VW busca até dez novos mercados para veículos brasileiros

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A Volkswagen se prepara para atacar novos mercados afora os países da América Latina. O presidente da companhia, Pablo Di Si, revelou na quinta-feira, 22, que sua principal meta no cargo que assumiu recentemente é justamente fazer os carros produzidos pela empresa aqui alcançar outras regiões: “Meu primeiro passo aqui foi aumentar o volume de vendas. Mas a principal meta é exportar para cinco ou dez novos países”.

 

Para crescer fora do País, no entanto, o executivo sinalizou que a empresa precisa ajustar sua produção de forma a acompanhar um eventual crescimento da demanda nas linhas para atender ao mercado externo. A montadora tem feito nos últimos meses uma espécie de varredura para verificar a situação de seus fornecedores, tanto em termos de capacidade de produção quanto no aspecto da saúde financeira da cadeia.

 

Di Si contou que fornecedores de vários tamanhos passaram 2017 ajustando suas operações para aumentar produção e sanar dívidas: “Muitos de nossos principais fornecedores, inclusive os grandes, conseguiram recuperar as perdas acumuladas desde que as vendas no País começaram a cair. A Volkswagen se preocupa com a cadeia produtiva e aproximamos fornecedores do BNDES para que haja um clima favorável aos financiamentos”.

 

Com a medida, a VW luta contra um mal que já se mostra presente em suas fábricas no Brasil e que impede um crescimento acelerado. Di Si projetou em outubro um crescimento de produção em torno de 15% em 2018 sobre 2017, mas viu que as expectativas de crescimento da cadeia de fornecedores da companhia eram de menores níveis. De forma que, disse o executivo, a empresa chegou a montar veículos faltando peças, o que acarretou em pátios cheios de carros aguardando componentes:

 

“Existe o temor de não crescer tanto por falta de peças. Tem fornecedor que tem dificuldade de comprar matéria-prima. Por isso estamos sendo proativos em ajudar a cadeia a ter condições de acompanhar o nosso crescimento. Em linhas gerais a cadeia está respondendo bem, conseguindo renegociar suas dívidas”.

 

Os números recentes da empresa nas vendas e embarques se mostraram em crescimento em 2017 e o ritmo de manteve em janeiro. Na exportações, um volume de 163 mil unidades, 53,2% mais que em 2016. O principal destino foi a Argentina, para onde foram embarcados 93 mil unidades.

 

No mercado interno, fechou 2017 com 217 mil 704 automóveis emplacados, 17,5% mais que no ano anterior, o que fez a empresa a conquistar mais três pontos de market share chegando a responder por 15,3% do mercado. Em janeiro, a empresa registrou crescimento de 45% nas vendas na comparação com janeiro do ano passado. A expectativa para fevereiro, considerando a quantidade menor de dias úteis na comparação com o mesmo mês em 2017, é de alta entre 18% e 20%, disse o presidente da VW.

 

O desempenho no mercado interno permitiu à companhia a subir uma colocação no ranking das empresas que mais vendem aqui, chegando a segunda colocação atrás apenas da General Motors em termos de volume. Os planos da VW é recuperar a primeira posição do mercado, um objetivo traçado ainda quando o presidente da empresa era David Powells.

 

Para isso, o planejamento da empresa visa o crescimento no Brasil por meio das vendas de modelos SUV, segmento em que companhia chega com veículos depois dos demais concorrentes: “Nosso foco não é focar em um carro-chefe, mas focar no SUVs, e temos produtos com aderência ao mercado brasileiro”.

 

Dos 20 lançamentos programados pela companhia para acontecerem até 2020, cinco são de SUV. O primeiro, o novo Tiguan, produzido no México, chega ao mercado em abril. O segundo, o inédito T-Roc, até o final do ano. O executivo acredita que com a ampliação da oferta no segmento sairá dos atuais 70% de cobertura do mercado para 92% até 2020. O segmento de SUVs representa atualmente 20% das vendas totais da empresa aqui.

 

Flex – A exigência feita pelo governo argentino para que as montadoras instaladas no país vizinho depositem garantias por terem extrapolado contas de exportações não alterou os planos da Volkswagen que dizem respeito ao comércio bilateral. O presidente da VW disse que o desequilíbrio nos volumes embarcados pela empresa era algo esperado:

 

“O governo argentino já estipulou para nós um valor para depositar como garantia e não foi uma surpresa, já havíamos conversado com a matriz sobre isso ano passado. Estamos trabalhando para reequilibrar para que seja o menor valor possível. Estamos trabalhando para exportar mais a um mercado que cresceu 35% ano passado”.

 

O executivo afirmou que é possível alcançar o equilíbrio das exportações enviando mais veículos ao Brasil feitos na Argentina: “Temos que trazer mais modelos como o Amarok e Space Fox, que são produzidos na Argentina, e também componentes como transmissões”.

 

Foto: Divulgação.