As principais empresas fabricantes de máquinas agrícolas e de construção compartilham da opinião de que o ano que vem será ligeiramente melhor do que 2016 no que se refere à produção e vendas internas. Contudo, o setor, avaliaram executivos da CNH Industrial, AGCO, Case IH, JCB e Volvo CE, durante o primeiro dia do Congresso AutoData Perspectivas 2017 na segunda-feira, 17, terá um último trimestre estável e aquém daquilo que se imaginava até o fim do primeiro semestre..
“O mercado tem passado por oscilações, mas creio que tirou o nariz para fora da água. Há um otimismo moderado para 2017”, resumiu Carlos d’Arce Júnior, diretor de marketing da New Holland Agriculture.
Tanto em máquinas agrícolas quanto em rodoviárias a percepção é de que vendas e produção evoluirão em 2017. No primeiro caso, algo acima de 5% e até 10%, conforme cálculo da AGCO e da divisão agrícola da Case. Os executivos não temem nem mesmo uma eventual antecipação de compra nesta reta final de 2016 em função da adoção da norma MAR-1 em produtos fabricados a partir do ano que vem.
“A antecipação será pouca. As compras no segmento são mais planejadas”, justifica Alfredo Jobke, diretor de marketing América do Sul da AGCO.
Por sua vez, Cesar Di Luca, diretor comercial da Case IH, não se mostra preocupado com a possibilidade de faltar recursos para o Moderfrota a partir do ano que vem: “É importante, claro, mas é algo que será resolvido, não há como abrir mão disso”, diz Di Luca, que lembra que ainda existem outros mecanismos de vendas que podem ser trabalhados nesse intermédio. No caso da concorrente AGCO, por exemplo, os consórcios já respondem por 15% das vendas.
Os fabricantes também enumeram o valor das commodities agrícolas, como soja e milho, alguma expansão de áreas de plantio e a necessidade de incorporar tecnologia em busca de maior produtividade como fatores que poderão ajudar o mercado interno a superar, em 2017, os imaginados 34 mil tratores e 4 mil colheitadeiras deste ano.
O quadro do segmento de máquinas de construção parece um tanto mais difícil, ainda que tanto José Luís Gonçalves, presidente da JCB, e Afrânio Chueire, presidente da Volvo CE, falem em avanços médios da mesma ordem para o mercado interno em 2017. O problema é a base de comparação, já que ambos estimam que o mercado do segmento no Brasil encerrará 2016 com 8 mil a 8,5 mil unidades .
“Qualquer variação de 5% a 9%, por exemplo, representaria um delta muito pequeno, por tanto”, pondera Chueire, que recorda que o Brasil já consumiu 31 mil equipamentos ao ano e só o governo federal adquiriu mais de 11 mil em 2013.
A exemplo dele, Gonçalves aguarda medidas efetivas do governo que promovam um crescimento estruturado para falar de tempos mais promissores para o setor. O executivo, contudo, destaca as exportações nos últimos anos com válvula para algum alívio da ociosidade nas linhas de montagem. No caso da JCB, os embarques passaram de 10% há dois anos da produção para 50% agora, empurrados pelo câmbio mais favorável e pela política da empresa de ocupar parte da capacidade ociosa com o deslocamento de produção de outras operações.
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