AutoData - Muitos ovos na mesma cesta
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16/11/2016

Muitos ovos na mesma cesta

Por George Guimarães

- 16/11/2016

Com alguma dose de exagero, pode-se dizer que a operação brasileira da Renault está próxima de se tornar uma fabricante – e ainda mais vendedora – quase que exclusiva de utilitários esportivos ou de produtos com conceito assemelhado.

Ao anunciar a produção local do Kwid e do Captur, além da importação do Koleos, a montadora terá, segundo Fabrice Cambolive, presidente da Renault do Brasil, potencialmente mais de 50% de suas vendas concentradas no segmento em futuro muito breve – talvez já em 2017.

E não será mesmo difícil chegar lá. Na fábrica da empresa em São José Pinhais, PR, já são produzidos o utilitário esportivo Duster, além do Sandero Stepway, versão do hatch com o, digamos, espírito perseguido pelos consumidores que aspiram um utilitário esportivo legítimo.

Ambos já representam perto de 27% das vendas da marca no Brasil no acumulado de janeiro a outubro: 33,1 mil dos 121,5 mil veículos Renault negociados, segundo a Fenabrave. Os outros 73% são divididos entre Clio, Logan, Sandero, Fluence e a picape Oroch – que registrou 11,7 mil emplacamentos no acumulado do ano já –, além dos comerciais Master e Kangoo.

O Kwid, a rigor, está longe de ser um utilitário esportivo, mas a Renault utilizará do marketing e de apetrechos estéticos, como no Sandero, para aproximá-lo do segmento. Ainda assim, o compacto será o modelo de entrada da marca no lugar que vem sendo ocupado pelo Clio há anos.

O presidente da Renault justifica essa opção crescente da marca pelos utilitários esportivos e assemelhados com projeções. Segundo ele, “o segmento tende a crescer muito mais do que o mercado brasileiro nos próximos anos”. A lista de veículos enquadrados como SUV’s pela Fenabrave já tem quarenta modelos.

O fenômeno é mundial e também regional. Olivier Murguet, presidente da montadora na América Latina, calcula comportamento e participação semelhantes dos SUVs nos mercados centro e sul-americanos.

Não à toa, portanto, Cambolive quer dedicar boa parte da produção do Captur, iniciada já este mês – o lançamento será somente em fevereiro – e do Kwid, previsto para sair da linha paranaense no transcorrer do primeiro semestre, para exportação. “Teremos muitas oportunidades e potencial para esses modelos lá fora, e também para os motores”, enfatiza o executivo, que confirma Argentina e Colômbia como destinos certos para o Captur.

As exportações têm registrado participação crescente nas atividades do Complexo Industrial Ayrton Senna, que tem trabalhado com 85% de sua capacidade para dois turnos ou 60 veículos por hora. Na média, está acima dos 20%. Porém, no caso de alguns modelos, como o da picape Oroch, já representam 35% da produção.

Com os novos produtos, considera o presidente que está no Brasil há apenas um ano, a montadora tem tudo para chegar a 8% de participação, talvez já no ano que vem, ou meio ponto porcentual a mais do que registrou no acumulado até outubro e que espera manter até o encerramento de 2016.


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