AutoData - Setor de ônibus terá recomposição de preços em 2017
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17/10/2016

Setor de ônibus terá recomposição de preços em 2017

Por Michele Loureiro

- 17/10/2016

O segmento de ônibus deverá realizar uma recomposição de preços em 2017. A avaliação é de executivos da Marcopolo, Caio e Mercedes-Benz, que participaram de um painel durante o Congresso AutoData Perspectivas 2017, realizado na sede da Amcham, em São Paulo, na segunda-feira, 17.

Em 2014, o mercado de ônibus chegou a 26 mil unidades e registrou seu melhor resultado histórico. Um ano depois, com queda de 40%, o tamanho encolheu para 15,7 mil. Para este ano, a previsão é de 10,5 mil unidades – um patamar observado na década de 80. Com a redução do volume, a concorrência aumentou e as margens ficaram comprimidas.

Segundo Francisco Gomes Neto, CEO da Marcopolo, há dois anos não há reajustes de preços do setor. “Sequer repassamos a inflação dos custos e mão-de-obra. Estamos com preços defasados em cerca de 20%”, afirma. “Para continuar vendendo com prejuízo, é melhor não vender”, diz o executivo. Maurício Cunha, diretor industrial da Caio, e Walter Barbosa, diretor de vendas de ônibus da Mercedes-Benz, também concordam que é inevitável que haja um ajuste nos valores.

Com margens apertadas, a situação do segmento é uma das mais dramáticas da indústria automotiva. O tom dos executivos é de pouco otimismo e a expectativa é de que o ano termine com patamares de 30 anos atrás – e que 2017 não registre bons resultados logo de cara. Segundo Barbosa, em anos posteriores às eleições, as vendas tendem a cair no primeiro semestre. “Os novos prefeitos precisam tomar pé da situação antes de realizar compras”, afirma. “Pode ser que haja uma recuperação no segundo semestre, mas a questão do congelamento de tarifas pode influenciar na decisão de compra”, avalia.

Além disso, juros altos, limite de financiamento do BNDES e redução da participação do programa Caminhos da Escola, deixam a situação delicada. “O programa do Governo Federal já consumiu 10 mil unidades por ano e atualmente está em um patamar de 500 ônibus”, lamenta Cunha.

Exportações – As exportações tem sido um alento para o setor, assim como aconteceu nos outros segmentos da indústria automotiva. Na Mercedes-Benz, por exemplo, as remessas ganharam mais representatividade. “Em 2015, 75% da produção era vendida no Brasil e 25% era exportada. Neste ano, 60% fica em casa e 40% é enviado ao exterior. Mesmo assim, o volume de exportações caiu 10%, acompanhando a tendência do mercado”, diz Barbosa.

Já a Caio espera uma licitação na Chile para tentar ampliar os negócios fora do país. “A previsão é que o processo seja realizado em junho de 2017. Antes disso, não temos grandes expectativas”, diz Cunha.

Enquanto enfrentam dificuldades de vislumbrar um cenário mais favorável, os executivos torcem por um programa de renovação de frota e por políticas econômicas que culminem com a queda dos juros – o que motivaria empresários a realizarem novos investimentos. As perspectivas para os próximos anos variam de acordo com o otimismo dos executivos. Enquanto Neto, da Marcopolo espera que o setor volte a crescer dois dígitos em 2018 e chegue 16 mil unidades, Barbosa e Cunha acreditam que o patamar só será retomado depois de 2020.


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