o desenvolvimento da tecnologia eletrônica e da inteligência. E, como temos uma base de produção completa, e um sistema de conexão com a indústria eletrônica, usufruímos de posicionamento firme no mercado mundial.”
Para apoiar o desenvolvimento e crescimento da indústria o Ministério da Economia investiu recentemente US$ 460 bilhões no setor, incluindo socorro financeiro e novas pesquisas de olho na expansão dos mercados de atuação das empresas locais.
“Esperamos ajudar fabricantes, especialmente as empresas de pequeno porte. E também estabelecemos o Centro de Desenvolvimento da Indústria para oferecer suporte em novas tecnologias que envolvam energia, robôs e inteligência artificial. Prosseguir com a introdução da AI em diversas indústrias, inclusive na automotiva, faz com que o carro também se torne uma marca de movimento intelectual.”