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04/07/2016

Recorde de recuperações judiciais nas autopeças

Por Alzira Rodrigues

- 04/07/2016

O número de recuperações judiciais na indústria de autopeças brasileira atingiu recorde de 26 pedidos no acumulado deste ano – durante 2015 inteiro houve um total de 28. A informação foi divulgada pelo presidente do Sindipeças, Dan Ioschpe, durante o Seminário Revisão das Perspectivas 2016 realizado em São Paulo, na segunda-feira, 13, oportunidade em que fez um balanço deste ano e também adiantou as projeções da entidade para 2017.

“Apesar das recuperações judiciais ainda temos um setor de autopeças vigoroso, que se prepara para o futuro. Há alguns fechando, mas tem gente comprando, como também outros abrindo linhas de novos produtos. Os investimentos este ano atingirão R$ 1 bilhão 510 milhões. Não é muito, considerando os anos anteriores, mas mostra que o setor não está parado”.

Ioschpe não quis arriscar números quanto à questão da recuperações judiciais, se tendem a crescer ou se o setor já concluiu processo de depuração: “Não dá para falar. Tem caso de empresa que ninguém esperava e, de repente, entra em processo de recuperações judicial”. Admitiu, no entanto, que uma possível estabilidade no segundo semestre pode trazer mais alento ao setor.

O presidente do Sindipeças esteve na semana passada com o ministro do MDIC, Marcos Pereira, para conversar sobre os problemas da cadeia fornecedora: “Não há negociação, houve uma conversa. O que precisamos é de uma política setorial que propicie maior competitividade à indústria. É fundamental termos previsibilidade”.

Projeções – O Sindipeças projeta faturamento da indústria de autopeças em torno de R$ 63 milhões este ano, 4,5% de queda em relação aos R$ 65,9 bilhões obtidos no ano passado. Para 2017 espera-se o início de uma retomada, com receita projetada em R$ 64,7 bilhões. O nível de mão de obra baixará de 171,5 mil funcionários em 2015 para 164 mil este ano, mas para o próximo espera-se chegar a 164,4 mil.

As exportações já mostram sinais positivos este ano. A expectativa é chegar a US$ 7 bilhões 950 milhões, ante os R$ 7 bilhões 560 milhões do ano passado, e para 2017 a projeção indica novo salto, para US$ 8 bilhões 420 milhões. Como as importações, na contrapartida, estão caindo, o déficit comercial do setor é menor a cada ano. Reduzirá de US$ 5,5 bilhões em 2015 para US$ 4 bilhões agora em 2016 e a expectativa é de que baixe ainda mais em 2017, para US$ 3,2 bilhões.

Conforme dados divulgados por Ioschpe, o Sindipeças está prevendo retomada gradual do setor automotivo a partir de 2017. A entidade projeta queda de 13% este ano na produção de automóveis, para 1 milhão 765 mil unidades, e alta de 4% no ano que vem, com 1 milhão 830 mil unidades a serem fabricados no País.

No caso dos comerciais leves o recuo deste ano deve ficar na faixa de 8%, para 290 mil unidades, e o crescimento no próximo é estimado em 2%, 295 mil comerciais leves. Também o segmento de caminhões tende a reagir em 2017 com alta de 2%, enquanto as vendas de ônibus deverão ficar estáveis em 19 mil unidades.

“Com relação a este ano estamos mais pessimistas do que a Anfavea, pois prevemos queda de 13% na produção de automóveis e eles projetam 5,5%”, comentou Iochpe. “Mas acreditamos que na virada do ano estaremos próximos de começar alguma recuperação. Achamos que em 2017 os dados macroeconômicos serão mais positivos, com o fim da alta do desemprego, inflação mais baixa e consequentemente juros menores. Se não houver grandes erros poderemos ter melhoras na virada do ano.”


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