O cenário do segmento de implementos rodoviários no primeiro semestre não diverge muito do apresentado pela indústria de caminhões. Dados da Anfir, associação que representa as fabricantes de reboques, semirreboques e carrocerias sobre chassis, revelados na terça-feira, 14, apontam queda de 40,4% nas vendas de janeiro a junho, para 45,9 mil unidades – há um ano foram comercializados 77 mil implementos rodoviários.
Na linha leve a redução nas vendas chegou a 35,4%, para 31,2 mil reboques e semirreboques licenciados. No segmento pesado a queda foi de 48,7%, com 14,7 mil emplacamentos.
“O segmento de leves não depende tanto dos financiamentos do BNDES, então a baixa reflete apenas o desempenho da economia. No segmento de pesados retrocedemos dez anos, com vendas nos patamares de 2006”, disse Alcides Braga, presidente da Anfir. “As margens também estão baixas, porque não há como reajustar preços, mesmo com a pressão nos custos.”
O dirigente, porém, evita o discurso do pessimismo e busca alternativas para fazer com que o setor continue caminhando. Segundo ele a Anfir mantém agenda forte com ministros e representantes do governo em Brasília, DF, e no BNDES, no Rio de Janeiro, RJ, onde procura sempre deixar claro quais são as necessidades do setor.
“Não deixamos o governo esquecer a importância do assunto da renovação de frota, pedimos para o BNDES elevar o porcentual de valor financiado do PSI. Mas são pedidos, sem garantia de que sejam atendidos.”
Há maior esperança em dois assuntos: um é a desoneração da folha de pagamento, cuja alíquota ao setor atualmente está em 2,5%. Braga afirmou que há forte indício de que o Senado Federal aprovará 1,5% para os fabricantes de implementos rodoviários.
O segundo é a inclusão dos produtos do setor dentre os financiáveis por meio do programa Mais Alimentos, do Ministério do Desenvolvimento Agrário. Segundo Braga o anúncio ocorrerá nas próximas semanas e outra associação de classe também será beneficiada. “Será um evento grande. Essa medida dará alento a algumas empresas do setor.”
A inclusão do setor no programa Mais Alimentos, por se destinar principalmente à agricultura familiar, beneficiaria principalmente a linha leve, mas a Anfir trabalha para que alguns produtos do segmento pesado também sejam incluídos nas linhas do BNDES.
Braga também comemorou, com ressalvas, a criação do PPE, Plano de Proteção ao Emprego, anunciado pelo governo na semana passada e que prevê a redução de jornada de trabalho e de salários com ajuda de recursos do FAT, Fundo de Amparo ao Trabalhador. O presidente disse que os associados da Anfir se enquadram nas exigências do governo, que ainda carecem de regulação oficial.
“Mas é preciso tomar cuidado para que essa medida não seja um tiro no pé e ocasione novo desequilíbrio na economia. Não se pode beneficiar um ou outro setor em detrimento de outros.”
Segundo o dirigente o setor de implementos rodoviários, que chegou a empregar 71 mil pessoas direta e indiretamente, cortou cerca de 30% de sua força de trabalho. “Existem [atualmente] 50 mil funcionários, se muito. Precisamos fazer um balanço oficial, mas pelo que os associados nos passam o cenário é esse.”
As empresas também abriram o olho para o mercado externo. Apesar de fechar o semestre com queda de 32% nas exportações, para pouco mais de 1,1 mil unidades, as perspectivas são positivas: “Existe um esforço maior para as exportações e acredito que em 2016 poderemos apresentar volumes um pouco superiores”.
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