Um semestre para esquecer. Assim a indústria de implementos rodoviários deve encarar os números do setor nos primeiros seis meses de 2016. Levantamento da Anfir, Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários, mostra que no acumulado de janeiro a junho somente 31,8 mil implementos foram emplacados, 30,6% do que em igual período do ano.
O desempenho anualizado é ainda mais dramático para os fabricantes: de julho de 2015 a junho último os emplacamentos se aproximaram 74,3 mil unidades, retração de nada menos do que 42,3% sobre os doze meses imediatamente anteriores, quando foram registradas vendas de quase129 mil equipamentos.
Alcides Braga, presidente da entidade, não disfarça o descontentamento com o desempenho do setor, em especial com as vendas internas: “A projeção anualizada indica a dimensão do tamanho do recuo de mercado que a indústria está vivenciando no momento”.
A retração de mercado é ainda mais expressiva em números no segmento de produtos leves – carroceria sobre chassis. No acumulado dos seis primeiros meses do ano foram negociadas pouco mais de 19,2 mil unidades ante 31, 2 mil no mesmo período do ano passado, ou seja, mais de 38% de retração.
O segmento de pesados – reboques e semirreboques – sofreu também, mas bem menos. Pelo menos em unidades negociadas. O recuo das vendas no semestre, que somaram 12,6 mil implementos, esbarrou em 14%.
“O problema é que a queda dos pesados é muito mais impactante do que dos leves em função do maior valor dos produtos”, destaca Mario Rinaldi, diretor executivo da entidade.
Diante do desempenho dos seis primeiros meses a Anfir já tem como certo que os resultados ao fim de 2016 ficarão, mesmo, muito aquém dos do ano passado, ainda que considere sensível melhora no segundo semestre na linha de produtos leves, que poderá somar mais 25 mil unidades de julho a dezembro.
A entidade estima pouco mais de 25,1 mil implementos pesados negociados no ano, recuo de 15,3% frente a 2015, e 44,2 mil leves, 25,6% abaixo. Na média, o mercado intenro deve encolher 21,5% e superar ligeiramente as 69,3 mil unidades.
Saída – Se o mercado interno não tem colabora os fabricantes de implementos seguem buscando alternativas no Exterior. As exportações ainda têm participação tímida nos negócios do setor, mas evoluíram nos primeiros meses do ano. De janeiro a maio foram embarcados 1.837 implementos, crescimento de 27,2% sobre igual período do ano passado.
O projeto de promoção de exportações de implementos rodoviários, coordenado pela Anfir em parceria com a Apex-Brasil teve etapa importante em junho na Colômbia, onde quatorze fabricantes brasileiros fizeram dezenas de reuniões com potenciais clientes ao longo de dois dias. A expectativa é que os negócios que poderão ser concretizados atinjam US$ 8 milhões.
O programa já tem definido outras duas missões: para o Peru, em setembro, e Chile, sem data fechada, mas, com certeza, ainda em 2016. Para a primeira já estão confirmados sete fabricantes, enquanto a Anfir espera quinze para o encontro chileno.
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