As fabricantes de máquinas agrícolas e rodoviárias estão adotando as mais criativas soluções para enfrentar a baixa demanda pelos produtos no mercado brasileiro e internacional, que provocou queda de 52,2% na produção do primeiro trimestre, na comparação com o mesmo período do ano passado, e gerou mais de 70% de ociosidade nas linhas de montagem.
Além de licenças remuneradas, PPE e lay offs, mecanismos que toda a indústria automotiva vem lançando mão a fim de evitar demitir trabalhadores, as empresas estão adiantando as férias coletivas… de 2018.

“Está sendo muito oneroso para as empresas enfrentar uma ociosidade de nível tão elevado”, afirmou Ana Helena de Andrade, vice-presidente da Anfavea, durante a coletiva à imprensa com o balanço do setor, na quarta-feira, 6, em São Paulo. “Nunca o setor de máquinas enfrentou mais de dois anos consecutivos de retração. A demanda caiu em 2014, caiu em 2015 e está novamente caindo em 2016”.
Saíram das linhas de montagem 7,3 mil máquinas agrícolas e rodoviárias de janeiro a março, volume 52,2% inferior ao do primeiro trimestre de 2015. Em março foram produzidas apenas 2,8 mil máquinas, queda de 52,6% com relação ao mesmo mês do ano passado.
O ritmo vagaroso das fábricas acompanha a fraca demanda do mercado brasileiro, que consumiu apenas 6,7 mil máquinas no primeiro trimestre, recuo de 44% com relação aos primeiros três meses de 2015. “A despeito da safra extremamente positiva, os investimentos dos agricultores estão extremamente contraídos”.
Em março foram comercializadas 2,8 mil máquinas, volume 43% inferior ao de igual período do ano passado. Na comparação com fevereiro, mês com menos dias úteis, houve avanço de 17,3%.

Ana Helena de Andrade espera que a Agrishow, mais importante feira destina ao setor da agricultura que ocorre no fim de abril em Ribeirão Preto, SP, ajude a alavancar um pouco das vendas de tratores. Linhas de financiamentos com condições especiais serão oferecidas no evento, sobretudo do programa Protator, do Governo do Estado de São Paulo.
Outro alento começa a chegar do mercado externo, especialmente do continente africano, para onde são mandados produtos por meio do programa Mais Alimentos Internacional. Tal esperança já começa a ser traduzida em números: de fevereiro para março as exportações cresceram 93,9% em volume, para 979 unidades.
O saldo acumulado, porém, segue negativo: recuo de 23,2% no trimestre, com 1 mil 811 máquinas agrícolas e rodoviárias exportadas.

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