Fabricar carros cada vez mais seguros está no radar das montadoras há décadas. Modelos mais amigáveis, que protegem não só quem está dentro dos veículos, mas também ciclistas e pedestres tornaram-se comuns. No Brasil, a questão de segurança ganhou novos patamares com obrigatoriedade de freios ABS e airbag em todos os modelos fabricados por aqui desde 2014. Nos últimos anos, porém, as fabricantes de veículos têm ido além dos tradicionais alarmes e películas antivandalismo e começado a pensar mais a fundo na questão da segurança fora do carro. De olho em índices alarmantes de furtos e roubos de veículos, as montadoras se unem na tentativa de dificultar a vida dos criminosos.
Os dados da Confederação Nacional de Seguros impressionam: 57 veículos foram roubados por hora no país em 2015. De acordo com a Polícia Militar, o número de furtos de peças, como rodas e estepes, é pelo menos três vezes maior e muitos motoristas nem chegam a relatar os episódios – o que pode inflar as estatísticas.
Segundo a PM, o furto mais comum nos últimos meses é o de rodas: os assaltantes aproveitam carros estacionados em lugares ermos, levam as duas rodas próximas da guia e deixam um macaco para manter o veículo equilibrado. Depois disso revendem para autopeças não certificadas e movimentam o mercado ilegal. De acordo com a PM, há uma média de 30 ocorrências diárias desse tipo de furto na Grande São Paulo.
Para tentar dificultar a ação dos criminosos, a Jeep adicionou um item de série em seus modelos top de linha: um parafuso antifurto para as rodas. Segundo a montadora, com o item é impossível remover a roda do veículo sem uma chave especial, que apenas o proprietário tem acesso. Nos modelos mais simples também é possível incluir o acessório a um valor médio de R$ 300.
Além disso, a Jeep tem o sistema Keyless Enter ‹n› Go – que também está presente em modelos de outras marcas como Volkswagen e Kia. Com ele, o usuário coloca a chave de presença no bolso e não precisa encostar mais nela para destravar o carro, entrar e ligar o motor. Caso o motorista seja abordado por um assaltante e saia do carro com a chave, depois de uma distância segura o modelo deixará de funcionar.
Para o consultor independente do setor automotivo Rubens Baptista Júnior, as montadoras acabam desempenhando um papel social e a tendência é que cada vez mais participem de questões como segurança urbana e mobilidade. “Apesar de não ser de responsabilidade das fabricantes, essas questões envolvem diretamente seu público final. Cabe às empresas se atualizarem constantemente para entender as evoluções da segurança pública”, afirma.
Segundo Marcos Bedendo, professor de branding da ESPM, as marcas ganham credibilidade por apoiar essas causas. “O fato de o consumidor saber que determinado modelo possui itens de segurança além da prevenção de acidente pode ajudar na decisão de compra. Em um mercado tão acirrado cada vantagem deve ser levada em conta”, avalia.
Além dos acessórios que travam o estepe e impedem a retirada das rodas, na General Motors o sistema OnStar também acaba fazendo um papel de guardião. A partir de 2017 todos os modelos da linha da GM terão o sistema, que além de itens de conectividade, priorizam a questão da segurança.
Por meio de um aplicativo, os motoristas podem destravar as portas antes de chegar ao carro, verificar o local onde o veículo está estacionado e receber mensagens se houver alguma movimentação sem sua autorização. Também de forma remota pode-se solicitar a redução gradual da velocidade em caso de roubo, ou até de bloqueio total do motor, o que facilitará a recuperação do bem pela polícia.
Segundo William Bertagni, vice-presidente de engenharia da General Motors América do Sul já não dá mais para pensar em tecnologia sem incluir a segurança dentro e fora do veículo como prioridade. “Pesquisas internacionais mostram que os consumidores já consideram os itens tecnológicos do veículo mais relevantes do que a potência do motor.”
O sistema da GM permite ainda o monitoramento durante viagens, caso o motorista solicite que um atendente o acompanhe. Após coletar algumas informações, uma cerca eletrônica de monitoramento será criada e se for detectado desvio ou alguma parada inesperada, como um roubo, o Centro de Atendimento OnStar entrará em contato com os ocupantes do veículo para averiguar a situação e, caso necessário, dar direções ou auxílio com a polícia.
Notícias Relacionadas
Últimas notícias