Caoa Chery quer 5% do segmento de SUV até 2022

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A Caoa Chery inciou sua operação comercial no País na quarta-feira, 28, anunciando no mesmo dia o modelo de SUV que representa sua maior aposta no mercado local, o Tiggo 2, e a primeira concessionária, em São Paulo. A produção do veículo, feita na unidade de Jacareí, SP, funciona desde fevereiro e deve somar ao fim do ano um volume de 10 mil unidades, pouco mais de 10% da projeção de vendas feita para o carro este ano: 9 mil unidades.

 

A retomada da companhia no Brasil, após os anos turbulentos que se seguiram à inauguração da fábrica paulista à época sob controle único da Chery, em 2014, é marcada por um perfil estratégico modesto. Ainda que seja a principal novidade do mercado dos últimos anos a empresa recém-criada traça planos que considera realistas: objetivo mais importante é equilibrar a produção de acordo com as estimativas de crescimento total do mercado para o ano – alta de 11,7% nas vendas, segundo a Anfavea – e não gerar oferta acima da demanda.

 

FÁBRICA – A meta para este ano é acelerar a produção do novo modelo e ocupar a capacidade da fábrica. Fabricando apenas os modelos QQ  e Celer a empresa vem a um ritmo de 38 carros/dia em um turno. Até dezembro, com a entrada em linha do SUV, serão 120 carros/dia, em um turno. Caso alcance a meta a partir de janeiro a produção estará próxima da capacidade total da fábrica, que é 50 mil carros/ano.

 

O horizonte mais produtivo levou a empresa a fazer contratações. Desde janeiro incorporou ao quadro 75 funcionários, volume que, embora ajude a produzir mais, ainda é considerado insulficente para abrir um segundo turno. Em Anápolis, GO, onde está instalada a outra fábrica e são produzidos por enquanto apenas modelos Hyundai, as linhas estão configuradas para 30 mil unidades/ano. A capacidade total é de 86 mil/ano em dois turnos.

 

De acordo com Márcio Alfonso, anunciado como CEO da Caoa Chery também na quara-feira, a produção do modelo Celer será reduzida este ano para abrir espaço na linha para a fabricação do Tiggo 2: “É o modelo que tem menor volume de venda no mercado nacional, de forma que é natural que tenha sido escolhido para ter sua produção reduzida para que possamos acelerar a produção do SUV”.

 

REDE – Nas vendas, a princípio, o cenário é de expansão do número de lojas o suficiente para vender as 15 mil unidades. A rede evoluirá das atuais 25 lojas para 55 até dezembro, uma quantidade avaliada como suficiente para suportar o esforço de vendas que será imprimido a partir de abril, quando o SUV estiver disponível no mercado. Do total de vendas 9 mil devem ser Tiggo 2.

 

Nesse sentido entra em jogo um dos pontos fortes do sócio Grupo Caoa: responsável pela gestão das vendas da nova empresa, tratou de remodelar as concessionárias Chery que já existiam para receber a nova marca e colocou em curso um levantamento das regiões que passarão a integrar a rede. Outra medida ligada às vendas é a integração dos centros de distribuição de peças.

 

Atualmente, segundo Alfonso, existem dois centros de componentes: o da Chery, em Jacareí, e o da Caoa Montadora, em Barueri, SP. A ideia é que as peças fiquem apenas em Barueri porque a região é considerada importante do ponto de vista de logística: “Com isso melhoramos o tempo de trânsito de peças até a rede, reduzindo as possibilidades de indisponibilidade de componentes no pós-venda. A instalação que mantemos lá é maior do que a de Jacareí e a região está mais próxima do porto de Santos, por exemplo”.

 

Exportar veículos ainda está no campo da possibilidade, afirmou o executivo, mas é uma das metas a longo prazo. Segundo Anning Chen, CEO do Grupo Chery, as oportunidades em novos mercados será estudada caso a caso ao lado do Grupo Caoa: “O nosso processo de globalização é contínuo e será conduzido da mesma forma como aconteceu no Brasil, por meio de um parceiro local”.

 

MERCADO – Com a chegada do SUV, a empresa espera terminar 2018 com uma fatia de mercado de 0,6%. No ano que vem um pouco mais, 1,5%. Em 2020, 2%, o que resultaria um volume vendido próximo das 50 mil unidades. Para Mauro Correia, presidente da Caoa Montadora, a margem pode ser ainda maior: “Comentava com os parceiros da Chery que a fatia pode chegar a 5% em cinco anos, mas de fato é preciso acompanhar o ritmo do mercado brasileiro após período de recessão”.

 

Ao levar em consideração o crescimento visto no segmento de SUVs nos últimos anos é permitido, à Caoa Chery, almejar uma fatia maior de mercado, mesmo sendo um nicho no qual a concorrência é acirrada. Seu plano de negócios para o segmento envolve concorrer com um produto de preçpo menor do que o praticado pelos rivais e oferecer mais conteúdo funcional. Na comparação com os modelos Renault Duster e Ford Ecosport a diferença pode chegar a pouco menos de R$ 16 mil.

 

Alfonso acredita que preço é o que pode decidir a compra na faixa de consumidor que busca atingir com o Tiggo 2: clientes inclinados a ter na garagem um SUV de entrada. Preço também é a jogada da Caoa Chery para se solidificar no mercado: “Precisamos começar humildes, apertar as margens, porque somos os mais novos a competir no segmento. O brasileiro precisa conhecer o produto antes de tudo”.

 

No ano passado foram vendidos 414 mil 546 SUVs no País, segundo dados do Renavam divulgados pela Fenabrave. Em 2016 foram 302 mil 486, o que mostra um mercado em ascensão mais franca do que a experimentada por modelos de outras categorias.

 

Até o fim do ano Caoa Chery lançará outros três modelos aqui, dois deles produzidos em Anápolis e o outro em Jacareí. Alfonso não revelou pormenores, mas disse que cada um deles atuará em outros segmentos. Outra novidade: uma versão do Tiggo 2 equipada com câmbio automático chega ao mercado nacional até junho.

 

Foto: Divulgação.