A queda de braço entre Volkswagen do Brasil e Grupo Prevent, dono da fabricante de bancos Keiper, já gerou 724 demissões nas fábricas paulistas de Araçariguama, Mauá, Ribeirão Pires e São Paulo, de acordo com uma nota divulgada pela fornecedora na manhã de sexta-feira, 9. A empresa estima que os demitidos poderão chegar a 900 até o fim do mês, caso a situação não chegue a uma resolução.
“Fizemos tudo que estava ao nosso alcance para chegarmos a um entendimento. Quando já tínhamos definido os termos de um acordo, repentinamente, e sem que pudéssemos entender os motivos, os executivos da Volkswagen com quem estávamos negociando voltaram atrás e declaram a negociação encerrada”, explicou, na nota Marino Mantovani, presidente do grupo Keiper no Brasil.
Nos últimos anos a Keiper adquiriu várias empresas fornecedoras de componentes para “aproveitar sinergias, criar escala, racionalizar produção e compor uma carteira de clientes para melhorar resultados de modo a compensar as margens extremamente baixas com que é obrigada a operar”.
Quando tentou recompor essas margens, a VW endureceu as negociações. Segundo a fornecedora os preços praticados no contrato estavam defasados em mais de 20%, levando em conta a situação econômica do País e os investimentos feitos nas fábricas da empresa para se adequar aos padrões exigidos pela montadora, responsável por 85% do faturamento da Keiper. “Como [a Keiper] insistiu com seu pleito, pois se tratava de questão indispensável para a sobrevivência dos seus negócios, passou a sofrer retaliação”, explica a nota.
Sem saída amigável, ficou decidido o rompimento unilateral do contrato pela VW, que também retirou seu ferramental de dentro das fábricas de Mauá e Araçariguama, segundo informa a Keiper. A empresa alega também que a VW retém um pagamento de mais de R$ 6 milhões, já protestado.
“A Keiper lamenta profundamente que a Volkswagen tenha provocado esta situação justamente quando o setor automotivo precisa de estimulo para se recuperar das vendas que estão em queda em todo o Brasil”, afirmou Mantovani.
Atualmente todas as fábricas da Volkswagen no Brasil estão paradas, sem produzir veículos. Não há também previsão de retorno ao ritmo normal.
Procurada, a companhia afirmou em nota que a rescisão dos contratos e posterior ida à Justiça “para reaver os ferramentais de sua propriedade foi a sua única alternativa após o descumprimento de onze acordos comerciais estabelecidos com o Grupo Prevent desde março de 2015, quando tiveram início as interrupções de fornecimento que geraram perda de produção de cerca de 150 veículos em mais de 160 dias de paralisação nas fábricas da empresa”.
De acordo com a VW o processo de recuperação dos ferramentais continua em curso e a companhia trabalha para restabelecer o ritmo normal de produção.
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