Os primeiros resultados de vendas divulgados pela Anfavea neste ano contaram com uma novidade: os SUVs deixaram de ser classificados como comerciais leves, como acontecia há mais de uma década, e passaram a ser contabilizados como automóveis desde 1o. de janeiro. Entretanto o resultado prático, ao menos no primeiro mês, mostrou um efeito oposto ao imaginado, com aprofundamento da queda nos automóveis.
Segundo os dados da associação foram comercializados 206,1 mil automóveis no primeiro mês do ano ante 255,4 mil um ano antes, queda de 19,3% na comparação anual. Como a série histórica foi toda corrigida os SUVs foram transferidos de categorias em todos os resultados anteriores e, assim, a comparação reflete a real queda do mercado.
Já os comerciais leves, categoria que passou a contemplar apenas picapes e furgões, teve recuo de 14,6% – portanto índice menos acentuado do que a queda observada em automóveis. Ao total foram emplacadas 38,1 mil unidades no primeiro mês de 2015 e 44,7 mil um ano antes.
Segundo a Fenabrave os SUVs, isolados, responderam por 8,6% das vendas no mês, com 21,1 mil unidades. Um ano antes o porcentual era maior, de 9,2%, com 27,5 mil unidades.
Com isso, caso os SUVs ainda fossem incorporados à categoria de comerciais leves a queda nestes teria sido de 17,9%, uma vez que a categoria teria respondido por 59,2 mil unidades ante 72,2 mil um ano antes. Neste cenário a queda do segmento de automóveis teria sido menos aguda, de 18,8%, para 185 mil unidades ante 227,9 mil há um ano.
Portanto a atual formatação, no primeiro mês de vida, em lugar de reduzir a queda em automóveis a acentuou, devido à menor participação de SUVs na venda total na comparação anual.
A ideia da Anfavea, que ganhou a adesão das estatísticas da Fenabrave, foi colocada em prática na tentativa de encerrar a distorção nos números, uma vez que há muito tempo os SUVs deixaram de ser ferramentas de trabalho – como são classificados prioritariamente os comerciais leves.
Para Luiz Moan, presidente da Anfavea, a antiga classificação distorcia os índices do mercado interno. “A retração real em automóveis em 2014 foi menor do que mostrava a estatística de até então.” Quanto ao resultado de janeiro, argumenta que “as novas estatísticas levarão algum tempo para se consolidar”. No total do ano passado a mudança de fato funcionou: no resultado ajustado de 2014 os automóveis registraram 2,8 milhões de unidades, em queda de 8,1%, enquanto os comerciais ficaram estáveis com 539 mil. Antes, o resultado era baixa de 9,4% nos automóveis e alta de 1,6% nos comerciais leves.
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