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01/03/2017

Agronegócio deve fazer melhorar desempenho

Por Bruno de Oliveira

- 01/03/2017

A indústria de máquinas e equipamentos prevê alta de 5% nas vendas este ano. Em 2016 o faturamento das empresas do setor chegou a R$ 66,2 bilhões. O que sustentará o crescimento estimado desta vez, segundo a Abimaq, entidade que reúne os fabricantes, é o agronegócio. Somente para o campo a projeção é de receita 15% superior à registrada no ano passado.

Para José Velloso Dias Cardoso, presidente da Abimaq, a expectativa de safra recorde para este ano fez os clientes tirarem da gaveta planos de investimentos em modernização de máquinas e equipamentos adiados por causa da crise, e isso fará com que o segmento tenha um crescimento maior do que o do setor como um todo este ano, além de refletir no desempenho nas empresas da cadeia automotiva que produzem insumos e componentes para máquinas agrícolas.

Ele conta, ainda, que “o agronegócio é o único setor dentro da Abimaq que vai bem. Nosso número está bem parecido com o da Anfavea, apesar de a projeção da entidade levar em consideração também a produção de automóveis”. A Anfavea estima crescimento de 10,7% na fabricação de máquinas agrícolas, chegando a 59,6 mil unidades.

Exportação – Os números da balança comercial de janeiro já mostram alta nos negócios envolvendo máquinas agrícolas. De acordo com dados da Abimaq as exportações aumentaram 48,7%, com vendas direcionadas principalmente para países da América Latina. Nas importações a alta foi de 36,7%. Os principais mercados foram, pela ordem, Estados Unidos, China e Alemanha.

Se os negócios na vertical agrícola seguem bem o setor como um todo amarga crise cíclica que já dura três anos, segundo Dias Cardoso. Apesar da projeção de 5% de crescimento com relação ao ano passado, o desempenho operacional registrado em janeiro denota que o ano será de desafios, mesmo para se alcançar uma taxa de crescimento considerada modesta pela entidade.

No mês passado a receita líquida do setor foi de R$ 4,2 bilhões, volume 19% menor do que o registrado na comparação anual. É o quarto ano de queda de receitas no período. Nas exportações o desempenho foi ainda mais impactante – queda de 38,7% no volume de vendas ao Exterior, atingindo receita de R$ 445 milhões com a queda de pedidos nos principais clientes do País, Estados Unidos e China. Puxou para baixo os indicadores das exportações o setor de máquinas para bens de consumo, que registrou queda de 73,6%. A queda em máquinas para petróleo e energia foi de 29,3% e em componentes para a indústria de bens de capital de 16%.

Para se recuperar a indústria aponta para a criação de políticas públicas de desoneração e condições de financiamento a longo prazo mais atrativas para o setor. Mário Bernardini, diretor de competitividade da Abimaq, observou que mudanças na indexação da taxa de juros de longo prazo, a TJLP, poderiam diminuir os juros para valores menores que os 14% praticados atualmente para aquisição de máquinas, o que estimularia a contratação de crédito e o consumo. Além disso ele acredita que o estímulo ao comércio de máquinas por parte do governo federal, poderia no médio prazo melhorar a empregabilidade no setor e tornar adimplente as empresas que não suportaram os efeitos da crise.

Bernardini disse que “a indústria não tem interlocutor no governo, não há agenda que inclua o setor na lista de prioridades do País. Houve muitas demissões e só não foi pior porque as empresas não tinham dinheiro para demitir mais pessoas. Posso afirmar que, hoje, metade do setor de máquinas está inadimplente com fornecedores e com a União, contra 25% que estão com as contas em dia. Se apenas esta parte menor está saudável, pode-se imaginar o que está acontecendo com dinheiro para pesquisa e desenvolvimento. Normalmente dinheiro para investir em inovação a empresa retira do lucro. Empresa que não dá lucro, não investe em inovação”.


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