Os R$ 9,2 bilhões anunciados pelo governo federal para a compra de máquinas e implementos agrícolas, via Moderfrota, pode provocar alguma renovação da frota ainda que menor do que a estimativa. Pelo menos é esta a expectativa de fabricantes e agricultores. Os primeiros esperam por um ciclo de compras motivado por clientes que buscam por redução de custos por meio de novas máquinas e maior capacidade de armazenamento, mesmo com a manutenção da taxa de juros para o Moderfrota. Os segundos, por sua vez, querem tempo maior de financiamento para aumentar sua capacidade produtiva.
Os recursos do Moderfrota aumentaram 82% neste Plano Safra e o financiamento será de até 90% do valor do bem, com prazo de pagamento de sete anos. Ao todo serão destinados R$ 190 bilhões 25 milhões para o campo em 2017/2018.
Rafael Miotto, vice-presidente da New Holland para América Latina, disse que nesta safra o setor encontrou oportunidades para os produtores utilizarem uma capacidade que vinha ociosa desde 2015. O cenário, então, foi favorável à aquisição de novos veículos e implementos, o que fez o segmento retomar as vendas paulatinamente. Já para este ano safra, a perspectiva de aumento nas vendas de máquinas poderia ser maior se os juros anunciados pelo governo para o Plano Safra fossem menores:
“Houve uma desaceleração da renovação dos equipamentos de 2014 a 2015. Com a perspectiva de super safra o quadro virou e vendeu-se mais internamente. Para o ano que vem, até pela experiência da safra anterior, os produtores investirão em recursos que os façam colher mais, e isso vai repercutir até no segmento de caminhões pesados. Entretanto os negócios poderiam ser melhores se os juros para o Moderfrota caíssem”. Hoje a taxa na linha de financiamento varia de 8,5% a 10,5% ao ano.
Pelo lado dos produtores rurais a expectativa também era de redução maior dos juros. Segundo João Francisco Adrien, diretor da SRB, a Sociedade Rural Brasileira, a disponibilidade de crédito condiz com a demanda projetada para a safra futura e a reposição de máquinas é constante no campo, o que garante os investimentos ao longo do período de produção de grãos: “A demanda interna garantirá o pagamento dos empréstimos e isso motivará o produtor a investir em aumento de capacidade. Prova disso foram os negócios firmados na Agrishow, que teve um aumento das vendas com relação ao ano passado e é considerado um evento que serve de termômetro para o setor”.
Dados da Anfavea, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, já mostram os sinais de retomada em 2017. Em 2013, ano de vendas históricas, foram comercializadas no Brasil 82 mil 761 unidades. No ano seguinte houve queda, para 69 mil 163. Em 2015 a queda foi drástica, para 45 mil 268 máquinas. No ano seguinte o volume foi menor, 43 mil 586 unidades. Nos cinco primeiros meses deste ano 17 mil 262 unidades já foram vendidas, o que representou alta de 28,7%.
Implementos – O Plano Agrícola para o ano que vem é visto como positivo também pelo segmento de implementos que passa por momento de queda nas vendas e que enxerga na agricultura uma espécie de porto seguro para os negócios no País. Entretanto, o segmento deverá ter menos oportunidades do que o setor de máquinas e equipamentos agrícolas.
Segundo Alcides Braga, presidente da Anfir, a Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, isso acontecerá porque ainda há uma parcela significativa da frota de caminhões paradas nas garagens dos produtores agrícolas: “A próxima safra vai tirar da ociosidade os veículos que estavam parados, que são muitos no País. A demanda esperada vai servir para melhorar o aproveitamento da frota nacional”.
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