Apesar de não ser um grande consumidor de automóveis com bancos em couro, o Brasil é o terceiro maior fornecedor de couro semiacabado para a indústria automotiva mundial, perdendo apenas para China, o primeiro nesse ranking, e México.
A importância do País no mundo do couro e a maior utilização desse material nos automóveis foi enfatizada no seminário O Couro na Indústria Automotiva, promovido pela Lectra na semana passada em sua sede francesa, na região de Bordeaux. O evento reuniu executivos de autopeças e da indústria de curtume de vários países, debatendo evolução e tendências nessa área.
Além de comentar sobre o ranking mundial dos maiores fornecedores de couro para veículos, Roy Shurling, responsável pelo desenvolvimento de negócios globais do mercado de couro automotivo da Lectra, falou também sobre a maior utilização de máquinas de corte digital – tanto de tecidos como de couro – na indústria automotiva:
“A participação dessa tecnologia nas linhas de produção passou mundialmente de apenas 10% em 2000 para 80% no ano passado”.
Um dos palestrantes convidados foi o diretor comercial da divisão de couros do grupo brasileiro JBS, Guilherme Motta, que comentou sobre o aumento da participação do setor automotivo no consumo mundial de couro: “Essa fatia mais do que dobrou de 2009 para 2014, saltando de 8% para 17% no período”.
O Brasil acabou sendo beneficiado com esse movimento, revela Motta: “Em 2000 apenas 5% do total de couro exportado pelo País destinava-se à indústria automobilística. Hoje esse índice chega a 30%”.
No caso da divisão de couros da JBS, que processa 40 mil m² de couro semiacabado – antes do corte – por mês, 50% do seu faturamento concentra-se no setor automotivo e do total que produz 95% são exportados.
Também palestrou o diretor do programa do New Espace, novo veículo familiar da Renault, Gerard Payen, sobre tendências em tecnologia do espaço interno dos veículos: “Segurança e conforto estão na ordem do dia, assim como maior sofisticação, o que envolve aumento do uso do couro no setor”.
Segundo o presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil, José Fernando Bello, o uso de bancos de couros em automóveis chega a 40% na China, índice que no Brasil está abaixo de 5%.
Projeções – Na abertura do seminário promovido pela Lectra o representante da consultoria IHS, Ronan Noizet, forneceu panorâmica sobre o setor automotivo hoje, prevendo crescimento das vendas mundiais de veículos de 15% até 2020.
Comentou que a recuperação no Brasil só virá a partir de 2018, mas previu que América do Sul e Rússia venderão volume adicional de 1,1 milhão de unidades até lá. Esse acréscimo será de 6,1 milhões de veículos na China, de 2,1 milhões nos países desenvolvidos e de 3,3 milhões na Índia e Ásia – exceto Japão e China.
Ainda com relação ao Brasil a diretora de marketing da Lectra, Céline Choussy-Bedouet, admitiu que o momento é difícil, mas ressalvou: “Em algum momento o País voltará a crescer. Não planejamos diminuir investimentos lá, vamos manter nossos planos de olho no futuro”.
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