Fornecedores tiers 2 e 3 preocupam as sistemistas Delphi, Eaton e Bosch. Os presidentes das empresas participaram de um painel durante o Congresso AutoData Perspectivas 2017, realizado na sede da Amcham, Câmara Americana de Comércio, em São Paulo, na segunda-feira, 17, e afirmaram que a recuperação do setor depende também da capacidade de reação dos fornecedores. O discurso de que o cenário deve estar mais favorável em 2017 é consenso, mas a questão das dificuldades da cadeia pode comprometer uma retomada mais efetiva.
Na tentativa de amenizar o problema, Besaliel Botelho, presidente da Bosch, destacou que há pouco mais de um ano a empresa realiza um programa para auxiliar 25 fornecedores a evoluírem em níveis de gestão, produtividade e competitividade. “Em quatro anos passamos de um mercado de 4,5 milhões para 2,5 milhões de veículos no Mercosul. É natural que essa redução atinja todas as partes da cadeia. É preciso ter robustez e estratégia assertiva para superar o momento”, diz.
Na Eaton, há 28 fornecedores sob estado de atenção. “Do total, cinco estão em estado terminal”, diz Antonio C. Galvão, presidente da Eaton. Segundo ele, é possível fazer a seguinte análise: se a crise econômica causa uma tempestade, as montadoras estão em alto mar segurando-se na proa do navio, enquanto as sistemistas estão submersas respirando com auxílio de cilindros de oxigênio e os tiers 2 e 3 dependem exclusivamente de seus pulmões. “As empresas de pequeno e médio porte, genuinamente nacionais, são as que mais preocupam”, lembra.
Para Paulo Santos, presidente da Delphi, a base de fornecedores preocupa por questões de entrega e qualidade. “Estamos cada vez mais próximos deles para garantir que não haja maiores comprometimentos”, destaca.
Arrumando a casa – As três companhias precisaram reorganizar as operações no Brasil nos últimos dois anos, a fim de amenizar os efeitos da retração nas vendas. A vertente comum foi a de apostar nas exportações.
Na Eaton, cerca de 1 mil funcionários foram demitidos e houve um reforço nas áreas de reposição e exportações. “Embora nosso mercado tenha caído 20%, as outras frentes fizeram que os resultados finais ficassem estáveis”, conta Galvão.
A Bosch apostou no desenvolvimento de produtos globais para alavancar as exportações. “Atualmente cerca de 37% da nossa produção é enviada ao exterior”, afirma Botelho. Além de mirar em mercados externos, a Delphi também focou em novos nichos. “Investimos mais no setor agrícola no último ano. Acreditamos que a venda desse segmento terminará em alta em 2016, por conta de uma antecipação de compras devido à introdução da legislação ambiental MAR-1”, destaca Santos.
Tecnologia – Os executivos também aproveitaram o evento para abordar a questão da necessidade de acompanhar o avanço tecnológico global. De acordo com o presidente da Bosch, há um movimento de revisão da importância de posse dos carros. “Temos questões como os híbridos, autônomos e carros compartilhados em evidência. Ainda não é possível dizer se o patamar global de 94 milhões de veículos por ano será mantido”, afirma. “Junto com isso temos cada vez mais tecnologia embarcada nos veículos. Isso é um ponto positivo, já que aumenta o valor agregado dos produtos”.
Enquanto isso, na Eaton, o trabalho na linha de produção é limitado a um turno, enquanto a área de engenharia trabalha em tempo integral. “Acreditamos que o mercado voltará a acelerar em 2017, e de forma expressiva em 2018, e estamos nos preparando para isso. Precisamos acompanhar as tendências globais se quisermos continuar a exportar”, resume.
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