AutoData - Autopeças: internacionalização e inovação como base do crescimento.
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11/01/2016

Autopeças: internacionalização e inovação como base do crescimento.

Em ano em que o setor de autopeças nacional acumula perdas, até setembro, de 13,5% no faturamento líquido, a Fras-le comemora alta de 11%, para R$ 637 milhões. Deste total, 50% têm origem em exportações diretas a partir do Brasil e vendas pelas operações localizadas em outros países. O mercado de reposição, essencialmente de materiais de fricção para veículos pesados, representa 80% da receita. Os dados foram expostos por Pedro Ferro, diretor corporativo de autopeças das Empresas Randon, em painel no Fórum Regional Automotivo do Rio Grande do Sul, realizado pela AutoData Editora na quarta-feira, 9, em Caxias do Sul.

Já as demais marcas do Grupo no segmento de autopeças acumulam perdas de 38%. Como forma de ajustar a produção ao mercado foram fechados em torno de 2 mil postos de trabalho em dois anos, com redução de três para um turno. “Não sabemos se chegamos ao fundo do poço, mas o fundo do poço parece enlameado”, disse o executivo. Também garantiu que há estudos em andamento para que as demais fabricantes de autopeças – Master, Suspensys e Jost – sigam o exemplo da Fras-le, com foco na internacionalização e reposição. “Nossa meta é dobrar estas empresas de tamanho em cinco anos.”

O painel de autopeças também teve a presença de Juliano Mantovani, diretor da Keko Acessórios, que deve fechar o ano com queda de 5% na receita líquida ante uma expectativa inicial de crescimento e de expansão média histórica de 15% a 20%. O recuo deve-se, basicamente, à queda de 27% do mercado de picapes, seu maior comprador.

Ele destacou como fatos positivos do ano o crescimento de 25% em novos projetos no segmento de OEM e o ingresso efetivo em veículos de passeio. Dentre os novos projetos estão acessórios para modelos Fiat, Renault e Honda. Mantovani também explicou que a Keko investe no mercado externo, que ajuda na consolidação de números melhores. A expansão projetada para o ano neste segmento é de 30%.

Outro aspecto em comum é o investimento em produtos inovadores. Na Keko a participação do desenvolvimento de novos produtos na receita é de 30%. A Fras-le, que tem forte presença em mercados desenvolvidos como Estados Unidos e a Europa, investe em inovações de forma permanente. Outra ação adotada nas Empresas Randon foi a concentração da base de fornecedores, que caiu de 550 para 100, assim como a centralização da área de compras.

Em relação a 2016 Mantovani assegura que a Keko está preparada para enfrentar situação ainda pior que a atual se ela vier. Tem como projeção a produção de 2 milhões de unidades, mas acredita em leve crescimento na empresa em razão dos novos projetos.

Ferro antecipa que se a situação piorar medidas ainda mais drásticas se tornarão necessárias. Mantendo-se o quadro atual, as empresas já estão preparadas – mas o diretor vê sinais de melhora em razão dos estoques estarem mais baixos.


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