O Programa de Proteção ao Emprego, PPE fez seu primeiro aniversário nesta semana. Ao longo do período, o mecanismo subsidiado pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador, FAT, do Governo Federal, ajudou a conter por volta de 25 mil demissões apenas na região do ABC. Em entrevista exclusiva à AutoData, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques, afirma que o programa precisa de flexibilidade para continuar fazendo sentido e reclama dos atrasos nos repasses do governo para as companhias. Confira:
O PPE é o principal mecanismo de contenção de empregos no ABC atualmente?
A crise econômica veio mais forte e está durando mais tempo que o previsto. O PPE é um dos instrumentos, mas não é capaz de conter novas baixas. Por isso, estamos estudando uma flexibilização do formato. Além do PPE, ainda há trabalhadores de licença remunerada, férias e programas de demissão voluntária em aberto.
Qual é a proposta do sindicato?
Há gargalos no programa. Por exemplo, se uma empresa que aderiu ao PPE fica sem receber peças por problemas do fornecedor – como aconteceu na Volkswagen em maio – ela fica impedida de realizar hora extra para repor a produção daquele período. O PPE não permite hora extra, mas há casos específicos que merecem exceções. Queremos que haja flexibilidade. Além disso, estamos propondo o aumento do subsídio do governo, de 30% para 50%.
Uma das principais bandeiras do governo interino é cortar gastos. Por que vocês acreditam que eles podem elevar o subsídio do FAT?
A teoria deste governo está diferente da prática. Já assistimos reajustes na folha dos governadores, do judiciário, do programa Bolsa Família. Ou seja, há espaço para gastar mais quando necessário. No caso do PPE, é melhor investir na proteção do emprego do que arcar com os gatos do seguro desemprego e uma piora da economia. Nesta semana solicitamos uma reunião com o Ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, para tratar do assunto e estamos aguardando um parecer.
A flexibilização do PPE seria suficiente para garantir os empregos no ABC?
Nossa região vive uma situação muito delicada. Temos aqui as montadoras que costumavam ser líderes de mercado e nadavam de braçada. O cenário mudou. Além da crise, a concorrência aumentou. A Volkswagen vive dias difíceis e a Mercedes-Benz, apesar da liderança, agora atua em um mercado 40% menor. Por isso, o PPE não será capaz de garantir que não haja mais demissões, mas é um dos instrumentos. No encontro com o ministro também vamos retomar o assunto do Programa Nacional de Renovação da Frota. Este é um projeto que pode reanimar o setor. Precisamos de algum incentivo para sair desse cenário.
Atualmente quantas empresas usam o PPE no ABC?
Neste momento há dez empresas usando o programa. No total são 13,4 mil trabalhadores afastados das empresas Rassini, Volkswagen, Ford, Dura, Continental, SM Sistemas Modulares, Continental Parafusos, Topema, Dana Forjados e Isringhausen. Estamos renegociando um novo PPE com a Mercedes-Benz e a renovação do programa na Volkswagen. Todo dia tem negociação de PPE na nossa agenda.
As empresas mostram-se satisfeitas com o programa do governo?
Não. Há uma série de relatos de atrasos dos repasses para as empresas. Atualmente, os atrasos são de cerca de dois meses. Isso é um problema da equipe reduzida do Ministério do Trabalho, que acaba dificultando nossas negociações. Muitas companhias preferem não aderir ao PPE temendo esses atrasos e até o não pagamento.
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