São Paulo — A Anfavea projeta queda de 5,6% nas vendas internas de máquinas agrícolas e rodoviárias em 2026, para 82 mil unidades, e retração de 11,2% nas exportações, que devem recuar de 23,4 mil para 20,8 mil unidades. O cenário negativo reflete o enfraquecimento já observado em 2025 e no primeiro trimestre deste ano.
O segmento de máquinas rodoviárias encerrou 2025 praticamente estável, com 37 mil unidades vendidas. O volume é semelhante ao de 2024 e ligeiramente abaixo do pico de 2022. Na opinião do presidente da entidade, Igor Calvet, o resultado reflete uma desaceleração após anos de crescimento.
“Nós vimos um crescimento de 2016 até 2022, uma demanda reprimida no pós-pandemia, depois tivemos queda e agora estabilidade.”
A construção civil perdeu força com o crédito mais caro. Ainda assim o setor foi sustentado por construção e locação, que juntos responderam por mais de 50% das vendas, enquanto a mineração ajudou a conter uma queda maior.
O impacto dos juros aparece também no financiamento: mais de 30% das compras foram feitas com capital próprio, pois “os juros elevados têm inibido o acesso às linhas de financiamento”.
Nas atividades de comércio exterior as exportações cresceram 17,8%, chegando a 17,1 mil unidades. Já as importações avançaram quase 10% e ultrapassaram 21 mil unidades, ampliando a pressão sobre a indústria local: “Estamos pressionados sobretudo com o avanço de máquinas importadas da China e da Índia”.
No segmento agrícola cenário está mais negativo. As vendas internas recuaram 3,6% em 2025, para 49,8 mil unidades, cerca de 10 mil a menos do que em 2021. O principal impacto veio das colheitadeiras, que caíram 22%, de 4,3 mil para 3,3 mil unidades — “As máquinas agrícolas já acumulam quatro anos consecutivos de queda nas vendas”.
A retração ocorre apesar de safras recordes, indicando perda de rentabilidade do produtor. Custos elevados, juros altos e queda nos preços das commodities limitaram os investimentos.
Nos tratores apenas os modelos de baixa potência cresceram, impulsionados por programas como o Pronaf, o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar, enquanto máquinas de maior porte recuaram.
No caso de tratores as exportações cresceram 2,4% e as importações avançaram 17%, atingindo 11 mil unidades — movimento que levou o segmento a déficit na balança comercial.
Primeiro Trimestre
No início de 2026 o mercado de máquinas rodoviárias mostrou estabilidade, com alta de 1,5% nas vendas, de 8,8 mil para 8,9 mil unidades. Já o comércio exterior deteriorou: exportações cresceram 1,4%, de 4 mil para 4,1 mil unidades. As importações subiram 17%, de 5 mil para 5,8 mil unidades. O déficit comercial aumentou de 1 mil para 1,7 mil unidades.
A entidade destacou mudanças por mercado, com atenção para Estados Unidos e Argentina nas exportações, e para China e Índia nas importações.
O segmento agrícola teve desempenho mais negativo no trimestre. As vendas caíram 13,1%, de 11,3 mil para 9,8 mil unidades. No comércio exterior o padrão se repetiu com mais intensidade: exportações cresceram 5,7%, de 1,26 mil para 1,33 mil unidades, e as importações saltaram 48,4%, de 2,26 mil para 3,35 mil unidades.
Projeções
A projeção de queda para 2026 é sustentada por fatores estruturais e conjunturais. Dentre eles a perda de competitividade da indústria brasileira. Estudo da entidade mostra que o País é até 27% menos competitivo do que a China e cerca de 20% com relação à Índia em alguns produtos “e isto nos traz uma agenda de País porque esses fatores estão fora das empresas”.
Além disto o cenário internacional adiciona incertezas. Conflitos geopolíticos elevam custos de energia e fertilizantes pressionando margens do agro. O efeito combinado destes fatores, somado ao histórico recente de queda nas máquinas agrícolas e estabilidade nas rodoviárias, justifica a revisão para baixo.
“Este cenário é resultado do acumulado de vários anos de pressões.”