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18/01/2016

O que esperar de 2016?

Por José Rubens Vicari

- 18/01/2016

Gostaria de começar esse texto dizendo: não é bem o que esperar da economia brasileira, do ambiente de negócios, do agito político e de como podem influenciar na gestão das empresas no ano que vem mas, sim, o que será possível realizar em 2016 dadas as premissas consideradas no plano de negócios da empresa diante das mais recentes leituras de cenários divulgadas.

 

Esses dados, caso sejam confirmados, indicam claramente que não é possível esperarmos avanços, para melhor, no ambiente econômico brasileiro para o ano que vem, uma vez que praticamente todas essas métricas mostram desempenho negativo exigindo muito esforço das empresas para diminuírem os impactos negativos nos volumes de negócio e, lógico nos resultados financeiros.

É importante dizer que, de forma diferente à do Brasil, outras economias mundo afora, como a estadunidense, a europeia, do Japão e mesmo da China, manterão certo equilíbrio comparativamente ao desempenho de 2015, ou seja, nessas regiões e países não se prevê mudança, para pior, da economia. Até na América Latina países como Chile, Colômbia, México, Peru e até a Argentina, agora com novo governo, deverão repetir 2015 ou até apresentarem alguma melhora nos indicadores.

 

Esses dados são, de fato, muito preocupantes pois, caso as previsões sejam materializadas, pelo terceiro ano consecutivo haverá queda na atividade produtiva afetando toda a cadeia de empresas do segmento automotivo brasileiro, ainda que aqui ou ali se registre algum êxito no aumento das exportações.

Ademais, os pesados investimentos em novas plantas industriais, tanto no segmento de leves como nos pesados e ainda em máquinas agrícolas, ocorridos nos últimos cinco anos geraram capacidade que nem de perto será ocupada em 60% considerando dois turnos de trabalho. Com certeza a indústria fará outros ajustes no volume da mão de obra empregada criando mais desemprego no setor.

Mas nem tudo está perdido – simplesmente não será possível sonhar com retomada de investimentos, margens de lucro generosas e aumento do emprego. Os cintos continuarão apertados, bem apertados…

A bem da verdade a grande esperança da indústria automotiva brasileira residirá no nível estimado da taxa cambial, trazendo mais competitividade tanto para a exportação, no caso das montadoras e fabricantes de autopeças, como no mercado interno, para os sistemistas e outros fabricantes de peças que poderão reconquistar parte do terreno perdido, nos últimos dez anos, para itens importados principalmente da Ásia e também do Leste Europeu.

A receita prescrita no planejamento das empresas do setor, para 2016, deve conter:

  • monitoramento da geração de caixa e esforço redobrado para reduzir empréstimos e financiamentos bancários;
  • na linha de geração de caixa: diminuir atrasos na cobrança de clientes, renegociar termos de pagamento com fornecedores, sugerir operações estruturadas com compras em consignação e melhorar o giro dos estoques;
  • intensas negociações de preço para recomposição de margem e até o abandono de linhas de produto não lucrativas;
  • trabalho forte na descoberta de mercados fora do Brasil e até de ampliação do espaço já conquistado nas exportações. Isso pode, e deve, incluir engajamento nas entidades de classe visando a construir junto com o governo federal acordos de negócios multilaterais para o segmento;
  • aperfeiçoamento de produtos e lançamentos de alguns novos que possam encantar o cliente fazendo o volume dos negócios crescer acima da média do mercado;
  • manter a organização da empresa enxuta tanto no chão-de-fábrica como nos escritórios e áreas de apoio à produção;
  • limitação de gastos e renegociação de preços dos serviços contratados;
  • adiamento de novos investimentos, sobretudo nos casos não impactantes das vendas no curto prazo;
  • revisão dos processos e foco neurótico em produtividade com a adoção de novos métodos de trabalho e sistemas automatizados;
  • eliminação de desperdícios, inclusive estimulando as pessoas a darem contribuição de iniciativas para diminuição de custo; e
  • colocar no campo as pessoas de vendas para alavancar novos negócios e aprimorar a distribuição de peças e componentes no território nacional. Isso é válido, sem dúvida, para os fabricantes de autopeças.

O ambiente de negócios continuará difícil em 2016 mas não serão permitidos desânimo e falta de esforço, como dizem as mágicas palavras do poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade no poema Cortar o Tempo: Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias/ a que se deu o nome de ano/foi um indivíduo genial./Industrializou a esperança fazendo-a funcionar no limite da exaustão./Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos./Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.

José Rubens Vicari é administrador de empresas pela FGV com pós-graduação em finanças. Atuou por vinte anos como CEO de empresas metalúrgicas no setor de autopeças. Mentor voluntário para empresas startups pela Endeavour. Seu blog é www.senhorgestao.com.br.


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