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15/05/2017

Protótipo Nissan usa etanol em célula de combustível

Por Leandro Alves

- 15/05/2017

A Nissan demonstrou na terça-feira, 9, em São Paulo, a possibilidade de utilizar etanol como matriz energética para veículos que serão movidos a eletricidade, uma das alternativas mais inteligentes do ponto de vista de emissões e eficiência. Essa tecnologia cumpriu sua primeira etapa de testes no Brasil no protótipo e-NV200 SOFC, esta última sigla representando a novidade da célula de combustível de óxido sólido, na tradução do inglês.

A combinação de etanol com a água reagindo no calor para criar hidrogênio, que é convertido em eletricidade para os motores, dá-se por meio de uma célula de combustível e-Bio – e pode parecer uma solução complexa (veja imagem abaixo). Mas é pura química condensada em reformadores e pilhas de célula de combustível, tecnologias já bastante testadas pela indústria automotiva. Trocando em miúdos: em países nos quais a infraestrutura de abastecimento está estabelecida, basta mais alguns poucos anos de desenvolvimento para equacionar pequenos problemas de tamanho e peso desse sistema e, claro, custos acessíveis ao consumidor, para que um veículo etanol/hidrogênio/eletricidade possa ganhar as ruas.

Não por acaso o Brasil foi escolhido para os primeiros testes em campo feitos pela Nissan no mundo.Como disse Ricardo Abe, gerente de engenharia da Nissan, “temos a infraestrutura e, o melhor, etanol com água em abundância”.

Essa é uma das quatro tecnologias que a Nissan desenvolve para um futuro não tão distante. A partir de 2020 veículos com essas soluções poderão ser lançados, sem estar descartada qualquer uma das quatro opções. A questão para a Nissan passa pela matriz energética de cada país, de cada região. Abe disse que o veículo elétrico faz mais sentido para lugares onde a infraestrutura, ou as tomadas para recarga, já estão instaladas: “No Japão, por exemplo, temos oitenta estações de células de hidrogênio. Apesar de ser necessária muito mais infraestrutura para o hidrogênio, essa é uma solução que pode ser usada lá no futuro. Não aqui no Brasil, onde o etanol é uma alternativa à gasolina já consolidada”.

A tecnologia surpreende pela eficiência. Ao volante é como se conduzíssemos um veículo elétrico, ou seja, sem qualquer ruído de motor a combustão. No tanque de combustível bastam 30 litros de etanol para que o e-NV200 tenha autonomia para mais de 600 quilômetros, entregando 5 KW de potência, segundo a Nissan. De acordo com a fabricante o custo do quilômetro rodado também é vantajoso: utilizando gasolina o custo é de R$ 0,30 e com a nova tecnologia seriam R$ 0,10.

Quando o assunto é emissão de CO2 na atmosfera a solução é imbatível: “Todo o processo gera pequena emissão, mas isso é anulado no ciclo produtivo do etanol com cana-de-açúcar”.

Agora o e-NV200 SOFC vai para o Japão continuar seu ciclo de desenvolvimento. Além das necessárias evoluções para transformar esse protótipo em um veículo de escala produtiva e comercial, a Nissan também espera boas notícias que podem vir do Rota 2030, que estuda fórmulas de incentivo para a produção de veículos elétricos e híbridos no País. O engenheiro Abe prefere não entrar nessa seara, pelo menos por enquanto: “Desenvolvemos tecnologias pensando apenas nos benefícios que podem trazer para a sociedade. Mas qualquer apoio para a introdução de soluções mais limpas e eficientes é bem-vindo”.


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