A Mangels Industrial S.A, fabricante brasileiro de rodas de alumínio para o setor automotivo, aprovou em assembleia geral de credores um aditivo ao plano de recuperação judicial que altera as condições de pagamento estabelecidas no plano inicial homologado no fim de 2014.
O aditivo, aprovado pelos credores na sexta-feira, 16, foi homologado na quinta-feira, 24, pelo juiz Marcelo Barbosa Sacramone, da 2ª Vara de Recuperação e Falência de São Paulo. As principais mudanças propostas pela empresa são: carência de 24 meses para o valor principal, carência de 18 meses de juros, alongamento da dívida e cash sweep, ou seja, distribuição de valor quando o saldo de caixa ultrapassar o valor mínimo estabelecido.
De acordo com a Mangels, a empresa vinha cumprindo rigorosamente todos os itens do plano de recuperação aprovado em dezembro de 2014, mas diante do cenário econômico negativo precisou recorrer ao aditivo para redistribuir de forma equilibrada o pagamento da dívida.
“Apesar de todos os nossos esforços e dos resultados positivos que temos alcançado, as condições de pagamento definidas em dezembro de 2014 tornaram-se inviáveis diante da crise econômica atual. Por isto buscamos novas bases que permitem o alinhamento da capacidade de geração de caixa frente ao atual quadro recessivo da economia brasileira”, disse Fabio Mazzini, diretor de finanças, administração e relação com investidores da Mangels e responsável pela reestruturação.
Ciente do seu dever, a direção da empresa deu início a uma profunda reestruturação. Definiu como foco estratégico o negócio de rodas de alumínio, pelo seu maior potencial de crescimento e geração de caixa.
Entre 2015 e 2016, a Mangels foi a fornecedora escolhida para mais de 50 novos projetos de rodas junto às montadoras. Mesmo num ambiente de mercado adverso, a receita líquida acumulada até o terceiro trimestre de 2016 chegou a R$ 340,1 milhões, ligeiramente superior à do mesmo período de 2015.
Paralelamente ao esforço para ampliação de receita, várias iniciativas foram colocadas em prática visando a redução de custos e melhoria do fluxo de caixa. O quadro de executivos foi reduzido de 52 para 25 cargos, o estoque de matéria-prima passou de treze para três dias e praticamente todos os contratos de fornecedores foram renegociados. Na área industrial foram implantadas medidas de redução de despesas, todas representando cortes importantes nos custos operacionais. Como consequência deste processo, a Mangels fechou o terceiro trimestre deste ano com um EBITDA acumulado de R$ 23,9 milhões, revertendo o resultado negativo. Entre 2013 e 2016 a Geração de Caixa/EBITDA teve acréscimo de mais de R$ 110 milhões. Ressalte-se que está adimplente com todas as suas obrigações, seja com fornecedores, funcionários e compromissos fiscais.
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