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05/12/2016

Manufatura compartilhada pode ser alternativa para tiers 3 e 4

Por Michele Loureiro

- 05/12/2016

Segundo dados mais recentes da CNI, Confederação Nacional da Indústria, o porcentual médio de UCI, Utilização da Capacidade Instalada, ficou em 65% em outubro. Em alguns setores da indústria, a capacidade ociosa beira os 50% e as pequenas e médias empresas são as mais afetadas. De olho nessa lacuna, Bruno Gellert, coordenador do grupo de trabalho de manufatura avançada da Abimaq, Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos, fundou uma empresa que pode ser alternativa para tiers 3 e 4 com vistas à manufatura compartilhada.

A Peerdustry foi tomando forma quando o engenheiro de materiais estava cursando o MBA em Estratégia de Mercado na Fundação Getulio Vargas. Em 2015, ele e mais um sócio começaram a se dedicar a startup, que tem como meta fazer a ponte de empresas com máquinas ociosas com clientes que precisam de projetos pontuais. A Peerdustry foi vencedora do hackaton da Fiesp em agosto de 2015 e está incubada na Escola de Negócios do Sebrae desde abril de 2016. Em agosto desse ano, a companhia passou a funcionar e já conta com 130 clientes e 350 máquinas cadastradas.

“Nosso trabalho consiste em fazer um mapeamento da indústria para verificar onde há máquinas ociosas e por meio do nosso software conseguimos encontrar empresas que precisam de horas-máquina”, explica Gellert.

Seja porque perdeu um contrato de fornecimento, comprou uma máquina para uma demanda pequena ou quer gerar receita com as máquinas do showroom, a empresa se cadastra no site da Peerdustry. A startup cuida de fazer o encontro com outras companhias que têm demanda sazonal de uma máquina, estão sem capital para investir, com o equipamento em manutenção ou simplesmente precisam de um lote piloto para aprovação e faz o negócio acontecer.

“Na prática isso já era feita de forma informal. Por sete anos trabalhei em uma indústria de máquinas de Santa Catarina e visitava muitos clientes. Nessas passagens ficava sabendo das necessidades de cada um e de vez em quando conseguia ajudar nessa ponte. A ideia é formalizar isso”, diz Gellert.

A utilização de tecnologia de informação permite à Peerdustry, por meio de seu software, coordenar o trabalho de cotação de fabricação de uma peça ou processo, detalhamento técnico, negociação comercial, logística, compra de matéria-prima, acompanhamento de produção e entrega do item. Para quem contrata, é como se a fábrica estivesse na nuvem: ele faz o pedido por meio da plataforma e ele é entregue no prazo, dentro dos padrões de qualidade exigidos.

Ajudando nessa ponte, a Peerdustry gera receita nas duas pontas. “Nosso faturamento vem do serviço de consultoria, pois atuamos como uma área de vendas terceirizada. Além disso, na outra ponta, levamos serviços que até então não estavam no escopo da empresa e ganhamos por isso”, diz o executivo.

Cerca de 20% das empresas da base de dados da Peerdustry são da cadeia automotiva. “São pequenas e médias companhias que fornecem para sistemistas e montadoras de forma indireta e estão em busca de alternativas para driblar esse cenário desafiador de queda de produção e venda de veículos”, explica Gellert.

Um dos exemplos citado pela companhia é o de uma empresa tier 4 que recebeu uma cotação de um sistemista e precisava de uma máquina de usinagem de cinco eixos para entregar o projeto. Sem o equipamento, as alternativas eram desistir da concorrência ou realizar o projeto em mais de uma fase e elevar os custos, o que tornaria o trabalho inviável.

Com a possibilidade da manufatura compartilhada, essa empresa tem a opção de fazer o desenvolvimento do projeto e subcontratar o serviço de produção. “Desta forma ela amplia o relacionamento com a sistemista e quem sabe consegue novos contratos. Com esse tipo de serviço, a Peerdustry espera dobrar de tamanho em 2017”, diz o fundador da startup.

Para Gellert, com uma eventual retomada da economia do País, a ociosidade da indústria deve diminuir. Mesmo assim, isso não seria um impedimento para que o negócio continuasse a deslanchar. “Acredito que esse movimento será gradativo, mas quando tudo voltar a patamares positivos, passaremos a focar no serviço de automação e aumento da competitividade. Ainda temos uma manufatura desatualizada e quando falamos na indústria 4.0 temos um longo caminho a percorrer”, afirma o executivo.


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