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10/07/2017

FCA cogita não calibrar motores para a Argentina

Por Bruno de Oliveira

- 10/07/2017

A FCA vê a possibilidade de aumentar suas vendas de veículos flex na Argentina com o aumento da porcentagem de etanol na nafta, o combustível derivado do petróleo predominante nos postos de lá. De 2010 a 2016 a quantidade de álcool na mistura com a nafta saltou de 2% para 12%. Políticas setoriais do governo local, anunciadas este ano, têm como objetivo elevar a mistura para 20%, um parâmetro que, aos olhos da FCA, pode representar a oportunidade de aumentar o volume das exportações ao seu principal parceiro comercial.

João Irineu Medeiros, diretor de assuntos regulatórios da FCA, não determinou a quantidade de participação dos veículos flex FCA nos embarques para a Argentina, mas reconheceu que o volume é “pequeno frente ao potencial reprimido”. O otimismo da empresa diante do cenário previsto para a Argentina reside em uma explicação técnica: com uma mistura de 20% de álcool na nafta os motores da Fiat conseguem atender ao mercado sem precisar de calibração, algo que acontece hoje e, segundo o executivo, representa custo:

“Nossos motores flex conseguem trabalhar com uma mistura que varia de 22% a 90% de etanol. Com 20% já é possível embarcar veículos que dispensam calibração”.

A Argentina, hoje, discute se aumenta a quantidade de etanol na nafta ou se institui um plano que torne viável bombas de etanol nos postos. Ambos os casos, disse o executivo, criarão uma demanda relevante pelos veículos equipados com motor flex: “Acontecerá no curto prazo porque a Argentina é o segundo maior produtor mundial de milho, e isso fará baixar o custo do combustível. E sabemos que o mercado argentino responde bem aos veículos que oferecem economia no consumo”.

Segundo dados da Camara de Alcoholes da Argentina, entidade nacional que reúne os produtores, sua geração atualmente gira em torno de 1 bilhão de litros por ano, o que os situa como os segundos maiores da América Latina. Produção, aliás, concentrada nas mãos de dezessete usinas, sendo doze de cana de açúcar e cinco que extraem o combustível do milho.

Oscar Rojo, presidente da Camara, contou que a tendência é a de que o governo tenha como foco o aumento da produção do álcool de milho pelo fato de o processo de produção ser, em média, 15% mais barato do que o de cana de açúcar: “Boa parte desse custo é com mão de obra, mais barata no caso do milho. O governo deve anunciar nos próximos meses investimentos na capacidade das usinas de milho, ainda que a produção nacional seja insuficiente para atender à demanda em um eventual aumento de consumo”.


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