Em meio a mais de 250 empresas startups na região do Porto Digital, no Recife Antigo, bairro da capital pernambucana, a Fiat Chrysler Automobiles inaugurou na quarta-feira, 2, a primeira unidade do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Engenharia Automotiva no Estado onde ergueu sua segunda fábrica de automóveis no Brasil. Será o quarto do tipo no mundo e trabalhará em conjunto ao de Betim, MG, Turim, na Itália, e Auburn Hills, nos Estados Unidos.
Erguido em um restaurado prédio histórico onde antes funcionava um armazém de açúcar, o Centro de Software se dedicará ao desenvolvimento de softwares automotivos para controle de motores e transmissões, tem como vizinhas diversas companhias de tecnologia, naquele que já está sendo considerado o Vale do Silício do Nordeste.
Mais do que contratos e negócios com os vizinhos, Stefan Ketter, presidente da FCA para a América Latina, deseja aproveitar-se da convivência das mentes inovadoras para o surgimento de muitas novas ideias. “A indústria automotiva está mudando, ficando cada vez mais digital e devemos nos preparar para essa revolução. É importante estar nesse ambiente tecnológico. A parte informal, o dia-a-dia na região, vale mais do que muitos contratos”.
O Centro de Software inaugurado em Recife focará no desenvolvimento de programas que visam ganhos em eficiência energética, redução do consumo de combustível e emissão de gases dos veículos e melhor dirigibilidade, aprimorando o desempenho do powertrain.
Trata-se da primeira de quatro unidades para desenvolvimento de veículos da FCA em Pernambuco: até meados de 2016 serão inaugurados um Centro de Testes Veiculares em Jaboatão dos Guararapes, um Centro de Projetos em Cabo do Santo Agostinho e um Campo de Provas em Goiana, próximo à fábrica que produz o Jeep Renegade e a picape Fiat Toro, que será lançada no começo do ano que vem.
Nas quatro unidades a FCA investe R$ 140 milhões. “Não mexemos nos nossos planos de investimento. São aportes importantes e estratégicos, com ou sem crise”.
Pernambuco, por seu clima e localização – além do excesso de trabalho nos outros centros da FCA no mundo – torna-se candidato a receber projetos de veículos destinados a outros países. Segundo o executivo o calor, a umidade e o fato de estar no nível do mar geram condições complexas para alguns testes.
“Já há alguns países interessados. Vamos trabalhar em conjunto com os outros centros e os Estados Unidos e a Itália, além de Betim, usarão os serviços de Pernambuco”.
Ketter elogiou por mais de uma vez a qualificação dos profissionais pernambucanos. Ponderou que, por ainda ser uma região sem tradição automotiva, não tem ainda como desenvolver um carro completo, do zero, a partir do Centro de P&D nordestino.
Mas afirmou que pretende alcançar esse nível em cinco anos. “Seria um recorde total. Vamos pegar esse desafio e correr atrás”.
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